segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Brasília e a sua vida

                É certo que Brasília está dominando o noticiário e é verdadeiramente muito difícil não se ver envolvido em algum comentário, discussão ou análise a respeito. Diante de muitas contrariedades e contradições que vemos e ouvimos, uma das poucas unanimidades é que precisamos retomar o crescimento e o desenvolvimento do Brasil o mais rápido possível.
                A retomada do crescimento e do desenvolvimento, com melhoria das práticas de gestão, depende muito mais, assim como sempre dependeu, do nosso trabalho árduo, pois tem sido assim com tudo o que realmente fez e faz a diferença no país. O governo precisa mais dinheiro, que no caso, vem dos impostos e estes, pelo aumento da movimentação da economia, gerada pelo aumento do volume de comércio, da produção primária e secundária. Eu, você, nós todos, precisamos gerar mais impostos, mais empregos, renda, trabalho digno, resultados honestos para que a economia tenha melhoria de desempenho e não há outra forma.
                Assim, caro leitor, sugiro darmos menos atenção a Brasília e mais atenção para nosso trabalho, nossa empresa, nossos negócios. Como vai se desenrolar o processo contra X, é bem menos importante para você superar as suas dificuldades do que como atender melhor, como vender mais e melhor, como aumentar a rentabilidade dos seus negócios. Faça um pequeno teste e veja se você gasta mais tempo comentando e ouvindo sobre os debates de Brasília, ou com um projeto para melhorar a fachada, a exposição de produtos e a vitrine da sua empresa para atrair mais vendas? Também é possível avaliar em minutos por semana gastos com a especulação sobre a última bomba política ou como melhorar a embalagem, o rótulo, os benefícios oferecidos pelos produtos da sua empresa. Você gasta mais tempo ouvindo as posições políticas das pessoas ao seu redor, a especulação dos próximos capítulos ou em estudos sobre como fazer a equipe produzir mais, como fazer as suas máquinas e equipamentos produzirem melhor?
                Você aposta em qual dos lados desta disputa de Brasília? Com a especulação gerada na Bovespa, onde se deve apostar: títulos da dívida, ouro, fundos de ações, fundos imobiliários, commodities? Se estiver com dúvidas, vou dar uma dica de ouro: A melhor aposta neste momento é em você mesmo!
                Tenho certeza de que o seu futuro depende de muitas coisas, mas principalmente de você, do que você fez, faz e fizer e do que deixará de fazer. Entendo que a maior descoberta que uma pessoa pode fazer é o entendimento de que pode modificar a sua vida apenas mudando suas atitudes e mentalidade. Mentalidade correta permite atitudes corretas e estas produzem ações corretas, que por sua vez proporcionam as melhores soluções. É possível mudar nossas vidas e a vida daqueles que nos cercam, mudando nossa atitude diante da vida e influenciando da mesma maneira, a quem nos cerca.
                Claro que estamos diante de um conjunto de problemas que se acumulam, como a crise econômica, crise política e crise especulativa. Mas é preciso lembrar que todo o conjunto de problemas gera um conjunto de oportunidades. Não há ninguém impedindo você de estudar e se preparar para quando o mercado de trabalho aquecer e voltar a disputar os melhores profissionais! Não há ninguém impedindo a sua empresa de realizar o planejamento estratégico, ou rever processos, sistemas e implantar projetos! Você não está impedido de escrever um plano de negócios para seu possível novo empreendimento. As crises não impedem ninguém de visitar os velhos clientes e verificar como estão, o que estão fazendo, do que eventualmente estejam precisando e que você poderia encontrar uma forma de fornecer. Quando olho por este prisma lembro da frase de Kelly Young, quando disse que “O problema não é o problema, o problema é a atitude em relação ao problema.”
                Assim, convido você para agirmos mais para mudar nossas vidas e nossos negócios, pois o Brasil e os brasileiros estão precisando muito e o mais rápido possível.

                Um abraço e até a próxima!

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

É preciso um novo ciclo

               
           É tempo de soja, de safra e de Fenasoja e de repensar algumas questões desta cultura. O surgimento da cultura da soja no noroeste do Rio Grande do Sul gerou um ciclo de desenvolvimento e prosperidade em muitas regiões de acordo com a expansão que foi tendo pelo interior do Brasil. O grão que ganhou escala de cultura agrícola nas terras vermelhas do noroeste gaúcho é hoje uma das commodities de maior expressão na balança comercial brasileira, sendo a principal do setor agrícola e tendo criado ao seu redor uma cadeia complexa que gera um grande conjunto de oportunidades.
                A cultura que foi o principal motivador para abrir fronteiras, foi decisiva para criar cidades, desenvolver indústrias de máquinas e equipamentos e algumas indústrias de transformação gerando grandes e complexas cadeias produtivas. Conforme dados da FAO e USDA, a soja responde por 56% da área cultivada do Brasil, que é hoje de 58,5 milhões de hectares. O crescimento segue sendo importante, sendo 3,5% maior desta para a última safra e acumulando 7,7% nos últimos 10 anos no Brasil. No mesmo período o Paraguai teve um crescimento de 9,2% e na Argentina, 10,5%, mostrando que o avanço da soja há muito não tem mais fronteiras.
                O preço da soja tem determinado muitos negócios e observa-se uma correlação forte entre os valores recebidos pelos produtores e a cotação do dólar, frente ao real. Desta maneira, gerir a comercialização in natura do grão exige alto conhecimento da dinâmica cambial dos mercados interno e externo. Uma das questões pouco comentadas é a queda constante que se observa nos preços da soja ao longo dos últimos 90 anos, que está atualmente estimada pelo Bureau of Labor Statistics, Bloomberg, Itaú, é de 20,59%, enquanto a área produzida tem aumento de 17%. Uma análise histórica desde 1926, deixa claro que a cadeia da soja auxiliou muito a nossa economia, mas para continuar sendo este pilar importante necessita que os produtores, a sociedade, os governos se ajam de forma mais rápida incrementando a cadeia com vistas ao aumento do valor agregado, frente aos mercados em cada vez maior competição.
                Há muito de nossas vidas e de nossos negócios atrelados a cadeia da soja e exatamente por isso deveríamos entender melhor como evolui ao longo dos anos e desde que surgiu como negócio de grande escala. A medida em que aumenta a oferta do produto no mercado os preços vão caindo e ainda, vão surgindo produtos que direta ou indiretamente substituem a soja como ela é utilizada atualmente, o que faz com que os preços caiam mais do que o aumento da produtividade consegue compensar. 
           Com os sinais de esgotamento do modelo cada vez mais forte, a necessidade de profissionalizar a cadeia da soja, reduzindo custos, aumentando a produtividade, agregando valor ao produto torna-se ainda maior. Desenvolver as indústrias de transformação da soja numa ampla e variada linha, não só é pertinente, como necessário para a prosperidade das regiões que são dependentes da soja.
                Somos a 9ª maior economia do planeta, mas representamos apenas 3% de tudo o que se produz no planeta. Temos a 25ª posição na participação do comércio exterior, representando apenas 1,2 a 1,4% do comércio internacional e isso é resultado de políticas públicas que fecham o país para acordos comerciais internacionais.
                 Poderíamos ter ganhos muito maiores se conseguíssemos ter uma gestão pública melhor, capaz de realmente entender que o setor produtivo é que gera os tributos que são capazes de sustentar todo o restante. Melhores condições logísticas de escoamento da produção, como ferrovias, hidrovias, mais e melhores estradas reduziriam em muito o chamado custo Brasil, mudando muito os resultados para toda a cadeia produtiva da soja. A capacidade de armazenamento estimada em 1/3 do que se produz, gera perdas de produto, de qualidade, ainda mais custos de transportes e retira quaisquer condições de aguardar um bom momento no mercado internacional.
                Assim como outras tantas áreas de nosso país, a cadeia da soja precisa e merece um novo ciclo de inovação para continuar sendo um dos pilares da nossa economia.

                Um abraço e até a próxima!

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Da ideia para a realidade

                Tirar aquela vontade de ter seu próprio negócio do campo das ideias para transformar em realidade é a maior barreira que as pessoas encontram e é o que geralmente diferencia um empreendedor das outras pessoas. Ideias de novos negócios, novos produtos, assim como a visão de mais e novas oportunidades, muita gente tem. Iniciativa, atitude e coragem para colocar as ideias em prática bem menos gente possui.
                Muita gente pensa que precisa encontrar algo totalmente novo para iniciar um negócio, mas muitos dos melhores e maiores negócios existentes, não surgiram de ideias originais, pois antes deles já havia outros negócios similares, nos quais se inspiraram para fazer um novo negócio em outro lugar, ou melhor, ou maior. Há efetivamente muitas oportunidades para novos negócios em atividades já existentes e que carecem de mais negócios, de inovação em distribuição, atendimento, conveniência, amplitude geográfica de atuação, diversificação de produtos, dentre outros.
                Um motivo apenas, seja ele qual for, não é o suficiente para montar um negócio. Os motivos devem ser vários como aumentar a renda, oferecer algo as pessoas gostariam, precisam e não tem o suficiente, realizar um sonho, auto empregar-se, ter mais autonomia pessoal e profissional, empregar gente da família, dentre outros.
                Os motivos pelos quais um negócio entra em dificuldades e “fecha as portas” também são sempre vários. Ninguém fecha um negócio por um único motivo, pois é um conjunto de coisas que vão se sobreponto, aumentando a dificuldade até que se decide pela formalização do encerramento de atividades.
                A atual situação econômica do Brasil abre espaço para o crescimento do empreendedorismo. Segundo a pesquisa da Global Entrepreneurship Monitor (GEM), escritório de pesquisa que avalia e fornece informações monitoradas frequentemente sobre empreendedorismo, 3 em cada 10 brasileiros adultos (entre 18 e 64 anos), possuem uma empresa, ou estão envolvidos com a criação de um negócio próprio. A pesquisa indica ainda que esta taxa cresceu de 23% em 2005, para 34,5% até 2015. O incentivo das instituições de ensino, falando mais sobre o assunto e incluindo disciplinas de empreendedorismo, assim como o apoio das incubadoras de novos negócios, a ação de muitas entidades, as diversas ações governamentais e até o desemprego são pontos que estimularam mais a criação de novos negócios.
                Ter um emprego é confortável, seguro, com baixo risco, principalmente se for público. Todavia, para quem não valoriza tanto o conforto, a segurança e tem confiança na sua capacidade de assumir riscos e superar as dificuldades, ter um negócio próprio permite sonhar muito mais alto. Sonhar com mais renda, com acesso a melhores condições de vida, maior liberdade, é o que estimula muitos a concretizarem suas ideias.
                A ideia de um produto, de um negócio, só tem valor quando colocada em prática. Todavia, antes de investir, é preciso se certificar se o negócio é viável e principalmente, em que condições ele se torna viável. É indiscutível que os negócios que “quebram” nos primeiros meses ou anos, têm na baixa qualidade das análises de mercado ou até na falta delas e do estudo de viabilidade financeira, a principal causa. Fazer um bom plano de negócios, ter disciplina para seguir o que foi analisado e planejado no plano de negócios, ter motivação para superar as dificuldades que surgirem, são fundamentais para o negócio surgir, crescer e se desenvolver. 
                As famílias tem um papel crucial no estímulo, ou desestímulo ao filho que vai crescendo e ouvindo o que os pais e os familiares pensam sobre o futuro dele. Em geral, por superproteção, muitas famílias passam os anos da infância e adolescência dizendo aos filhos que devem estudar para concursos públicos, ou se preparar para trabalhar em “tal” lugar. Quando este jovem se deparar na escola, faculdade ou outra entidade com algum programa de estímulo ao empreendedorismo, terá uma resistência já construída, para querer ter um negócio. Para termos mais empreendedores e de sucesso, precisamos iniciar em casa, com estímulos positivos diversos, que propiciem o convívio com bons exemplos de empreendedores e negócios.   

                Um abraço e até a próxima!

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

                O mais provável é que nem todos estão certos, assim como nem todos estão errados na maioria das situações. Todavia, é comum ouvirmos justificativas, defesas na linha do “fiz isso/assim, porque todo mundo fez/faz”.
                Você que tem filhos, pense naquela situação em que você repreende um por ter feito algo errado e ele se defende dizendo que o/a irmão/ã também fez, ou que o vizinho, ou o colega também fez assim. Esta resposta resolve tudo para você?
                Você que é professor, pense naquelas colas, plágios, e outras fraudes na avaliação e frequência escolar e ao registrar o ocorrido zerando a prova, reduzindo a nota, ouve como argumento que no ano passado outros colaram ou plagiaram também. Fica resolvido assim?
                Você que é empregador e teve algum caso de negligência ou furto por parte de alguém da equipe e ao ouvir como defesa que um ou mais colegas também fizeram o mesmo tempos atrás, se satisfaz com a resposta?
                Evidentemente que só porque outros fizeram ou até mesmo se todos fizeram, não está necessariamente correto! Da mesma forma, se ninguém fez, não significa que está errado, ou que não vai dar certo.
                Para muita gente, muitos mesmo, o certo e o errado parecem ser sinônimos de concordar ou não concordar.
                Colar na prova; copiar um texto de outra pessoa ou de um autor e assinar, ou insinuar que é seu; colocar o nome num trabalho que não fez; fazer de conta que esqueceu de devolver o troco; dar o troco errado; cobrar mais do que deveria; não devolver o que pegou emprestado; não devolver o livro da biblioteca; dar falsas justificativas para faltas ao trabalho, aulas e compromissos; pegar o jornal do vizinho; dar atestado médico para justificar falta indevidamente; dar licenças sem vistorias; vender e comprar produtos falsificados; furar a fila; dirigir perigosamente; mentir; se vangloriar de algo que não fez ou não participou tentando receber glórias sozinho; fazer “gato” de energia elétrica, água, internet, sinal de televisão... dentre muitas outras fraudes, desvios, falcatruas e golpes que alguns até conseguem achar engraçadinho, ou até ato de esperteza segue sendo errado, mesmo que se imagine que muitos fazem o mesmo!    
                Por que é que alguns precisam levar vantagem em tudo, em todas as ocasiões em que for possível, independente de quem direta ou indiretamente esteja sendo prejudicado, as vezes pagando com a saúde, a tranquilidade e até com a vida?
                Assistir gente cometendo fraudes, crimes, tentando golpes independentemente do tamanho só não é mais lamentável do que ouvir como justificativa e defesa “outro também fez”!
                Bertrand Russel disse que “Muitos homens cometem o erro de substituir o conhecimento pela afirmação de que é verdade aquilo que afirmam”.
                Também é verdade que quem não admite os erros do passado será condenado a repeti-los.
                O errado está errado mesmo quando todos parecem estar fazendo, o certo é certo mesmo que quase ninguém está fazendo!

                Um abraço e até a próxima!

terça-feira, 29 de novembro de 2016

Respondendo aos boatos

                A nossa capacidade de gerar boatos e proliferá-los é quase infinita, assim como as técnicas utilizadas na guerra de informações em que quase tudo o que é polêmico se transforma, a partir da abundância de informações que chegam a nós diariamente. Consumimos boatos como boatos, como dúvidas, suspeitas e as vezes como verdade. Passamos boatos adiante, depois nos arrependemos de alguns quando descobrimos a verdade. Por vezes aumentamos os boatos “apimentando” os detalhes até para deixar mais emocionante, ou para confirmar algumas ideias que estavam em nosso imaginário a respeito. Um boato quando repetido diversas vezes e quando não é tratado adequadamente se transforma em fatos.
                Os profissionais, as empresas, as instituições vivem de credibilidade e a medida em que a credibilidade é abalada, clientes, fornecedores, investidores, e outros deixam de apostar, investir, comprar, frequentar, por diversos motivos, como não correr o risco de perder dinheiro, pelo receio de ser enganado e ainda, para evitar se confundido ou envolvido. Quando estas situações não são bem tratadas, o afastamento de clientes, frequentadores, recursos, compras, vendas... começa a transformar o boato em fato, proliferando, avolumando, diversificando, gerando ou potencializando crises, por vezes rápidas, outras vezes mais significativas.
                Trocar ideias com mais pessoas, preferencialmente com um grupo de formação diversificada como direito, comunicação, estratégias de mercado, administração é altamente salutar e é o que melhor funciona. Analisar cuidadosamente cada ação e cada reação é mais importante do que a velocidade da reação de quem foi atingido. Assistimos vez por outra bem próximo de nós, verdadeiros desastres cometidos na tentativa de “responder” aos boatos. Declarações em redes sociais, informes em rádio e nota de esclarecimento em jornais são algumas das mais lamentáveis medidas, provavelmente tomadas “de cabeça quente”, após ouvir duas ou três pessoas que “...ouviram falar que...”.
                Pensem naquela situação em que um concorrente desleal, ou empregado cuja recisão não foi pacífica, ou desafeto pessoal que lança um boato de que empresa “X” adquire produtos de carga roubada ou falsificados, ou que a empresa está a beira da falência, ou que não tem o cuidado adequado na manipulação de insumos e alimentos, ou ainda, que não estão habilitados legalmente para o que fazem, dentre outros possíveis boatos que surgem na nossa sociedade. Há várias atitudes que podem ser tomadas nestes casos, que vão desde ignorar, passando por reforçar a comunicação de valor de marca, uma campanha que fortaleça a credibilidade da marca, melhoraria do processos internos alvos dos boatos, divulgação de certificações de qualidade, até a busca de reparação judicial por quem lançou e propagou os boatos. Para escolher as melhores opções diante da situação, é preciso serenidade, racionalidade e principalmente deixar de lado a indignação que toma conta nesta hora, que impulsiona atitudes que podem transformar os boatos em fatos.            
                Quando o boato era um comentário a “boca pequena” estava só entre um pequeno número de pessoas, mas a partir do momento em que o atingido publica na imprensa uma tentativa de resposta,  milhares de leitores e ouvintes que tinham uma imagem positiva da organização que se defende, outros que até nem a conheciam bem, passam a imaginar que o problema existe e é grande, para justificar a vinda a público para se defender. Ao dizer “a empresa X não pratica tal situação”, as milhares de pessoas que não ouviram o boato passam a se perguntar “o que houve” e alguns mais curiosos vão pesquisar para saber os motivos do “porque vieram a público se defender”. Logo vai se ouvir  alguém dizer “sempre confiei neles, mas onde há fumaça, há fogo” e assim por diante. É justamente em atitudes como esta que os próprios atingidos pelo boato o transformam em fatos.
                Gerir bem, principalmente as emoções, e se assessorar bem na hora de reagir a um boato é fundamental para não transformar as especulações em fatos difíceis de reverter. Serenidade, frieza e racionalidade nas horas mais difíceis “é o melhor remédio”.

                Um abraço, e até a próxima!  

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

O tempo passa

                Nesta semana completei 46 anos de vida. Passou tão rápido que as vezes parece que há um equívoco nas contas! Fiz e fui a poucas festas, viajei pouco, trabalhei muito, estudei bastante e talvez por esta combinação, o tempo parece ter voado!
                Neste mês completei 30 anos desde que meu nome esteve pela primeira vez no contrato social de uma empresa. Foi cedo e permitiu aprendizado para as outras sociedades e negócios. Também completei 28 anos desde a primeira vez que assumi uma turma como professor. Foi no ensino fundamental, sendo que depois passei para a educação profissional e para o ensino superior, onde no último dia 1º de março completei 20 anos de atividades. Tive diferentes negócios, sendo docente em paralelo e em diferentes instituições e trabalhando para diferentes organizações. Mudei de cidade algumas vezes, viajo bastante a trabalho, conheci muita gente e muitos destes tenho a felicidade de manter contatos, mesmo que esporádicos.
                Sempre que penso neste tempo, lembro da intrigante questão de Liv Ullmann: “Porque o tempo é tão implacável, roubando-nos as oportunidades se não formos suficientemente rápidos para agarrá-las imediatamente?”
                Por mais que sejamos rápidos, sempre fica a sensação de que deixamos de fazer coisas importantes e há tempos a frase de Charles Darvin, quando disse que “o homem que tem coragem de desperdiçar uma hora do seu tempo não descobriu o valor da vida.” contribui para incentivar um momento constante na vida e a tentativa de avaliar o que fazer e o que deixar de fazer. O tempo passa rápido e por vezes temos a impressão de que a vida passa por nós. Os filhos cresceram muito mais rápido do que eu pensava que seria. Os amigos ficaram mais velhos, principalmente aqueles que não vejo a mais tempo (rs, rs) e fazem anos que entendi que o tempo com a família e os amigos é ganho e aquele gasto com os inimigos é perdido!
                Sou daqueles que entende que viemos para a vida para aprender sempre e que é preciso deixar boas contribuições nesta passagem. Para aprender é preciso viver e conviver e para ensinar realmente é preciso deixar melhor a vida dos outros. Penso que importa muito menos quantas horas ou quantos anos, ficamos aqui, ou lá, com este ou com aquele, do que o que deixamos de legado, por onde passamos e na vida de quem conviveu conosco. Aprender a deixar melhores aqueles por quem passamos é algo que só nos engrandece e se pudermos passar adiante formando uma corrente do bem, podemos iluminar nossa vida e as vidas de quem mais influenciamos.
           O tempo deixa muitas marcas em quem passa pela vida e tenho muitas. Uma delas é o fato de entender que o que está ocorrendo é tão relativo que não faz tanta diferença, pois é a forma como percebemos tudo que importa e realmente conta para cada um de nós.
             Muito obrigado a cada um que lendo, ouvindo, convivendo, ensinando, aprendendo, fazendo, curtindo, compartilhando, contribuindo, amando, odiando, dificultando, desafiando, incentivando, discordando, aceitando, rejeitando... tempera esta vida fazendo-a cada dia mais enriquecedora!

                Um abraço, e até a próxima!  

quinta-feira, 24 de novembro de 2016

Sobre o momento de crise

         Vivemos dias de muitas crises, que antes da crise econômica já davam muitos sinais. Há tempos vive-se uma crise de bom senso e de ética nas relações, onde o desejo de levar vantagem tem se propagado até atingir níveis jamais imaginados. Entendo que esta é a crise que tem ocasionado todas as demais.
         Da necessidade de levar vantagem em tudo, que a longo prazo é insustentável, veio a crise política, onde a manutenção de alianças ocorre cada vez mais pelas vantagens individuais e cada vez menos pela intenção de melhorar o coletivo.
Quanto mais gente se deu conta de que a maioria quer levar vantagem em tudo, se instala a crise de confiança, onde o receio de ser enganado, de perder dinheiro ou patrimônio, de arriscar e perder tudo, mesmo que pouco do que foi conquistado com muito esforço, vai sendo elevado a níveis quase insuportáveis. A quebra de contratos, onde o próprio país muda regras que estruturaram determinados setores, que em tese esperam estar em setores e atividades confiáveis, abalou ainda mais a confiança de investidores, aprofundando um sentimento que chegou aos consumidores.
        Chegamos na crise especulativa, que notadamente, é outra crise decorrente do desejo de levar vantagem em tudo, característica muito presente em nossa cultura popular, que de alguma forma, precisamos conseguir superar. Há setores da economia notadamente capitalizados, porém, os clientes não compram esperando a redução dos preços, uma grande oferta, uma queda nos juros, uma redução dos tributos. O varejo de muitos setores praticamente zerou o estoque pensando em comprar por menos e vender por mais, aguardando o cliente pedir. A indústria aguarda um câmbio favorável, incentivos fiscais, redução de encargos sobre a folha. As entidades sindicais de empregados e empregadores, tentando tirar vantagens diversas do momento, barganham situações que ambas podem se arrepender mais tarde. Instituições financeiras seguram o crédito aguardando o aumento dos ganhos com juros em linhas mais vantajosas. Podemos antecipar o fechamento do ciclo com as corretoras de ações especulando a compra de ações baratas agora para ganhar muito numa possível mudança do governo e assim segue-se tentando obter vantagem em tudo.
       Sobre crise também podemos aprender com uma das grandes figuras de nossa história, o físico alemão Albert Einstein, cuja própria vida, é um grande exemplo de superação. Preocupava os pais aos 3 anos ao ter dificuldades em se comunicar e por mais tarde ter reprovado no primeiro vestibular. Na escola, mesmo tendo desempenho com notas acima da média, era considerado mais lento que os colegas de sala na resolução de problemas matemáticos. Foi influenciado por um médico para fazer a leitura de obras complexas, mesmo desde cedo. A superação de dificuldades particulares e as leituras variadas renderam-lhe a condição de ver o mundo muito além de cálculos e física, nos deixando brilhantes pensamentos sobre os momentos de crises, como este: “Não pretendemos que as coisas mudem, se sempre fazemos o mesmo. A crise é a melhor benção que pode ocorrer com pessoas e países, porque a crise traz progressos. A criatividade nasce da angústia, como o dia nasce da noite escura. É na crise que nascem as invenções, os descobrimentos e as grandes estratégias. Quem supera a crise, supera a si mesmo, sem ficar superado.”
      A superação é importante em todos os obstáculos e com ela temos oportunidades de progredir muito. Albert Eintein ainda tem outro pensamento que deve vir a luz neste nosso momento: “Quem atribui à crise seus fracassos e penúrias, violenta seu próprio talento e respeita mais os problemas do que as soluções. A verdadeira crise é a crise da incompetência. O inconveniente das pessoas e dos países é a esperança de encontrar as saídas e as soluções fáceis. Sem crise não há desafios. Sem desafios, a vida é uma rotina, uma lenta agonia. Sem crise não há mérito. É na crise que aflora o melhor de cada um. Falar de crise é promovê-la e calar-se sobre ela é exaltar o conformismo. Em vez disso, trabalhemos duro. Acabemos de uma vez com a única crise ameaçadora, que é a tragédia de não querer lutar para superá-la.” 

        Um abraço, e até a próxima!  
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