segunda-feira, 26 de agosto de 2019

Atenção a persuasão e negociações


        Com o volume de informações que a cada dia aumenta, independente dos meios onde vivemos, nossa capacidade de processamento destas informações não dá mais conta. A vida moderna nos impõe um volume de mudanças, necessidades de acompanhamento e desafios, numa frequência que nos obrigamos a abrir mão de cuidados e de maior atenção sobre prós e contras em tomadas de decisões. Acaba-se recorrendo a algumas generalizações, ou abordagens por atalhos e tomando decisões baseados em poucos dados. Essa informação isolada nos permite agir quase sempre de maneira apropriada, fazendo uso de uma quantidade limitada de reflexão e tempo, porém, aqueles que sabem como esta situação pode ser explorada, a transforma numa arma que pode nos influenciar a agirmos como lhes convém.
  As dinâmicas de comunicação e de negociação envolvem um conjunto de detalhes que exigem atenção aos detalhes para evitar prejuízos no campo pessoal, carreira e negócios. É certo que habilidades e competências precisam ser aprimoradas constantemente, com esta dinamicidade, mas sem atenção aos detalhes do nosso comportamento frente as ações de nossos interlocutores, não será possível utilizar nosso potencial. Trago hoje uma reflexão baseada em autores como Roger Fischer, professor de Harvard e autor de “Como chegar ao sim” e Robert Cialdini, Psicólogo, PhD, professor da Universidade do Arizona, consultor e autor de alguns best sellers sobre persuasão, negociação e comunicação.  
Cialdine explica como funciona o mecanismo da persuasão, quais fatores psicológicos influenciam nosso comportamento e o que podemos fazer para nos defender dos profissionais que se especializam em se aproveitar de reações impensadas, ou decisões baseadas em poucas informações. Os autores citados analisam de forma minuciosa e clara seis armas de influencia que conduzem nossa vida, sendo eles a reciprocidade, o compromisso e coerência, a aprovação social , a afeição, a autoridade e a escassez. Com exemplos esclarecedores o autor explica quais são as circunstâncias em que ficamos mais vulneráveis aos aproveitadores, como podemos reconhecer que estamos sendo persuadidos a agir contra nossos interesses e como decidir por conta própria.
         Reciprocidade é uma das 6 “armas”, pois nos sentimos compelidos a retribuir o que a pessoa nos proporcionou, porém, nem sempre de forma vantajosa para nós. 
        Compromisso e coerência é outro fator chave, especialmente porque depois que fizemos uma escolha, enfrentamos pressões para nos comportarmos de maneira condizente com o compromisso assumido.
        Aprovação social é outra destas armas, pois é tendência buscarmos nos outros, indícios do comportamento mais apropriado a seguir. 
        Afeição é considerada outra arma, pois preferimos acatar pedidos de pessoas que conhecemos e de que gostamos.
        Autoridade também é uma importante arma, pois todos nós temos um arraigado e notório senso de obediência à autoridade.
        Por último e não menos importante, temos a arma da escassez, pois tudo se torna mais valioso quando fica menos disponível.
É muito importante que cada um de nós que está sob a pressão de muitas atividades e tem pouco tempo para a tomada de decisões, passe a observar com mais atenção aos detalhes, o quando somos persuadidos por estas 6 “armas”, pois quem sabe utilizá-las pode nos levar a tomar decisões que podem não nos ser favoráveis em compras, vendas, doações, concessões, votos, permissões, dentre outras.
      Um abraço e até a próxima!

segunda-feira, 19 de agosto de 2019

Somos o que sentimos


        Assim como há quem diga que fisicamente somos o que comemos, é possível dizer que psicologicamente somos o que sentimos. O que pensamos e sentimos é tão forte que podemos mudar nossa própria biologia, a partir do que pensamos e sentimos, como é o caso das doenças psicossomáticas, ou ainda, questões de gênero.
        Nosso corpo, nossa saúde, nossas atitudes e ações estão ligadas diretamente aos pensamentos que criamos, sendo constantemente modificados por eles. Nossos pensamentos por sua vez, são determinados por nossos sentimentos em relação as mais diferentes passagens de nossa vida. Em outras palavras, os sentimentos determinam os pensamentos e estes as ações e a saúde mental e física.
        A qualidade dos pensamentos, baseados no amor, na coragem, no bem, na paz, ou então na dor, no medo, tem mais impacto do que pensamos. As ondas de pensamentos produzem efeitos completamente diferentes no corpo e na mente, como é o caso dos surtos de depressão, que baixa a imunidade, oportunizando o surgimento de outras doenças, assim como a paixão, que parece fortalecer em muito as pessoas. A alegria e a realização nos mantém saudáveis, fortalecem e prolongam a vida.
        Dizem os pesquisadores, que relembrar situações estressantes, que não passam de um “fio de pensamento”, porém, liberam hormônios destrutivos como as situações de estresse. É possível ver que quem está deprimido por uma perda de emprego, ou de uma paixão, por exemplo, pode estender os efeitos negativos por todas as partes do seu corpo. Por outro lado, quando a pessoa muda o foco de atenção e a origem de seus pensamentos, oportunizando sentimentos de amor, paz, bem querer... tudo pode mudar ao seu redor. 
Como está nosso corpo hoje, em parte é resultado do que pensamos ontem e os pensamentos, resultados de como nos sentimos hoje. Se queremos melhorar aspectos físicos e mentais, precisamos primeiro, mudar para melhor nossos pensamentos.
        A Psicanalista, Mestre, Simone Demolinari afirma que “Emoções positivas como gratidão, bondade e amor estimulam a produção de uma substância chamada oxitocina. À medida que ela é absorvida pelo nosso organismo nossos vasos sanguíneos dilatam, o que propicia a diminuição da tensão arterial. Conclusão, quem produz oxitocina com frequência tem menos chances de desenvolver doenças cardíacas. Este é apenas um de inúmeros exemplos que temos conhecimento.” Ela afirma também, que por outro lado, “Emoções negativas como raiva, medo e ansiedade podem estimular a produção de cortisol, elemento químico do estresse, que faz com que o corpo entre num estado de alerta como se estivesse correndo risco de morte ou precisasse lutar ou fugir. Como tal ameaça não existe, a química acaba sendo absorvida pelo organismo passando de remédio para veneno.” Ou seja, rapidamente chega-se a conclusão que ou você abre seu coração agora, ou algum cardiologista o fará por você! Brincadeiras de mau gosto a parte, precisamos aumentar o foco nas boas perspectivas e reduzir o foco naquilo que não gostamos.
Estamos num período longo de recessão e estagnação, com repetição de alertas para o risco de depressão econômica. A pior face desta situação é o foco dos assuntos, nas reuniões, rodas de conversas, mídia, testemunhos, que ficam ao redor do negativismo, das falas e notícias ruins, daquilo que não funciona, das frustrações, pois esperamos que o próximo período seja melhor, mas as melhorias não se apresentam. Este tipo de reação individual, que se multiplica rapidamente, viraliza, não só faz mal para a economia e sociedade, que paralisa e recua em todos os empreendimentos e investimentos, mas faz muito mal aos indivíduos afetando a saúde física e mental.
Precisamos abrir pensamentos, melhorar os sentimentos e focar nas coisas boas, caso desejarmos ter algum futuro com possibilidade de prosperidade para nossas vidas, nossos filhos e nossos negócios.
        Um abraço e até a próxima!

sexta-feira, 9 de agosto de 2019

Mente aberta


    O fundamento maior da nossa sociedade é a liberdade, se ramificando em aspectos que vão do econômico ao comportamental. Todavia, por um determinado prisma, esta liberdade, ou o mundo livre, está mais na teoria do que na prática.
Em termos econômicos especialmente no Brasil, sempre fomos e seguimos dominados pelo Estado, sendo um dos países do mundo com menores indicadores de liberdade na economia, finanças, empreendimentos. Quanto aos costumes, na prática somos reprodutores da ordem vigente em diversos aspectos. Viver em sociedade requer regras comportamentais e econômicas a fim de manter o convívio social dentro de certos limites, o que torna a liberdade ilimitada impossível, uma utopia, considerando que em quase tudo há contrapontos e limitações.
O que pretendo refletir com os leitores, é que apesar de termos pontos limitadores econômicos, sociais, ambientais e comportamentais, eles são amplos o suficiente para mentalidades mais abertas a pensamentos e ações além do que estamos habituados. Digo isso por que é comum vermos nas escolas, universidades, empresas, associações, na igreja e na política, pessoas agindo como escravos do pensamento alheio, dos conceitos que consideram imutáveis, das convenções e dos padrões criados num determinado tempo.
O que se percebe é a forte tendência para a acomodação de muitas pessoas, na condição  econômica, social e comportamental. Temos uma parte da sociedade que reluta para sair da sua condição social mesmo sendo muito precária, pois implica em mudanças de hábitos, de costumes, de rotinas. São mentes fechadas nos limites criados parte pela sociedade, mas também em boa parte por suas próprias crenças que as fazem sentir incapacitadas para ampliar pensamentos e ações. Uma das perguntas mais importantes a fazer é: Quanto cada um está disposto a enfrentar dificuldades para ampliar a liberdade econômica e comportamental?
Precisamos de mais mentes abertas e assim também auxiliar mais pessoas à abrir a mente para novas formas de ver a própria vida, a vida ao seu redor e a sociedade. Mentes que permitam às pessoas ousar mais, romper paradigmas, desafiar o “sempre foi assim”, experimentar situações diferentes e ver a si e aos outros de formas diferentes. A filósofa e economista Rosa Luxemburgo dizia que “Quem não se movimenta, não sente as correntes que o prendem”. Abre mais a mente aquele se movimenta, corre, gesticula, fala.
A conhecida frase de Albert Einstein “uma mente que se abre jamais volta ao tamanho original” pode ser dita em outras palavras, como a mente que se liberta de velhos hábitos, conceitos limitadores, costumes que a escravizam, não aceitará retornar à prisão. Por mais condições adversas que muitos estejam passando é preciso lembrar que a autonomia é individual, interna, dependendo somente da pessoa, independente das questões que a cercam, do ambiente externo. Superar medos, timidez, rancores, preguiça, negativismo depende de autonomia, que é individual. Muitas pessoas com estas dificuldades têm a prisão dentro de si mesmas, não ao seu redor. Aquela frase popular “a chave que prende é a mesma que liberta” segue valendo.
Nossa sociedade terá mais oportunidade de mudar para melhor, com mais mentes abertas. Assim, precisamos ajudar a quem está próximo, incentivando e instigando os novos jeitos de olhar o mundo e produzir novos conceitos para si e para o outros. Umas das piores prisões é uma mente fechada. Mas é um esforço individual e diário abrir a mente e mantê-la aberta. No caso das organizações, o esforço precisa ser coletivo e cooperativo, para ampliar os horizontes com novos conceitos e contextos.
Mente aberta, gente! Um abraço e até a próxima!

quinta-feira, 8 de agosto de 2019

Motivação 3.0


Fala-se e escreve-se muito sobre motivação e há muito tempo. No dia a dia das organizações, provavelmente não passe um dia sem que os líderes pensem na motivação ou falta dela, pensando em alguns integrantes de seu grupo de trabalho. Estando na condição de líderes ou de liderados, temos a motivação dentre nossas preocupações pessoais. Cada um de nós tem construída a sua própria tese sobre como motivar as pessoas.
Mesmo com muitos acertos e aprendizados a duras penas ao longo de décadas de experiências, tentativas, muitas lideranças, equipes e organizações seguem tendo dificuldades quanto à motivação. E é possível que você e eu também tenhamos, por mais ou menos vezes, dificuldades de motivação. A primeira dificuldade é que ninguém consegue se motivar para tudo o tempo todo. A segunda dificuldade é que há muitas respostas possíveis para “como motivar minha equipe”.
Daniel H. Pink, autor de quatro best-sellers da área de negócios, afirma em seu novo livro, “Motivação 3.0 - Drive” que não é possível obter engajamento da equipe procurando por obediência. Esta premissa causou furor nos EUA onde o livro foi lançado, com sucesso instantâneo de vendas, sendo  best seller nas listas de indicações mais importantes daquele país, tendo sido lançado no Brasil, pela editora Sextante. Neste livro, Daniel reconstrói a história dos estudos e práticas no universo da motivação e conduz o leitor para uma análise mais profunda sobre o assunto, classificando como “Motivação 3.0”, aquela baseada em autonomia, prazer e propósito.
Ao longo da história, observa-se primeiramente a “motivação 1.0”, primitiva, que move as pessoas pela sobrevivência, que é instintiva: se não tem o que comer, você vai dar um jeito de conseguir comida; se começa a chover forte, você procura um abrigo seguro e assim por diante. O autor classifica como “motivação 2.0” aquela clássica, industrial, assentada no padrão “punição e recompensa”, abraçada pelo mercado durante décadas e que, ainda funciona de maneira tácita ou explícita, em vários ambientes. Considerando todas as mudanças da realidade e do mundo do trabalho é muito evidente que os anseios das pessoas mudaram e que a forma de motivá-las também precisa mudar. Ou seja, o problema está no fato de muitas organizações seguirem tentando motivar homens e mulheres do século XXI com estímulos de um mundo que quase não existe mais.
Quando as pessoas se deparam com os ganhos e as perdas decorrentes da forma como se executa uma tarefa, a liderança só pode esperar obediência ou desobediência. Conforme Daniel Pink, neste caso o colaborador é motivado por consequências e não por causas, ou seja, venderá mais para obter uma comissão maior, ou venderá mais para não ser substituído por alguém com melhor desempenho, assim como venderá mais para ser promovido, ou venderá mais para não ser transferido para a filial que ninguém quer. É bem mais difícil conquistar o engajamento, ter aquele discurso empolgante, emocionante e bonito, de vivenciar os valores da organização, tratando tudo como recompensa e punição.
“É preciso resistir à tentação de controlar as pessoas – e, em vez disso, fazer todo o possível para despertar a adormecida autonomia que temos enraizada em nós”, afirma Pink, que considera a “motivação 3.0” aquela que alcança o engajamento pleno. Em qualquer organização, para o trabalho, lazer, ou voluntariado, as pessoas vão se engajar quando se sentirem parte da solução, parte do negócio. Nos modelos de motivação com punições e recompensas as pessoas muitas vezes se sentem tratadas como custos, ou seja, como problemas, e não como parte do negócio e das soluções.
Para obtermos melhores resultados na busca por estimular nossas equipes ações de engajamento são fundamentais. Como obter engajamento será uma resposta que cada líder e cada equipe devem buscar, mas é certo que quanto mais pessoas conseguirmos auxiliar alinhamento dos  objetivos pessoais aos propósitos da organização e fazê-la perceber-se como parte da solução dos problemas, mais motivação teremos na equipe.
Um abraço e até a próxima!

terça-feira, 30 de julho de 2019

Tem coisa que não se faz e ponto!


        Tem coisa legal que é imoral, tem coisa imoral que é legal, tem coisas ilegais e imorais, tem coisa que precisa ser feita excepcionalmente, e tem coisa que não é proibido, é permitido, até tolerado, mas simplesmente não se deve fazer!
        Por vezes parece que as regras mais simples da vida são as mais difíceis de serem entendidas e praticadas. Hoje falo da regrinha: “certas coisas não se deve fazer”. Não têm nada a ver com o fato de serem permitidas ou não por lei, ou não serem proibidas  por alguma regra, regulamento, orientações morais, e coisas do tipo. Falo de atos, atitudes, ações que podem não ser, em si mesmas, boas ou más, certas ou erradas, mas que não devem ser feitas. Tem valores que se ensinam nas boas escolas, nas boas empresas, mas principalmente nas boas famílias. Quantos leitores lembram como eu, dos pais mostrando e dizendo “isso não se faz”? Com alguma frequência repito esta frase aos meus filhos, com 16 e 19 anos. Quando iniciei a carreira docente e trabalhava com turmas das séries iniciais do ensino fundamental falávamos desta regra simples nas salas de aulas.
       Certas coisas não se fazem, e é motivo suficiente! Simples assim. São atos, ações, atitudes que pessoas dotadas de coeficientes médios de decência, consideração pelos outros, boa educação, valores espirituais independentes de religião e credo, sabem que não devem fazer e pronto!
     Atitudes como o Presidente indicar o filho para ser embaixador, mesmo sem discutir se é legal ou não, tenho certeza de que ninguém precisa disso, nem o Presidente, nem o filho, nem outro país ou o Brasil. Assim como falas depreciativas à colaboradores, correligionários, grupos e outras pessoas sem avaliar as consequências a quem quer que seja, abalando a própria imagem e do País, dentre outras, estão na lista das coisas que não se faz. Também não é porque alguém fez igual ou pior, que outro fica autorizado a ter uma atitude inadequada!
     Antes que alguém tente colocar um rótulo neste texto, aproveito para lembrar que pedir “comissão” por sugerir, encaminhar, defender, contratar, trabalhos, obras, compras, assim como criar situações de benefício direto ou indireto próprio, a outros e a agremiações partidárias ou não, além de ser ilegal, imoral, não há fins que justificam os meios, muito menos com o argumento de salvar o país de x, y, z, por que simplesmente não se faz e ponto! Quem fizer algo ilegal deve ser severa e exemplarmente punido como estão 2 Presidentes da República, dentre outros tido como poderosos em tempos idos!
     Antes que outro alguém foque só nos políticos, ou nos poderosos, a lista do que não se faz, no meu entender é longa e abrange muitas coisas que estão entre nós, a quem o poder (pelo menos ainda) não vai tão longe. Embora não seja proibido, procurar atalhos nos processos seletivos da iniciativa privada, por exemplo, para se beneficiar, ou favorecer a um amigo ou parente está igualmente na lista do que “não se faz”, assim como colar na prova, colocar o nome num trabalho que não fez, turbinar o curriculum com cursos ou habilidades que não tem, publicar notícias falsas, espalhar boatos, assinar por outra pessoa, sonegar impostos, omitir informações na declaração de renda, trair, enganar, mentir, fofocar...
        Tem coisas que simplesmente não se faz, independente de alguém estar vendo, de não ser proibido, ou não estar escrito em algum lugar! Não interessa o poder, o lugar, o tamanho, a importância, tem coisa que não se faz! Pronto!
     Agora... vamos deixar os desvios de atenção, que precisamos trabalhar para reconstruir o País, cada um com o melhor da sua ideologia, religião, preferências e costumes!

Um abraço e até a próxima!


terça-feira, 23 de julho de 2019

Sinal de inteligência


     
       Vivemos o momento mais rico em informações disponíveis, da história da humanidade. O desafio não é mais o acesso a informação e sim o excesso de informação, que gera problemas de interpretação e a boataria. Felizmente também vivemos uma fase em que se reconhecem as múltiplas inteligências e com elas, muitos sinais de inteligência, abrindo caminhos para muito mais pessoas, que em outros tempos teriam muitas dificuldades para suas ideias e ações prosperarem.

        Jeff Bezos é conhecido por ser o fundador da Amazon, uma das empresas mais bem-sucedidas da atualidade e é considerado a pessoa que detém a maior fortuna do planeta atualmente. Inegavelmente, ele é muito inteligente, mas provavelmente só conseguiu construir esta empresa e sua  fortuna cercando-se de gente muito inteligente. A pergunta que muitos empresários e executivos que leem a história deste perfil de empresário se faz é “Como se encontra essas pessoas?”. Essa pergunta tem sido feita a Bezos em muitas das entrevistas ou palestras em que ele é protagonista. A resposta tem sido bem diferente e até o oposto do que muita gente espera.
         O homem mais rico do mundo é adepto da premissa de que “pessoas inteligentes erram, e muito” e que também por isso, mudam de ideia com boa frequência. A maioria de nós tende a se perguntar se a pessoa está certa, quando queremos entender o nível de inteligência de alguém, ou principalmente se irá contribuir com os projetos da empresa, se é uma boa aquisição para sua equipe. Em processos de seleção, as perguntas em sua maioria são se o outro está certo: “O entendimento de mundo desta pessoa está alinhado com as necessidades da empresa?”, “Tem conhecimento de sua área de especialização?”, “É capaz de dar as melhores respostas quando se depara com problemas difíceis?”, “Tem condições de realizar análises e previsões corretas?”.
Os que estudam as estratégias de Bezos chamam de contra-intuição, em função dele orientar para não observar apenas com que frequência as pessoas estão certas, mas também e principalmente, o quanto e como elas erram. Ele diz que busca profissionais que consigam admitir quando estão errados e mudam de opinião com frequência, orientando que as equipes de suas empresas sejam assim também. "Observo que as pessoas mais inteligentes estão constantemente revisando sua compreensão e reconsiderando um problema que acreditavam já ter resolvido. Elas estão abertas a novos pontos de vista, novas informações, novas ideias, novas contradições e novos desafios", afirma o empresário.
Pessoas que mudam de ideia com frequência demonstram um aspecto muito importante para empresas que precisam inovar para se manter no mercado. Bezos acredita que quem é muito inteligente muda bastante de ideia, o que parece fazer sentido, uma vez que gente inteligente lê, se informa, estuda, vivencia e experimenta muitas coisas e sabem que se fixar a determinadas posições, nem sempre é produtivo. O dono da maior fortuna do mundo acredita que a consistência é importante, mas muitas vezes é superestimada, ou seja, acredita que consistência de pensamento, persistência, convicções não são totalmente positivas. Assim como Jeff Bezos, existem outros líderes da nova economia que entendem que é uma atitude perfeitamente saudável e encorajam quem terá uma ideia amanhã que contradiga a sua ideia de hoje.
Entendo que é preciso muita resiliência na equipe e na organização para as mudanças rápidas e principalmente na direção oposta, em curtos espaços de tempo. No entanto, a forma de pensar e agir daqueles que estão ganhando espaço, fama, fortuna e gerando grandes impactos na sociedade contemporânea precisa ser levada em conta ao rever nosso conceitos e de nossas organizações. Na próxima seleção de pessoas para a equipe, querendo descobrir se a pessoa a sua frente dará boas contribuições à equipe e a empresa, ao verificar se está diante de alguém bastante inteligente, ao invés de perguntar se a pessoa está sempre certa, pode ser melhor questionar quando foi a última vez que ela mudou de opinião e de convicções. Dependendo de como vir a resposta, é preciso reconsiderar se a pessoa é tão esperta quanto aparenta ser. 

Um abraço e até a próxima!


segunda-feira, 15 de julho de 2019

Confie na sua paixão e surpreenda


             
         
“As paixões são irresistíveis. Se você estiver prestando atenção na sua vida, as coisas pelas quais está apaixonado não o deixarão sozinho. São as ideias, as esperanças e as possibilidades pelas quais sua mente naturalmente gravita, as coisas nas quais você concentrará seu tempo e atenção por nenhuma outra razão além de se sentir bem.” A sugestão para que os amigos leitores confiem na sua paixão para surpreender a si mesmo e aos outros, começa com este trecho de Bill Strichkland, que dentre outras obras escreveu “Faça possível o impossível”.

       Strickland nasceu e cresceu num bairro violento de Pittsburg (EUA) e teve sua vida completamente transformada a partir da motivação de um professor que entendeu que ele tinha talentos que os outros não viam, como a arte da cerâmica. Passou a ser um estudante dedicado, e após concluir a faculdade retornou para a escola onde foi professor e assumiu a Direção transformando a escola num caso de sucesso que até hoje arranca aplausos de todas as plateias que ouvem os relatos. O professor ganhou vários títulos nos EUA e outros países como “inovador social” e suas teorias sobre mudança social são extraordinárias e impactantes. Strichkland, diz que a paixão é o combustível emocional que move sua visão. “É o que você agarra quando suas ideias são desafiadas e as pessoas o rejeitam, quando você é desprezado pelos “especialistas” e pelas pessoas próximas de você. É o combustível que o mantém em pé quando não há validação externa para seu sonho. Tive a visão de criar um Centro que alteraria a conversa a respeito de pessoas pobres. Quis redefinir o modo pelo qual pensamos sobre a pobreza.”

      Quem conhece o protagonista desta história garante que ele não é aclamado porque planejou ser um inovador, mas porque decidiu perseguir um objetivo que deu propósito a sua vida.  A nova geração de empreendedores surgindo nas incubadoras, aceleradoras, universidades está mostrando que aprendeu uma lição que Steve Jobs, Strichkland, e outros haviam entendido: siga seu coração e não se acomode num caminho que não combina com o que você sente que é seu destino verdadeiro, com seus grandes sonhos e objetivos. “O medo do fracasso pode sufocar o sonho da pessoa levar uma vida extraordinária e o modo como supera este medo é confiando na sua paixão”, sempre lembra Strichkland.

A maioria das pessoas desiste de suas paixões, de seus sonhos, dos grandes objetivos diante das dificuldades, percalços, negativas e fracassos. Notadamente muitas pessoas que passam dificuldades e não conseguem prosperar em seus objetivos tem por característica a desistência diante das dificuldades. Todas as dificuldades pelas quais passamos devem nos deixar lições, todavia, se realmente não percebermos nenhum proveito, nenhum aprendizado, nenhuma contribuição em algo que estivermos fazendo, então devemos imediatamente fazer outra coisa, pois as chances de sucesso serão poucas.

A Apple é uma empresa estudada em todos os cantos do planeta e de diversas formas, especialmente nos períodos em que foi dirigida por Steve Jobs. Os recrutadores de talentos contam que não queriam pessoas que desejavam se aposentar na empresa e ganhar uma menção honrosa por isso. Eles queriam empreendedores e vencedores comprovados, mesmo que recém formados, que se destacaram por algum projeto inovador. Colaboradores dinâmicos, que definiram sua função prévia naquilo que realmente contribuíram e não somente por seus títulos. Acreditavam que a inventividade pode vir de qualquer lugar e procuravam pessoas que tinham empolgação por criar coisas novas. A orientação para as pessoas era: surpreenda-nos.

A mensagem desta semana é para confiar na paixão e assim surpreender-se e ao mundo com o que conseguir com sua paixão. Finalizamos com a frase da apresentadora e empresária Oprah Winfrey: “Quando sua vida está de acordo com seu propósito, você se sente o mais poderoso”.

Um abraço e até a próxima!

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