sábado, 12 de maio de 2018

Escassez X oportunidade


A relação entre a escassez e oportunidade gera resultados tão diferentes para os meios e os seres que convivem em cada espaço que entender como se prospera nestes espaços é fascinante para mim.
Focando no desenvolvimento humano, social e econômico, a escassez aniquila iniciativas de alguns, enquanto parece estimular outros a realizações incríveis. Ao visitar mais uma vez a capital e região do entorno da província de Mendoza, como Luján de Cuyo, Maipú, Godoy Cruz, Las Heras, Agrelo, Tupungato, Tunuyán, todas ao pé da Cordilheira dos Andes reforço o entendimento de que a escassez estimula o que aos olhos de alguns, poderia parecer impossível. A região seria desértica, não fosse a iniciativa de quem vive lá, mesmo antes da colonização. Os ventos empurram as nuvens carregadas vindas do pacífico para tão alto em função das montanhas de mais de 4mil metros acima do nível do mar, que ao cair a chuva congela caindo em forma de neve sobre as montanhas, ultrapassando-as raramente. Considerando a distância do Atlântico, deste lado também são raras as possibilidades de chuvas, que ficam na média de 100mm por ano. Com toda a escassez de água, a região produz 80% do vinho de toda a Argentina, que ocupa o 5º lugar no ranking mundial de produtores, crescendo 8% ao ano.
A produção de azeitonas para conservas, azeite de oliva e derivados, bem como pêssegos, marmelo, figo, damasco, pera, maça, melão, ameixas, nozes, amêndoas, in natura ou secas de excelente qualidade, representam outra marca importante da região. Esta produção vem de solos muito pobres em matéria orgânica, mas rico em minerais. O clima muito seco evita insetos, fungos e necessidade de defensivos, oportunizando produção sustentável, orgânica, tendo vários casos de produção biodinâmica.
Utilizando a geografia a seu favor, os incas, que habitavam a região já tinham a prática de represar a água que desce das montanhas, criando lagoas que dão vazão a canais que alcançam mais de 200 km. A água desce das montanhas com força para alcançar a todos os locais sem qualquer necessidade de bombeamento, atendendo aos imensos pomares e vinhedos com irrigação por gotejamento. Parte da água que desce montanhas abaixo após as represas empurram turbinas que geram energia elétrica para a região de mais de 1 milhão de habitantes.
Numa região desértica, com histórico de terremotos, a cidade de Mendoza é uma das mais arborizadas do planeta. Muitas praças e especialmente as ruas, contam com árvores centenárias, todas irrigadas diariamente pelas acéquias, canais que passam em todas as estradas e ruas das cidades próximo ao meio fio. Fato admirável é que não se encontra lixo nas acéquias, apenas folhas que caem dos grandes plátanos e álamos durante o outono.
Outro fenômeno interessante que ocorre na região é redução populacional da capital, em contrapartida ao crescimento das pequenas cidades ao redor. Com o acesso a água, energia, estradas asfaltadas e em excelentes condições, os produtores vão abrindo novos campos de trabalho no terreno árido, gerando riquezas para quem mora no entorno. A cada ano surgem novos empreendimentos enogastronômicos, empregando mais pessoas que além de renda, encontram um lugar tranquilo para manter as famílias, com vistas incríveis das montanhas cobertas de neve e campos repletos de vinhas.
 Como outros locais no planeta, a região desértica próxima a cordilheira é um excelente exemplo de como a escassez pode gerar excelentes oportunidades, com a iniciativa de quem vive em cada local. Ao conhecer estes locais, precisamos rever o comportamento reativo sobre nossas cidades ao reclamar do clima, do solo, das chuvas, e de tantas outro fatores externos, esquecendo de avaliar o quando é possível fazer por aqui mesmo.
Um abraço e até a próxima!

sábado, 5 de maio de 2018

A vida é feita de momentos


Após a leitura de algumas mensagens enviadas por amigos, lidas um certo tempo após terem sido enviadas, fiquei pensando nos momentos que a vida proporciona. Li uma atrás da outra, no tempo que o fim de semana proporcionou, e o conjunto me fez pensar o quanto a vida é feita de momentos. Se considerar o tempo de uma vida, em relação ao universo, temos um momento curtíssimo, que precisa de mais intensidade.
Os momentos tomam uma dimensão muito maior quando nos demos conta de que 1 segundo pode mudar uma vida da cabeça aos pés. Vida e morte, sucesso ou fracasso, o 1º do 2º ou 3º lugar podem ser decididos em 1 ou poucos segundos.
Com 7 bilhões de pessoas no mundo, enquanto alguns despertam, outros vão dormir, enquanto alguns estão envolvidos em criar soluções inovadoras para as dores que afligem muita gente, muitos outros simplesmente passam de um dia para o outro na sua rotina. Enquanto alguns beijam o seu amor pela primeira vez, outros o fazem pela última vez, assim como enquanto alguns estão chorando ao lado de uma cama de hospital, outros estão no bloco ao lado chorando de felicidade e comemorando. Enquanto alguns estão a fim de partir para muito longe, outros estão, enfim, voltando para casa e assim a vida vai mostrando que é feita de momentos.
Uma vida plena precisa de olhares em várias direções, iniciando pela frente, o que parece óbvio, mas nem tanto quando percebe-se tanta gente que não sabe para onde está indo. É preciso também olhar para trás lembrando de onde veio, o que foi aprendido neste caminho, respeitando a história e quem esteve ao lado até aqui e principalmente, para evitar os erros reconhecíveis no passado. Olhar para baixo é necessário para se certificar de que não está se pisando em outras pessoas ou causando ruína ao longo do caminho. Ainda, é preciso olhar sempre para os lados, procurando ver quem está lá para apoiar, com quem podemos contar e para ver quem precisa de apoio. Finalizando, é preciso olhar para cima, lembrando que Deus está no controle, cuidando de tudo e de todos. Por último, é fundamental olhar para dentro, para lembrar o quanto é preciso melhorar, aprender e desenvolver-se no caminho.
Não adianta muito ter mestrado ou doutorado e não cumprimentar o porteiro, assim como não adianta conhecer vários países e não visitar os familiares mais próximos. Tenha um momento para analisar-se de dentro para fora. Não dá para confundir falta de oportunidade com falta de vontade, quando não se tem o que se quer. A maior parte do sucesso é baseado na persistência e é justamente ela que mais falta, naqueles que dizem que não lhe é proporcionado o que deseja.
Com um momento para si, é preciso avaliar e reavaliar as reações diante do ambiente externo, pois não dá para permitir que o comportamento do outro tire a paz. Um momento para conhecer-se também evita irritar-se com o que os outros fazem e dizem. Um bom indicador do caráter de alguém é a forma como a pessoa trata quem não pode lhe trazer benefício algum. “Trabalhe duro e em silêncio e deixe que o seu sucesso faça barulho”, dizia Dale Carnegie.
Um pensamento atribuído a Buda, diz que uma cabeça cheia de medos tem pouco espaço para os sonhos. O que você pensa, você atrai. O que você sente você atrai. O que você acredita, torna-se realidade. Assim, os pensamentos determinam ações, que determinam resultados.
Antes de sermos bons profissionais precisamos ser bons seres humanos. Roosevelt, dizia que o ingrediente mais importante na fórmula do sucesso é saber se relacionar com as pessoas. Há quem diga que os relacionamentos são o maior patrimônio que alguém pode construir. Uma reputação vale mais do que salário, ou renda, assim como integridade vale mais do que uma carreira ou curriculum. Momentos que auxiliem a avaliar os atalhos e os bons resultados que pareçam fáceis demais, são fundamentais no olhar para dentro de si.
Os momentos vividos intensamente são aqueles que mais nos trarão satisfação, sobrepondo-se a tudo o que as horas de trabalho conseguir ou não comprar.
Um abraço e até a próxima!

sexta-feira, 27 de abril de 2018

Extremismos


Ao entender um pouco a história da humanidade, o desenvolvimento dos povos, a construção e a destruição das civilizações, é possível se aprender muito sobre o momento, e  especialmente, se preparar para o futuro. Já que não é possível mudar o passado, precisamos aprender ao máximo com as lições que ficam. Com alguma presença nas redes sociais, é possível ler e ouvir cada dia mais manifestações extremadas a cerca do que é melhor para nossa sociedade e das soluções para nosso País.
Radicalismos e extremismos religiosos, ideológicos, econômicos, políticos, nacionalistas, de gênero ou qualquer que seja ele, no meu entender tem um papel fundamental e importantíssimo em todos os campos de estudo, principalmente para estender as fronteiras dos pensamentos, do status quo, dos paradigmas e em especial ampliar a visão das sociedades e das civilizações. Todavia, como a lei natural, conhecida no meio acadêmico como a terceira Lei de Newton, “para toda ação há uma reação oposta e de igual intensidade”. Em outras palavras, cada ação extrema que ganha força e abre fronteiras para um lado, estimula outra ação com igual força no extremo oposto. Infelizmente, muita gente não se dá conta desta lei natural que afeta diretamente nossa vida.
Quando o extremismo chega ao centro do poder, seja pela radicalização momentânea da sociedade, seja pelo uso da força, ou pela via da coalização com as tendências de centro para ganhar votos, será uma questão de tempo para que suas ações façam o extremo oposto ganhar força de igual intensidade na busca do centro do poder, para fazer valer os seus valores.
Os extremismos vividos e presentes nos países que estão na pauta do noticiário provocam ações e reações de igual intensidade, assim como vemos surgir movimentos na sociedade brasileira que se recente de extremismos ideológicos que em parte, causaram o caos econômico e o desequilíbrio político. Dispensa comentar que nosso país necessita de um novo ordenamento político e social, todavia, tendo claro os efeitos nefastos do extremismo no centro do poder, não pode-se admitir que a solução será colocar o extremo oposto no poder. Nas próximas eleições é preciso prestar muito mais atenção em cada um dos nossos votos, e discutir, buscando esclarecimentos mútuos, dando uma contribuição real para mudança de rumos políticos, sociais e econômicos. É tão ou mais importante discutir em quem vamos votar para Presidente e Governador, quanto discutir em quem vamos votar para o senado, câmara ou assembleia.
Os próximos executivos precisarão fazer muito para tentar aumentar a credibilidade em nosso país, na economia, na política, nas instituições e suas propostas só poderão ser efetivadas, se aprovadas pelos parlamentares. A prática de distribuição de benesses legais ou ilegais, certamente muitas imorais, para aprovação de propostas nos legislativos precisa ser relegada a um passado do qual só temos que nos envergonhar. Os parlamentares que definem seus votos baseados no que vão receber para si ou até mesmo para suas comunidades, precisam ficar apenas para a história, naquele ponto em que vai ser ensinado o que nunca mais pode ser repetido.
Para a reflexão dos amigos leitores, deixo algumas questões que seriam ótimas para um bom debate:
- Este ano é hora de dar voto de protesto, ou voto de compromisso consciente com o País e o Estado?
- Um grupo radical/extremista seja do modelo anterior, ou do extremo oposto teria apoio necessário dos parlamentares para aprovação de medidas e soluções que o País precisa?
- Você está discutindo com as pessoas próximas tanto as preferências de votos para deputado estadual, federal e senador, quanto para Presidente e Governador?
       É certo que não cabe aqui manifestar minhas preferências e voto, mas é minha intenção questionar quem defende os extremistas no centro do poder, sejam eles quais forem, como solução para nosso país que tenta se reerguer a duras penas para seu povo tão sofrido.
Um abraço e até a próxima!

sábado, 21 de abril de 2018

As feiras e o desenvolvimento local


Os leitores mais assíduos sabem que sou um entusiasta de ações mais efetivas de desenvolvimento local através do fortalecimento da iniciativa privada e cooperada. Assim, volto as variáveis que influenciam, esclarecem, contribuem ou dificultam a economia local, procurando refletir um pouco sobre as exposições e feiras comunitárias promovidas por nossos municípios.
Décadas atrás apenas os municípios polos de cada microrregião organizavam feiras, que hoje se tornaram estaduais e nacionais, incentivando que outras comunidades se estruturassem para exposições e feiras associadas a eventos locais como rodeios, motocross, jeep/gaiola cross, arrancadão, ciclismo, maratona, traking, festivais de música, dentre outros movimentos que mobilizam o município para atrair visitantes, quanto maior o conjunto de atividades. Organizar um conjunto de eventos no mesmo espaço e calendário é muito desafiador e necessita grande desprendimento das lideranças e de um grupo disposto a deixar parte de suas atividades particulares e profissionais, para dedicarem-se ao que é para todos. Muitas horas de trabalho, grandes dificuldades para agradar a maioria, dificuldades de conseguir patrocínios, participantes, controlar orçamento, atrair público e ainda torcer para um clima favorável, desafiam os organizadores. Aqui vai a primeira reflexão: o quanto cada um de nós e o conjunto da comunidade consegue ser grato e mostrar seu agradecimento às pessoas que dão seu precioso tempo e energia para criar um evento à altura das expectativas e desejos da comunidade?
Visito várias feiras e exposições, tanto a título de entretenimento e companhia da família, quanto para prestigiar ao trabalho abnegado de quem se dispôs a organizar tudo aquilo, sem os quais faltariam atrativos na região. Considerando o que estudo e trabalho, os negócios em exposição e feira sempre atraem minha atenção e não consigo passar só na condição de visitante. Observo atentamente as formas de exposição e venda de bens e serviços, quais são e de onde vêm as empresas participantes. Neste ponto peço uma reflexão aos organizadores de eventos, e especialmente aos que decidem a vida de suas empresas: tenho visitado eventos em que a grande maioria dos expositores e dos fornecedores vem de outros municípios e regiões. É exatamente neste objetivo que ao meu ver, deveriam ser centradas as exposições e feiras comunitárias. É preciso refletir sobre o quanto o evento contribui com a economia local, quando o grande volume de vendas é realizado por empresas de outras regiões.
Sabendo que todos os negócios concorrem pelas economias das pessoas, neste caso, pelo bolso dos moradores, quando a comunidade se mobiliza para um evento que faz as pessoas saírem de casa e gastarem suas economias, o objetivo deveria ser o estímulo a circulação de dinheiro nos negócios e entidades do município, mantendo empregos, gerando renda para os trabalhadores e empregadores, além de tributos para melhorar a infraestrutura e os serviços de limpeza, educação e saúde locais. Ao circular em várias exposições e feiras é possível verificar empresas que se especializaram em vender nestes locais, o que é um bom negócio para aqueles profissionais e aquelas empresas. Todavia, para os negócios instalados no município e para o conjunto da economia local, quando o evento tem na maior parte dos expositores, empresas de outras regiões e que vendem bem, levando boa parte dos poucos recursos da população disponíveis para o consumo, é preciso fazer uma grande reflexão com todos os atores deste processo.
O primeiro passo é entender os motivos pelos quais as empresas locais não foram, ou não vão expor; e quando vão, se não vendem bem, quais os motivos? O que é preciso fazer nas empresas locais e nos eventos? Se não é possível e enquanto não é possível fazer melhor, é preciso pensar o quanto o evento contribui com a economia local. Porque a administração municipal deveria colocar dinheiro e serviços num evento que promove a evasão de recursos da economia local? Porque as entidades locais deveriam promover e tantas pessoas trabalhar voluntariamente numa atividade que tem por efeito colateral a perda de recursos da população para compras em empresas de outras regiões?   
Um abraço e até a próxima!

sexta-feira, 13 de abril de 2018

O que há de pior entre nós?


Nos últimos tempos corrupção é assunto mais frequente nas rodas de conversa do que futebol, ou novela, não é mesmo? Eu sei os nomes e parte do curriculum de todos os ministros do STF, mas não sei a escalação do meu time, campeão gaúcho de futebol! Os amigos perceberam o quanto mudou parte dos assuntos dos brasileiros?
É preciso mudar muito mais! Muitas vezes me vejo em conversas como de onde veio e para onde vai nos levar este jeito de ser de tanta gente, que por vezes vira marca de nossa pátria. O que há de pior entre nós? Talvez os ensinamentos que vem de muitas casas, ou se aprendem na rua de que é preciso levar vantagem em tudo, com o passar dos anos tenha produzido um contingente maior destes, do que os demais podem suportar.
O hábito de querer levar vantagem em tudo pode começar em pequenas fraudes nas brincadeiras de criança, nos “roubos” em jogos de carta inocentes, passando para fraudes mais graves como cola nas avaliações da escola, e pagar um lanche para um colega colocar seu nome num trabalho que não teve muita ou nenhuma participação. Com a frequência, estes hábitos podem deixar parecer natural atos como adquirir aparelho que capta sinal pirata de TV por assinatura, adquirir filmes, aplicativos, softwares, piratas, adquirir produtos de origem duvidosa, ou sabidamente fruto de furto, ou contrabando, oferecer propina para o agente de fiscalização, ou transferir pontos da habilitação para outra pessoa ao cometer uma infração de trânsito, só para ficar em alguns exemplos. Nesta sequencia de hábitos, vai parecendo natural deixar de pagar contas, ignorar leis de trânsito, sonegar tributos, negar direitos de pessoas da família, dos trabalhadores, de vizinhos e de clientes. Entendo que estes hábitos, que até em algumas rodas encontra-se quem os incentive, está na lista daquilo que há de pior entre nós.
Os corruptos que estão sendo denunciados, respondendo por parte dos seus crimes, uma parte sendo estranhamente absolvida, uma pequena parte sendo presa por crimes contra a nação e a economia, os canalhas, os patifes que levam dinheiro público que deveria ser investido em atendimento a saúde, em educação e profissionalização do nosso povo, os crápulas que levam parte da integridade da política, não começaram do dia para a noite. A quem duvidar, peço que leia suas biografias, histórias contadas por quem os conheceu quando não eram influentes e famosos. Verão que delitos menores, hábito de levar vantagem em tudo está presente em muitos relatos e momentos da vida.
Uma cola na prova, um pequeno furto de frutas, um golpezinho aqui e outro ali, sem punição formam um caráter! Ter desejo, passar necessidades e dificuldades diversas sem pegar o que não é seu por direito, sem fazer o que sabe que é errado, mesmo quando ninguém está vendo, forma um caráter diferente! Estes últimos, são hábitos que caracterizam aqueles que já não suportam mais aqueles que sempre querem levar vantagem, sem querer saber quem terá que perder, se sacrificar, trabalhar ou sofrer, para eles terem o que querem, mesmo que não lhes seja de direito.
O problema que vejo nestes pontos e no conjunto imenso de outras questões relacionadas e que estão vindo à sua mente agora, é que parte disso tudo está se misturando as ideologias, aos partidos políticos e vemos os radicalismos se fortalecendo. Os radicalismos em alguns momentos são necessários para termos mais claro as fronteiras dos pensamentos sobre determinados temas, mas quando os moderados não surgem, não se avança e não se constrói. Num país arrasado pela corrupção, que teve as bases frágeis da economia abaladas pelas crises políticas, os moderados teriam um papel importante lembrando que reconstrução nas proporções que necessitamos, só é possível com muita coalisão, cooperação, compreensão e desenvolvimento coletivo. Não se combate radicalismo com radicalismo da outra extremidade, pois a reação é mais antagonismo e aí, é o fim!
Que possamos juntos e de todas as formas, reduzir e muito, o que há de pior está entre nós!
Um abraço e até a próxima!

sexta-feira, 6 de abril de 2018

Uma provocação aos pessimistas


Numa entrevista de tempos atrás o conhecido Professor e Filósofo Dr. Mário Sérgio Cortela teria sido chamado de otimista, quando na ocasião respondeu, não, sem antes fazer toda uma contextualização. Vez por outra o vídeo deste trecho provocativo da entrevista, passa pelas redes sociais. Nesta edição optei por compartilhar alguns trechos, comentando um pouco, pois acompanhar as notícias, em especial da economia, política e justiça, por vezes nos deixa em dificuldades em ser otimista com o Brasil, e com o mundo.
No trecho que circula, depois de ser perguntado se estava otimista, Cortela faz uma espécie de desabafo e diz categoricamente que “o pessimista antes de tudo é vagabundo”, justificando que o fato de ser otimista gera um trabalho danado e desgaste, pois é preciso ir atrás de fatos, estudar o contexto, trocar ideias, reunir-se com outros que estudam o assunto para criar e promover algo e discutir com os pessimistas. Enquanto isso, segundo ele, para ser pessimista pode-se limitar-se a dizer que não vai dar certo. O professor lembra que a frase preferida do pessimista é “Que horror, alguém tem que fazer alguma coisa.” e critica os pessimistas quando sentam e ficam esperando algo dar errado nas propostas e ações de quem tem esperança e assume responsabilidades para si. Ele lembra ainda que quando alguém responde ou mostra ao pessimista que não está dando errado, ouve-se aquela tréplica habitual “espera para ver no que vai dar”.
Ser pessimista é confortável, pois tudo o que ocorre com ele, com as pessoas próximas, com a cidade e com o país, pode ser atribuído as forças que estão fora ou longe. Vejam que tem gente que fala de Brasília e não vê as atitudes que pode mudar em si mesmo, na sua casa, na empresa, na comunidade. Cola e comete fraudes na escola, deixa de pagar contas, ignora leis de trânsito, sonega tributos, nega direitos de pessoas próximas, tenta levar pequenas vantagens a qualquer custo e critica as lideranças de entidades e os políticos. Contribui pouco com a comunidade e quando o faz é para ter plateia para ouvir as críticas e as opiniões sobre o que não vai dar certo, e ainda faz comentários como “...as pessoas não participam...” e “Hoje em dia os jovens...”.
Cortela lembra que quando cobrado por não participar e tentar mudar o que não concorda, o pessimista costuma dizer “Eu não vou lá, porque é uma brigaiada só!”, ou “É só perda de tempo, porque não decidem nada”. Todavia, quando uma decisão é tomada e ele não gosta ou acontece algo que ele não deseja, saem comentários como “Viram? Isso aqui não funciona, é um absurdo!”
Diretamente sobre a pergunta em relação a suposto otimismo quanto ao futuro do Brasil, o Filósofo responde “eles não vão me vencer” e acrescenta que “os corruptos, os canalhas, os patifes que levam dinheiro público, que levam parte de integridade da política, não vão vencer duas vezes”. E segue “Já derrotaram nossa capacidade financeira, derrotaram nossa capacidade de ter mais recursos para aquilo que é necessário, derrotaram o emprego de muita gente... não vão me derrotar tirando e matando minha esperança. Os democracídas não vão vencer!”
Já vi a entrevista mais vezes e quase todos os trechos mexeram comigo. Sugiro aos amigos leitores que assistam a entrevista na internet, e aos que não conseguirem, que parem para pensar um pouco nesta situação, que trata sobretudo de esperança. Por vezes parece haver um movimento para não acreditarmos mais em nada. Sei que estamos na era da pós-verdade, mas... e a esperança?
Como está a sua esperança? No seu futuro, nas pessoas de sua família, nas lideranças, na sua comunidade, no seu município, no Estado, no Brasil, no mundo?
Acabamos de celebrar a Páscoa, que é sobretudo, a renovação das esperanças. É um excelente momento para pensarmos na esperança, na vida que queremos e também no que fazemos por nossos mais queridos. O que queremos do Estado, do País e do mundo depende daquilo que estivermos dispostos e do que conseguimos fazer, não exatamente da opinião, do otimismo ou do pessimismo de quem estiver envolvido.
Sem esperança, o que nos resta?
Um abraço e até a próxima!

sábado, 31 de março de 2018

É preciso conhecer seu município


Gosto de ouvir os relatos e ver imagens captadas por amigos e colegas que viajam pelo país e pelo mundo, especialmente quando apontam detalhes da realidade de cada local. Provavelmente por viajar menos e a trabalho, gosto de falar sobre dados estatísticos dos locais onde tenho algumas relações e compará-los. Muitas vezes informações de fácil acesso sobre o município onde se vive são desconhecidos da maioria e surpreendem a muitos, quando se deparam com a realidade.
Algumas informações e dados estatísticos do município e da região são decisivos para a prosperidade ou não do negócio, para a atividade de profissionais liberais e para entender os motivos desta ou daquela situação que é diferente onde se mora, comparando com os municípios vizinhos, ou de onde se quer ganhar mercado, por exemplo. Acessando fontes como IBGE, FEE, CAGED, TCU, DETRAN, instituições de ensino superior, dentre outros são encontradas muitas informações sobre o lugar em que você vive e tem negócios.
Analisar a pirâmide etária e a sua evolução ao longo dos últimos anos, bem como as projeções para a próxima década, pode identificar fatores de impacto na sua clientela considerando o crescimento ou a redução do número de pessoas em cada faixa de 5 em 5 anos. As faixas etárias que você atende estão crescendo, ou reduzindo?  Em que ritmo? Quantas pessoas serão daqui a 10 anos e quantos você precisa para que seu negócio funcione como desejado? 
A fatia de população ocupada, ou seja, que está empregada ou auto-empregada, normalmente surpreende muita gente, por ser bem menos do que se imagina. Nos municípios que já estudamos, varia de 20 a 35%, e geralmente se pensa que é muito mais, ou seja, toda a produção do município, vem desta parcela menor de moradores. O que o seu negócio pode fazer em relação a esta situação? Quais são as ações que as entidades do município estão fazendo para melhorar estes indicadores?
A média salarial é um indicador que muda bastante de município para município e evidentemente tem muita influencia nos fatores locais de desenvolvimento. Se a estrutura do varejo de bens e serviços é menor e tem menos capacidade de absorver a renda gerada localmente, é certo que boa parte desta renda vá para os municípios vizinhos e para e-commerce. Qual é o percentual da população que vive com ½ salário mínimo? Qual é o percentual das famílias que tem renda acima de R$ 6mil, fatia considerada com alto poder de compra para o sul do Brasil?
O PIB per capita, a média dos salários e o percentual de pessoas que vivem com menos de ½ salário mínimo é um conjunto de informações que auxilia no entendimento da concentração de renda e parte dos impactos causados localmente. Qual é a renda média dos principais segmentos que você ou sua empresa atendem? Quantas são estas pessoas? Qual a faixa etária destes segmentos? Quais as ações do seu negócio em relação a estas informações?
Qual é o número de veículos emplacados no seu município? Quantos tem menos de 5 anos? Quantos têm mais de 20 anos? Quantos são de passeio? Quantos são utilitários? Quantos endereços residenciais existem? E quantos endereços profissionais? Quantas residências tem mais de 2 sanitários? Estes e outros dados significam muito em termos de consumo e necessidades de serviços. Quais as oportunidades ainda não atendidas existem e não estão sendo percebidas?
O percentual de receitas do município oriundas de fontes externas é outro dado bem importante para avaliar a vulnerabilidade do município em relação a crises nacionais, ou internacionais, ou ainda, a dificuldades locais. O que o planejamento da administração municipal, das entidades, das empresas e dos profissionais está avaliando e propondo para os próximos anos considerando estes fatores?
Conheça bem o seu município ao tomar decisões e evite opiniões que não estejam bem embasadas, pois elas podem atrapalhar muito. Hoje o texto ficou cheio de perguntas, mas por vezes é melhor fazer-se as perguntas certas, do que ter as respostas, não é mesmo?
Um abraço e até a próxima!

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