segunda-feira, 15 de maio de 2017

Retomada gradual

     Depois de 2 anos seguidos de PIB negativo, o que nunca havia ocorrido na história do Brasil, gerando a pior recessão desde o impacto mundial da crise de 1930, vivemos o início de um ano de retomada. Com a queda da inflação, a redução das taxas de juros, a significativa melhora da taxa de câmbio, com o Real se valorizando frente ao dólar e outras moedas, mais estabilidade política, mais confiança dos consumidores e dos investidores, 2017 iniciou mostrando que podemos ter mais esperanças de que mesmo havendo muito a ser feito, o país vai reencontrando o caminho para a plena evolução do ambiente de negócios.     
     Uma pesquisa com 746 das maiores empresas do país, de vários segmentos, feita pela Deloitte, uma das maiores empresas de auditoria e consultoria do planeta, mostra que o emprego deve ganhar fôlego em 2017 e já é possível ver esta realidade em estatísticas locais. A busca por profissionais qualificados é a tônica das primeiras levas de contratações, onde 40% dos entrevistados também admitem substituir parte do quadro atual por mão de obra mais qualificada. 38% das empresas afirmam que vão aumentar e 53% que vão manter o volume de investimentos em treinamento e qualificação das suas equipes. A pesquisa também mostra que o lançamento de novos produtos e serviços e a substituição de máquinas e equipamentos, após um período de contenções, devem ser o foco dos aportes financeiros que estavam represados, visando para melhorar a gestão operacional.
     As empresas devem priorizar a gestão financeira, mantendo foco na geração de resultados e na melhoria da produtividade, com previsão de aumento de receitas e de investimentos a realizar, considerando como maiores impactos a retomada econômica, a variação cambial e o preço do petróleo.
     A pesquisa publicada na revista Mundo Corporativo, mostra ainda que 56% das empresas entrevistadas afirma que vai crescer mais de 10% em 2017. Os principais setores em retomada, ou seja, que estiveram em baixa ou cresceram pouco em 2015 e 16 e que crescerão mais de 10% em 2017 serão por ordem: infraestrutura, construção civil e bens de consumo. Já os principais setores em ascensão, ou seja, que já cresceram em torno de 10% em 2016 e em 2017 devem crescer mais 10% sobre o ano anterior são por ordem: os serviços financeiros, a tecnologia, saúde e farmacêuticos.
     Os lançamentos de novos produtos e serviços, a substituição de máquinas e equipamentos são as prioridades de investimentos das empresas para 2017. “Com um cenário político mais estável e a esperada aplicação das reformas estruturais, o Brasil voltará a ser um destino atraente para investimentos. Vai entrar muito dinheiro de fora.” Diz, José Cláudio Securato, presidente do IBEF - Instituto Brasileiro dos Executivos de Finanças.
    Pelo que se lê, há grandes volumes de recursos, segundo alguns economistas “um excesso de liquidez” no mundo e as economias emergentes não conseguem absorver. Por este motivo, é possível acreditar que a medida em que as reformas estruturais comecem a ser aprovadas, que a estabilidade política volte e que aumente a segurança jurídica, o Brasil possa atrair uma fatia maior destes recursos.  “Os ativos brasileiros estão com um preço mais realista, do que a três anos atrás. Para os investidores que pensam em médio e longo prazos, somos um mercado muito atrativo. Há boas oportunidades para investimentos nos setores de saúde, educação, tecnologia e infraestrutura.” (Eduardo Martins, sócio da Deloitte no Brasil).
   Edemir Pinto, Presidente da BM&FBovespa prevê um ano de retomada de investimento e abertura de capital de mais de 50 empresas brasileiras. Ainda segundo Securato, do IBEF, as fusões e aquisições também devem ser retomadas com negócios de grande porte em maior volume do que nos últimos anos.
   Temos muito trabalho pela frente para recuperar nosso país, mas quando a expectativa é positiva, o entusiasmo aumenta e a missão fica mais fácil de ser cumprida.

    Um abraço e até a próxima!

quinta-feira, 11 de maio de 2017

Humildade e confiança

     Há tantas receitas de como liderar, gerenciar, desenvolver equipes, algumas mais filosóficas, outras mais teóricas, outras mais práticas, de diferentes tendências, que somente lendo, ouvido e praticando bastante, será possível para cada um de nós criar seus próprios conceitos e práticas. De tudo o que já li, ouvi, pratiquei e percebi, entendo que além dos aspectos mais técnicos, a humildade e a confiança na dose correta, devem estar presentes quando desejamos uma boa relação com os outros, seja numa equipe de trabalho, ou nas relações pessoais.
     A humildade parece tão presente em algumas pessoas, algumas vezes até em excesso, enquanto em outras, parece faltar para poder ver com mais clareza e para ter suas ações mais bem recebidas pelos que o cercam. A falta de humildade cria dificuldades para aprender e se desenvolver, além das dificuldades com os outros. Nas falas, nas atitudes, nas respostas e nos atendimentos, um espaço para ser mais humilde abre tantas oportunidades que se muitos profissionais soubessem, repensariam imediatamente seu modo de agir. Precisamos tratar bem a todos os que estão ao nosso redor e a melhor escolha sempre é ser amável com as pessoas e áspero com os problemas.
     Reconhecer os erros e desculpar os erros dos outros é sobretudo respeitar o próximo. Ser cordial e sorrir faz bem para quem está perto, mas é melhor ainda para quem é capaz destas atitudes. Ajudar alguém todos os dias, fazendo exatamente o que gostaríamos que fizessem por nós em momentos de dificuldade, é uma rotina que faz um bem incalculável e se um dia precisar, será muito bom ter mais gente por perto que pensa e age desta forma. Estas são situações que não dependem das condições financeiras das pessoas, nem do seu nível de instrução, mas dependem dos valores pessoais de cada um.
     Muitas correntes de pensamento e filosofia dizem que um sinal de sabedoria é quando a pessoa se satisfaz em saber dos seus próprios feitos, sem a necessidade de promoção pessoal para os outros e pelos outros. Por isso, aqueles a quem atribui-se sabedoria falam pouco, ouvem muito, falam menos de si, para ouvir os outros e entender melhor o mundo ao seu redor. Uma postura mais humilde, mais simples, transforma para melhor a vida pessoal e profissional.
    A humildade também contribui com a confiança, que é fundamental para criação de vínculos, manutenção e desenvolvimento das relações. Ser e parecer confiável necessita de investimento em atitudes, ações e escolhas que por vezes exigem mais energia, mais atenção e até desapego. Uma análise mais focada na qualidade da confiança entre pessoas, empresas, organizações, estados e países, demonstra que este aspecto por vezes esquecido, está muito mais ligado ao desenvolvimento e a prosperidade, do que se imagina.
     Fechando a reflexão de hoje, trago um texto pouco conhecido, quase uma oração, de autoria de Viegas, La Mote, Carneiro e Lorenzon (1999), que poderia ser lido com frequencia, por aqueles que desejam uma melhor relação com os outros, com mais humildade e mais confiança: “Que eu possa ver com clareza, que eu tenha coragem de crescer, que eu aprenda para servir e que eu cure pelo amor.”
     Em tempos de quaresma, quando somos convidados a lembrar da paixão de Cristo, da necessidade de renovação da vida, dos relacionamentos e dos vínculos, a humildade deste grande líder e a confiança do povo cristãos em Deus, são grandes lições que precisamos reviver de tempos em tempos, quando podemos aproveitar para convidar familiares, amigos e colegas para conversar, refletir e ter presente os valores da vida em comunidades.
     Um abraço e até a próxima!

terça-feira, 9 de maio de 2017

Quem paga pelo seu trabalho?

A pergunta é para ser provocativa e até incomodar um pouco enquanto cada leitor encontra a melhor resposta para o seu caso. Muitas vezes esta pergunta serve para uma boa reflexão nas nossas empresas e instituições.
Sabe-se que muitos se esmeram em atender da melhor maneira os pedidos de seu superior e nem sempre tem o mesmo cuidado com os clientes. Todavia, quem paga a todos numa organização estatal é o cidadão, através dos impostos e em todas as demais organizações, é o cliente. Por estes motivos pode-se clarear o fato de que a maioria das vezes é aquele quem está sendo atendido que paga pelo nosso trabalho e tudo o que há nele.
A reflexão também é boa se pensarmos que numa organização atendemos o cliente, ou a quem atende o cliente, que no caso seria o seu colega. Quem garante a alimentação da nossa família, estudos dos nossos filhos, nossos passeios, nosso lazer, nossos tratamentos de saúde, nossas compras são aqueles a quem atendemos. O mesmo vale para as funções públicas, onde a renda vem dos tributos e taxas pagos muitas vezes diretamente por aqueles que o servidor atende.
O entendimento de que é o cliente que garante nossa sobrevivência e as nossas conquistas parece muito óbvio quando ouvimos ou lemos algo assim. Todavia, ao analisarmos como agem alguns, poucos ainda bem, fica evidente que ignoram completamente o motivo que os faz ou que os impede de gerar mais e melhores negócios. No caso de uma instituição pública que não atende bem, o cidadão passa a ser um refém daquela situação. No entanto, nos demais casos, o cliente tem o poder de reduzir a renda e até o emprego de quem não o trata bem, simplesmente deixando de comprar, ou frequentar o estabelecimento.
Recebi dias atrás uma mensagem com uma frase do ex-presidente dos EUA, Barack Obama, quando diz “Livre-se dos bajuladores. Mantenha perto de você pessoas que te avisem quando você erra.” É uma dica bastante direta e prática para todos, independente da posição de gestor ou colaborador. Ter colegas, lideres ou liderados que aplaudem e elogiam é confortável e muito agradável. Contudo, quando há alguém por perto que não avisa quando temos opiniões e posições equivocadas nem quando há erros de fato, é preciso se perguntar qual o motivo que os mantém na equipe, para o que eles servem.
Algumas empresas têm feito esforços frequentes para lembrar as equipes que são os clientes e usuários que lhes mantém no emprego, que geram renda para eles e receita para a organização. A consciência de que melhores resultados aparecem quando são gerados melhores resultados para quem está sendo atendido precisa ser disseminada nas equipes.
Independente da posição na equipe e a atividade da organização, lembrar a todos que os resultados vêm dos clientes, pode auxiliar em muito o entendimento do que é uma boa organização e efetivamente, obter melhores resultados.

Aproveito o espaço para desejar sucesso e ótimos negócios aos amigos leitores! Um abraço e até a próxima!

terça-feira, 2 de maio de 2017

Você é uma Marca

     A carreira profissional há tempos deixou de ser comparável a uma escada embora ainda há muitos com esta imagem mental. Atualmente as carreiras funcionam de diferentes formas e linearidade foi deixada de lado. A melhor comparação com a carreira de hoje seria um jogo de dominó, ou tabuleiro de xadrez, ou ainda um labirinto, ao invés da escada.
     As carreiras profissionais mais modernas estão cheias de movimentos que vão para o lado, para a frente, em diagonal e eventualmente para trás, pois as vezes faz sentido e é preciso. Uma carreira profissional contemporânea deve ter um portfólio de projetos com aprendizagem de novas habilidades, aquisição de novas competências, desenvolvimento de novas capacidades, crescimento conjunto com colegas de trabalho, e principalmente reinventar-se constantemente, como uma marca de sucesso.
    Boas experiências além de muito divertidas, geram aprendizado valioso, enriquecem o currículo e são bem vistas pelos recrutadores de talentos. Procurar projetos interessantes, desafiadores, provocantes na maior parte da vida, é melhor do que buscar linearmente cargos como gerente, coordenador, supervisor, pois estes muitas vezes são sinônimos de "beco sem saída". Dependendo da hierarquia da organização, se der certo há acomodação naquele posto de liderança e se não der certo, teria que sair da organização, pois dificilmente há clima para voltar a ser colega dos que recém foram subordinados.
     Ver-se como uma marca que se valoriza ao ter investimentos constantes para ganhar relevância, atratividade e maior impacto em suas áreas de atuação é o que tenho indicado a estudantes, colegas e amigos. Uma dica é escrever a missão, visão de futuro e negócio da sua marca profissional. Esta ação pode deixar mais claro algumas respostas para dúvidas que muitos profissionais possuem como ganhar reconhecimento por suas habilidades como um técnico ou  prospectar novas idéias para o mercado? Também é uma oportunidade para a sua própria definição pessoal de sucesso como dinheiro, ou poder, ou fama, ou fazer o que você ama, ou ainda, tudo isso junto? Convivo diariamente há 28 anos com profissionais em formação, e em qualificação de suas carreiras. No meu entendimento, aqueles que conseguem ter mais claro para si as respostas destas questões anteriores conseguem mais facilmente oportunidades de trabalho ou projetos que se encaixam no que desejam para suas vidas.
Cada um de nós tem uma marca pessoal iniciada ao nascer, como “Fulaninho/a, filho do Beltrano”, que vai sendo construída a partir das causas que abraçamos, do que fizemos ou deixamos de fazer. Ser um colega admirável pela parceria, solidariedade e profissionalismo deve estar em primeiro lugar nesta busca, seguida de ser um especialista excepcional em algo que tem valor real para a organização e para as pessoas. Em terceiro lugar, é importante ser um visionário positivo, perspicaz, um mentor de outros colegas e em quarto lugar é preciso ser muito persistente por resultados efetivos, que possam facilmente ser comprovados e percebidos.
Você, eu, nossos colegas, temos e somos marcas, das quais estamos na gestão. Uma marca profissional bem construída tem alta empregabilidade e alto potencial para empreender com sucesso. Quem tem uma boa marca profissional pode desejar mais da sua carreira, da sua renda, com menos tensão sobre as oscilações do mercado de trabalho. Uma marca pessoal forte é a garantia de mais tranquilidade, mais satisfação pessoal, mais reconhecimento de colegas e amigos, mais prestígio e mais convites para atividades diversas, aumentando as oportunidades e possibilidades.
Sabemos que não há um caminho único para o sucesso e não há um caminho certo para qualificar a marca chamada você, mas é fundamental entender que construímos nossa marca pessoal e profissional com escolhas, atitudes, fazendo e deixando de fazer um conjunto de coisas ao nosso redor. Quem ainda não havia pensado nisso pode começar hoje, pois sempre é tempo!
Um abraço e até a próxima!

   

sexta-feira, 28 de abril de 2017

Indispensável

     Além do agronegócio que amenizou os impactos da crise econômica brasileira em várias regiões, outros setores começam a dar sinais positivos de que o país está iniciando um novo ciclo de crescimento. Estamos levando mais tempo do que gostaríamos mas certamente mais importante do que lamentar o que perdemos e o que deixamos de ganhar, são as lições que deveriam ser aprendidas.
     Quem aproveitou os dois anos de recessão para fazer o indispensável, como se reorganizar, o popular colocar a “casa em ordem” desenvolvendo programas de gestão pela qualidade, implantando rotinas, otimizando a produção, revisando custos e contratos, fazendo planejamento estratégico, qualificando o pessoal, dentre outros, está vendo agora com muito mais clareza o que fazer, como e para onde ir.
     Os ajustes de pessoal, de fornecedores e até de clientes foram inevitáveis e em vários casos, indesejáveis, o que em alguns setores ainda segue ocorrendo. Nestes momentos, ser indispensável é o que garante a posição, tanto para empregados, quanto para fornecedores e até clientes.
     Entregar bons resultados parece ser a receita para ser indispensável, mas na verdade, não é tudo! Os resultados precisam ser de qualidade e sustentáveis a longo prazo. Com frequência quem foca em resultados de curto prazo sem compromisso com as consequências ou efeitos colaterais no futuro, aumenta o risco de passivos para a organização.
     Ser pró-ativo, ou seja, agir sem que seja necessário ser mandado é outro requisito importante para ser indispensável. Para isso, é preciso ter uma visão aguçada do que precisa ser feito e estar disposto a sair da zona de conforto assumindo e aceitando tarefas mesmo que não são do seu total domínio ou que não esteja na descrição das suas atividades.
   Independente do cargo ou da função que exercem, profissionais e fornecedores indispensáveis são capazes de ligar os pontos, solucionar problemas e trazer novas propostas. Geralmente são pessoas criativas, que estão um passo à frente da maior parte da população.
O trabalho coletivo é cada vez mais valorizado pelas melhores organizações, que consideram indispensáveis aqueles que sabem dar feedback, transmitir conhecimentos e valorizar todos com quem trabalha. Quem não está em cargos de liderança, pode agir desta maneira explorando a capacidade de gerar vínculos que contribuem para um ambiente corporativo amigável. Essa capacidade de gerar vínculos é fundamental para os bons profissionais influenciarem os outros, sem manipulá-los.
      Aquela metáfora antiga, de “ter brilho no olhar” ainda vale para quem quer ser indispensável. Tem gente que não brilha por quase nada, mas tem gente que brilha quando recebe um desafio novo, quando tem algo a aprender e são estes que os líderes gostam de ter por perto. Outro dia quando falei isso numa palestra, uma pessoa perguntou: “O que está por trás de olhos brilhantes diante de novos desafios profissionais?” - Paixão pelo que faz, respondi, pois sempre faremos muito bem aquilo que amamos fazer.
Para quem foi dispensado ou está temerário disso, é importante lembrar que caminhamos cada vez mais forte para um mundo com mais trabalho, mas com menos emprego. A tendência já vem se consolidando há décadas e a cada ano que passa há um número menor de grandes empregadores e em contrapartida um número cada vez maior de pessoas auto-empregadas e equipes pouco numerosas fazendo negócios gigantes e impressionantes.
     Finalizando, sustentar-se como empregado, fornecedor, ou outra posição começa por realmente gostar do que faz, traduzido em tomar iniciativa, dispensar o conforto e assumir riscos, influenciar positivamente as pessoas e contribuir para um ambiente motivador no trabalho.
       Um abraço e até a próxima!

quarta-feira, 26 de abril de 2017

A era do compartilhamento

          Vivemos dias ricos em mudanças que vão desde as coisas que nos rodeiam até o modo de pensar e ver as relações com as pessoas e com o ambiente. Ao longo da história podemos ver claramente a evolução da sociedade agrícola com o poder oriundo da posse de terras e produção primária, para a sociedade industrial com mais acesso a produtos transformados e domínio do capital, seguida pela sociedade da informação com domínio do conhecimento, onde estamos hoje.
        Os estudos e até as especulações sobre como será a próxima era marcante da sociedade gera diferentes perspectivas e uma delas é a constatação de que entramos na era do compartilhamento. Se ela vai se consolidar como uma das grandes eras da sociedade só o tempo dirá, mas é fato que há um volume crescente de iniciativas geradoras de trabalho e renda com colaboração e compartilhamento, atingindo cifras astronômicas. O compartilhamento de caronas de carro, que ficou mais conhecido e ganhou muito mais adeptos, depois das polêmicas geradas com as organizações de taxistas é um dos movimentos mais fortes desta era, mas não foi o primeiro e de longe será o último negócio que envolve compartilhamento de bens, com grande envolvimento de parceiros e usuários em todo o mundo. O compartilhamento de vagas de garagem/estacionamento, de roupas de festa, de quartos, de livros, máquinas, carros, aeronaves, são os mais frequentes de uma lista enorme de serviços que está se espalhando pelo planeta.
            Esse cenário criou uma nova realidade que amplia em muito o conceito de que ser, é mais importante do que ter. É certo que uma motivação importante é o fato de que os proprietários possam ter uma importante fonte de receita com a ociosidade dos seus bens, mas a economia do compartilhamento gera uma cadeia de oportunidades e transforma o relacionamento e o conceito de clientes e fornecedores, redesenhando os modelos corporativos.
           A era do compartilhamento estimula o acesso, em detrimento da posse, permitindo que o usuário tenha segurança, praticidade, conforto, confiança, sem custos fixos e o proprietário tenha mais renda com a melhor utilização do que possui. As empresas neste caso, são responsáveis por apenas criar e manter plataformas virtuais que conectam todos os envolvidos no processo, como os usuários e os parceiros que se dispõe a compartilhar seus recursos.
            A era do compartilhamento poderá reduzir sensivelmente a exploração de recursos naturais e o consequente impacto ambiental, pela redução da necessidade de produção de bens duráveis, considerando que o tempo ocioso de imóveis, veículos e máquinas será utilizado por quem talvez fosse comprar bens como estes. Os detentores dos recursos poderão investir em imóveis, veículos e máquinas mais novos, mais econômicos, com mais qualidade, com a renda que tiverem, assim como os usuários que não necessitarão investir para acessar determinados bens, terão uma melhor qualidade de vida, com acesso a mais coisas e recursos para investir em outras necessidades.
           O compartilhamento e o foco na comunidade, onde mais pessoas possam ser atendidas em suas necessidades, com menor impacto ambiental, promove o acesso e o “ser”, propondo uma alternativa ao “ter”, permitindo mais experiências, satisfação de necessidades, através de uma economia colaborativa, onde muitos saem ganhando.

            Ainda veremos muito compartilhamento e alguns deles podem ter a minha e a sua participação. Um abraço e até a próxima!

segunda-feira, 24 de abril de 2017

Um novo Brasil

       Precisamos acreditar que um novo Brasil é possível, pois a crença é fundamental para termos mais força para que cada um mude a realidade ao seu redor e com a soma dos esforços individuais.
       Acredito que não haja dúvidas de que o comportamento médio do brasileiro precisa mudar para haver um novo Brasil. Aqueles pais que se vangloriam pelas colas que faziam na escola, que fazem manobras arriscadas e ilícitas no trânsito, dentre outros, precisam entender que os filhos veem os pais como exemplos de vida. As ocasiões que a vida reserva, vão revelar em ações, o que cada um aprendeu ao longo da vida e as colas, as transgressões, os jeitinhos, que foram naturalmente se incorporando a jeito de levar a vida, tendem a se transformar em propinas, desvios, golpes pequenos ou grandes, dependendo do tamanho dos recursos que estiverem a sua frente.
Algumas gerações mais velhas, com as quais ainda convivemos e pode-se compartilhar ricas experiências, tiveram bem mais dificuldades no acesso aos estudos do que as gerações mais novas. O estudo era um privilégio para muito poucos e mesmo quem queria, muitas vezes não tinha como estudar. Hoje vivemos tempos em que não se precisa mais de tanto esforço ou distâncias para estudar, considerando a quantidade, proximidade e variedade de cursos, além da sobra vagas e até mesmo bolsas de estudos e financiamentos facilitados. Outra diferença importante, é que os mais antigos viveram tempos em que quem não demonstrava esforço suficiente para bom desempenho nos estudos precisava dar satisfações para escola e para os pais, sendo muitas vezes repreendidos e até castigados. Hoje, são os professores que muitas vezes precisam dar satisfações as famílias quando os filhos são desleixados, não tem frequência suficiente, são indisciplinados, desistem, reprovam ou faltam com respeito. A gratidão pela insistência em tentar ensinar alguém que muitas vezes está sem vontade para aprender, é certamente uma das maiores raridades da atualidade. 
O tempo vai passando, as práticas ganhando escala e já vivemos tempos em que muitas vezes são membros das equipes que fazem queixas dos seus líderes, quando estes se sentem cobrados por melhores resultados, por mais empenho, mais entusiasmo. Os que reclamam aos colegas e protestam aos superiores quando o líder quer que façam o que foram contratados para fazer tem grande chance de ser parte daqueles estudantes que tentam responsabilizar professores e instituições quando não tem frequência e desempenho satisfatório.
Precisamos de um novo Brasil, começando no seio das famílias com valores morais e éticos passados em boas conversas e bons exemplos, de pais para filhos, que cheguem na escola e vão para faculdade com capacidade para terem vergonha de querem aprovação sem frequência, falta de estudo e empenho insuficiente. Um novo Brasil com profissionais, líderes e gestores bem formados técnica e moralmente que tenham consciência do certo e do errado não aceitando vender ou comprar algo em troca de favores e benefícios pessoais, daria poucos espaços para os que insistirem em levar vantagens pessoais em tudo. Precisamos de um novo Brasil onde filhos sejam educados em casa e que possam seguir para as escolas e faculdades sabendo que o certo é o certo, mesmo que ninguém esteja vendo e mesmo que possa parecer que só eles estejam fazendo, assim como o errado é errado, mesmo quando pode parecer que todos estejam fazendo.
Podemos ter um novo Brasil, mudando o jeito de pensar de cada um, sendo disciplinados e educando filhos para uma vida em que se tenha claro que não há vantagem se não for ético, legal ou outros ficarem no prejuízo. Precisamos de um novo Brasil que inicie dentro de nossas famílias, passe pelas nossas organizações e alcance todas as esferas de poder.        

         Um abraço e até a próxima!
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