Com alguma frequência abordamos a necessidade de conhecer o consumidor dos bens ou serviços de cada empreendimento. Na semana que passou, junto com colegas professores e pesquisadores apresentamos o relatório de uma pesquisa com mais de 1.600 consumidores de diferentes faixas etárias, faixas de renda, e residentes em 3 diferentes municípios, considerados de pequeno porte em termos populacionais. Os respondentes contribuíram respondendo 43 questões, o que permitiu um mapeamento completo do perfil, expectativas, desejos, formas de decidir pelos produtos e serviços. Compartilho aqui alguns resultados, com o objetivo de auxiliar os amigos leitores na tomada de decisões sobre o seu negócio.
Nos resultados, percebe-se o comportamento do consumidor bastante sensível aos preços, especialmente aqueles com baixa escolaridade e baixos níveis de renda. Quanto a qualidade, os consumidores percebem a melhoria dos bens oferecidos nos locais onde compram e desejam a melhoria da cordialidade na atenção e no atendimento aos clientes. Apenas 37% dos consumidores se diz satisfeito com a variedade dos bens disponíveis no comércio das cidades onde reside. Pelas respostas também é possível perceber que os consumidores prestam bastante atenção ao que está nas vitrines e utilizam a informação do que veem, seja na imagem da fachada, vitrines, exposição interna ou externa, formando conceitos sobre a qualidade, o cuidado e a validade dos produtos e serviços oferecidos nos diferentes locais.
Os resultados mostram que preços dos serviços geram mais insatisfação do que os preços dos bens. Também é possível ver que os idosos, que são o segmento que mais usa e mais necessita de serviços, também é o grupo que mais reclama do preço dos serviços.
Quanto aos horários de atendimento, mais da metade dos consumidores gostaria de mudanças nos atualmente praticados na sua cidade, ficando marcante a informação de que 32% diz que gostaria de fazer compras das 18 as 22h, após seu horário de trabalho. Quanto aos dias da semana preferidos 57% afirma que prefere comprar aos sábados, sendo que outros 23% tem preferência pelas sextas-feiras e apenas 22% em qualquer dia da semana.
2/3 dos consumidores gostaria de ter acesso a mais variedade de serviços e reclama que existem poucos profissionais prestadores de serviços em diversas áreas, em sua cidade, o que denota mais oportunidades de negócios.
49% diz que faz compras semanalmente e 32%, mensalmente. Por outro lado, 60% informa que compra bens ou serviços de fora da cidade pelo menos 1 vez a cada 3 meses, sendo que preço e diversidade de opções são os motivos que levam ao comércio das cidades vizinhas. 14% aproveita os deslocamentos para serviços de saúde como consulta e exames, para fazer compras fora de da cidade onde mora. Outros 14% afirmam que fazem compras fora da sua cidade aproveitando o deslocamento para atividades de entretenimento como cinema, shows, apresentações e outros.
28,71% afirma que nunca comprou na internet, enquanto 26,34% afirma que compra na internet de 1 a 2 vezes por ano. Os motivos para preferir o e-commerce são os preços com 66,4% das citações, a variedade com 46,3% e a praticidade com 38,6% (puderam responder mais de uma opção). Fica bastante claro que a evasão de recursos do comércio local se deve bem mais pelas compras nas cidades vizinhas com comércio físico mais forte, do que na internet.
Nos resultados não há referências significativas à questões relativas a segurança como câmaras de monitoramento, por exemplo, ou seja, o consumidor de pequenas cidades, não vê a segurança como um aspecto relevante na decisão de compras. Também não há referências significativas à estacionamento, escolha por facilidades ou dificuldades em vagas próximas aos estabelecimentos preferidos. Também não há referências significativas à ruas e passeios/calçadas, espaço, manutenção, sentido das vias, dentre outros. Tantos aspectos positivos, quanto os negativos considerados pelos consumidores dizem respeito à questões internas que estão sob o total domínio de cada empresa.
Conhecer o consumidor do seu estabelecimento é a chave para desenvolver o seu negócio, lembre-se disso ao tomar decisões.
Um abraço e até a próxima!
terça-feira, 3 de setembro de 2019
segunda-feira, 26 de agosto de 2019
Atenção a persuasão e negociações
Com o volume de informações que a cada dia aumenta, independente dos meios onde vivemos, nossa capacidade de processamento destas informações não dá mais conta. A vida moderna nos impõe um volume de mudanças, necessidades de acompanhamento e desafios, numa frequência que nos obrigamos a abrir mão de cuidados e de maior atenção sobre prós e contras em tomadas de decisões. Acaba-se recorrendo a algumas generalizações, ou abordagens por atalhos e tomando decisões baseados em poucos dados. Essa informação isolada nos permite agir quase sempre de maneira apropriada, fazendo uso de uma quantidade limitada de reflexão e tempo, porém, aqueles que sabem como esta situação pode ser explorada, a transforma numa arma que pode nos influenciar a agirmos como lhes convém.
As dinâmicas de comunicação e de negociação envolvem um conjunto de detalhes que exigem atenção aos detalhes para evitar prejuízos no campo pessoal, carreira e negócios. É certo que habilidades e competências precisam ser aprimoradas constantemente, com esta dinamicidade, mas sem atenção aos detalhes do nosso comportamento frente as ações de nossos interlocutores, não será possível utilizar nosso potencial. Trago hoje uma reflexão baseada em autores como Roger Fischer, professor de Harvard e autor de “Como chegar ao sim” e Robert Cialdini, Psicólogo, PhD, professor da Universidade do Arizona, consultor e autor de alguns best sellers sobre persuasão, negociação e comunicação.
Cialdine explica como funciona o mecanismo da persuasão, quais fatores psicológicos influenciam nosso comportamento e o que podemos fazer para nos defender dos profissionais que se especializam em se aproveitar de reações impensadas, ou decisões baseadas em poucas informações. Os autores citados analisam de forma minuciosa e clara seis armas de influencia que conduzem nossa vida, sendo eles a reciprocidade, o compromisso e coerência, a aprovação social , a afeição, a autoridade e a escassez. Com exemplos esclarecedores o autor explica quais são as circunstâncias em que ficamos mais vulneráveis aos aproveitadores, como podemos reconhecer que estamos sendo persuadidos a agir contra nossos interesses e como decidir por conta própria.
Reciprocidade é uma das 6 “armas”, pois nos sentimos compelidos a retribuir o que a pessoa nos proporcionou, porém, nem sempre de forma vantajosa para nós.
Compromisso e coerência é outro fator chave, especialmente porque depois que fizemos uma escolha, enfrentamos pressões para nos comportarmos de maneira condizente com o compromisso assumido.
Aprovação social é outra destas armas, pois é tendência buscarmos nos outros, indícios do comportamento mais apropriado a seguir.
Afeição é considerada outra arma, pois preferimos acatar pedidos de pessoas que conhecemos e de que gostamos.
Autoridade também é uma importante arma, pois todos nós temos um arraigado e notório senso de obediência à autoridade.
Por último e não menos importante, temos a arma da escassez, pois tudo se torna mais valioso quando fica menos disponível.
É muito importante que cada um de nós que está sob a pressão de muitas atividades e tem pouco tempo para a tomada de decisões, passe a observar com mais atenção aos detalhes, o quando somos persuadidos por estas 6 “armas”, pois quem sabe utilizá-las pode nos levar a tomar decisões que podem não nos ser favoráveis em compras, vendas, doações, concessões, votos, permissões, dentre outras.
Um abraço e até a próxima!
segunda-feira, 19 de agosto de 2019
Somos o que sentimos
Assim como há quem diga que fisicamente somos o que comemos, é possível dizer que psicologicamente somos o que sentimos. O que pensamos e sentimos é tão forte que podemos mudar nossa própria biologia, a partir do que pensamos e sentimos, como é o caso das doenças psicossomáticas, ou ainda, questões de gênero.
Nosso corpo, nossa saúde, nossas atitudes e ações estão ligadas diretamente aos pensamentos que criamos, sendo constantemente modificados por eles. Nossos pensamentos por sua vez, são determinados por nossos sentimentos em relação as mais diferentes passagens de nossa vida. Em outras palavras, os sentimentos determinam os pensamentos e estes as ações e a saúde mental e física.
A qualidade dos pensamentos, baseados no amor, na coragem, no bem, na paz, ou então na dor, no medo, tem mais impacto do que pensamos. As ondas de pensamentos produzem efeitos completamente diferentes no corpo e na mente, como é o caso dos surtos de depressão, que baixa a imunidade, oportunizando o surgimento de outras doenças, assim como a paixão, que parece fortalecer em muito as pessoas. A alegria e a realização nos mantém saudáveis, fortalecem e prolongam a vida.
Dizem os pesquisadores, que relembrar situações estressantes, que não passam de um “fio de pensamento”, porém, liberam hormônios destrutivos como as situações de estresse. É possível ver que quem está deprimido por uma perda de emprego, ou de uma paixão, por exemplo, pode estender os efeitos negativos por todas as partes do seu corpo. Por outro lado, quando a pessoa muda o foco de atenção e a origem de seus pensamentos, oportunizando sentimentos de amor, paz, bem querer... tudo pode mudar ao seu redor.
Como está nosso corpo hoje, em parte é resultado do que pensamos ontem e os pensamentos, resultados de como nos sentimos hoje. Se queremos melhorar aspectos físicos e mentais, precisamos primeiro, mudar para melhor nossos pensamentos.
A Psicanalista, Mestre, Simone Demolinari afirma que “Emoções positivas como gratidão, bondade e amor estimulam a produção de uma substância chamada oxitocina. À medida que ela é absorvida pelo nosso organismo nossos vasos sanguíneos dilatam, o que propicia a diminuição da tensão arterial. Conclusão, quem produz oxitocina com frequência tem menos chances de desenvolver doenças cardíacas. Este é apenas um de inúmeros exemplos que temos conhecimento.” Ela afirma também, que por outro lado, “Emoções negativas como raiva, medo e ansiedade podem estimular a produção de cortisol, elemento químico do estresse, que faz com que o corpo entre num estado de alerta como se estivesse correndo risco de morte ou precisasse lutar ou fugir. Como tal ameaça não existe, a química acaba sendo absorvida pelo organismo passando de remédio para veneno.” Ou seja, rapidamente chega-se a conclusão que ou você abre seu coração agora, ou algum cardiologista o fará por você! Brincadeiras de mau gosto a parte, precisamos aumentar o foco nas boas perspectivas e reduzir o foco naquilo que não gostamos.
Estamos num período longo de recessão e estagnação, com repetição de alertas para o risco de depressão econômica. A pior face desta situação é o foco dos assuntos, nas reuniões, rodas de conversas, mídia, testemunhos, que ficam ao redor do negativismo, das falas e notícias ruins, daquilo que não funciona, das frustrações, pois esperamos que o próximo período seja melhor, mas as melhorias não se apresentam. Este tipo de reação individual, que se multiplica rapidamente, viraliza, não só faz mal para a economia e sociedade, que paralisa e recua em todos os empreendimentos e investimentos, mas faz muito mal aos indivíduos afetando a saúde física e mental.
Precisamos abrir pensamentos, melhorar os sentimentos e focar nas coisas boas, caso desejarmos ter algum futuro com possibilidade de prosperidade para nossas vidas, nossos filhos e nossos negócios.
Um abraço e até a próxima!
sexta-feira, 9 de agosto de 2019
Mente aberta
O fundamento
maior da nossa sociedade é a liberdade, se ramificando em aspectos que vão do
econômico ao comportamental. Todavia, por um determinado prisma, esta
liberdade, ou o mundo livre, está mais na teoria do que na prática.
Em termos
econômicos especialmente no Brasil, sempre fomos e seguimos dominados pelo
Estado, sendo um dos países do mundo com menores indicadores de liberdade na
economia, finanças, empreendimentos. Quanto aos costumes, na prática somos
reprodutores da ordem vigente em diversos aspectos. Viver em sociedade requer
regras comportamentais e econômicas a fim de manter o convívio social dentro de
certos limites, o que torna a liberdade ilimitada impossível, uma utopia, considerando
que em quase tudo há contrapontos e limitações.
O que pretendo refletir
com os leitores, é que apesar de termos pontos limitadores econômicos, sociais,
ambientais e comportamentais, eles são amplos o suficiente para mentalidades
mais abertas a pensamentos e ações além do que estamos habituados. Digo isso
por que é comum vermos nas escolas, universidades, empresas, associações, na
igreja e na política, pessoas agindo como escravos do pensamento alheio, dos
conceitos que consideram imutáveis, das convenções e dos padrões criados num
determinado tempo.
O que se percebe é a forte tendência para a acomodação de muitas
pessoas, na condição econômica, social e
comportamental. Temos uma parte da sociedade que reluta para sair da sua
condição social mesmo sendo muito precária, pois implica em mudanças de
hábitos, de costumes, de rotinas. São mentes fechadas nos limites criados parte
pela sociedade, mas também em boa parte por suas próprias crenças que as fazem
sentir incapacitadas para ampliar pensamentos e ações. Uma das perguntas mais
importantes a fazer é: Quanto cada um está disposto a enfrentar dificuldades
para ampliar a liberdade econômica e comportamental?
Precisamos de mais mentes abertas e assim também auxiliar mais
pessoas à abrir a mente para novas formas de ver a própria vida, a vida ao seu
redor e a sociedade. Mentes que permitam às pessoas ousar mais, romper
paradigmas, desafiar o “sempre foi assim”, experimentar situações diferentes e
ver a si e aos outros de formas diferentes. A filósofa e economista Rosa
Luxemburgo dizia que “Quem não se movimenta, não sente as correntes que o
prendem”. Abre mais a mente aquele se movimenta, corre, gesticula, fala.
A conhecida frase de Albert Einstein “uma mente que se abre
jamais volta ao tamanho original” pode ser dita em outras palavras, como a
mente que se liberta de velhos hábitos, conceitos limitadores, costumes que a
escravizam, não aceitará retornar à prisão. Por mais condições adversas que
muitos estejam passando é preciso lembrar que a autonomia é individual, interna,
dependendo somente da pessoa, independente das questões que a cercam, do
ambiente externo. Superar medos, timidez, rancores, preguiça, negativismo
depende de autonomia, que é individual. Muitas pessoas com estas dificuldades têm
a prisão dentro de si mesmas, não ao seu redor. Aquela frase popular “a chave
que prende é a mesma que liberta” segue valendo.
Nossa sociedade terá mais oportunidade de mudar para melhor, com
mais mentes abertas. Assim, precisamos ajudar a quem está próximo, incentivando
e instigando os novos jeitos de olhar o mundo e produzir novos conceitos para
si e para o outros. Umas das piores prisões é uma mente fechada. Mas é um esforço
individual e diário abrir a mente e mantê-la aberta. No caso das organizações,
o esforço precisa ser coletivo e cooperativo, para ampliar os horizontes com
novos conceitos e contextos.
Mente aberta, gente! Um abraço e até a próxima!
quinta-feira, 8 de agosto de 2019
Motivação 3.0
Fala-se e escreve-se muito sobre
motivação e há muito tempo. No dia a dia das organizações, provavelmente não
passe um dia sem que os líderes pensem na motivação ou falta dela, pensando em
alguns integrantes de seu grupo de trabalho. Estando na condição de líderes ou de
liderados, temos a motivação dentre nossas preocupações pessoais. Cada um de
nós tem construída a sua própria tese sobre como motivar as pessoas.
Mesmo com muitos acertos e
aprendizados a duras penas ao longo de décadas de experiências, tentativas, muitas
lideranças, equipes e organizações seguem tendo dificuldades quanto à motivação.
E é possível que você e eu também tenhamos, por mais ou menos vezes, dificuldades
de motivação. A primeira dificuldade é que ninguém consegue se motivar para
tudo o tempo todo. A segunda dificuldade é que há muitas respostas possíveis
para “como motivar minha equipe”.
Daniel H. Pink, autor de quatro
best-sellers da área de negócios, afirma em seu novo livro, “Motivação 3.0 -
Drive” que não é possível obter engajamento da equipe procurando por
obediência. Esta premissa causou furor nos EUA onde o livro foi lançado, com sucesso
instantâneo de vendas, sendo best seller nas listas de indicações mais
importantes daquele país, tendo sido lançado no Brasil, pela editora Sextante.
Neste livro, Daniel reconstrói a história dos estudos e práticas no universo da
motivação e conduz o leitor para uma análise mais profunda sobre o assunto,
classificando como “Motivação 3.0”, aquela baseada em autonomia, prazer e
propósito.
Ao longo da história, observa-se
primeiramente a “motivação 1.0”, primitiva, que move as pessoas pela
sobrevivência, que é instintiva: se não tem o que comer, você vai dar um jeito
de conseguir comida; se começa a chover forte, você procura um abrigo seguro e
assim por diante. O autor classifica como “motivação 2.0” aquela clássica,
industrial, assentada no padrão “punição e recompensa”, abraçada pelo mercado
durante décadas e que, ainda funciona de maneira tácita ou explícita, em vários
ambientes. Considerando todas as mudanças da realidade e do mundo do trabalho é
muito evidente que os anseios das pessoas mudaram e que a forma de motivá-las
também precisa mudar. Ou seja, o problema está no fato de muitas organizações seguirem
tentando motivar homens e mulheres do século XXI com estímulos de um mundo que quase
não existe mais.
Quando as pessoas se deparam com os
ganhos e as perdas decorrentes da forma como se executa uma tarefa, a liderança
só pode esperar obediência ou desobediência. Conforme Daniel Pink, neste caso o
colaborador é motivado por consequências e não por causas, ou seja, venderá
mais para obter uma comissão maior, ou venderá mais para não ser substituído
por alguém com melhor desempenho, assim como venderá mais para ser promovido, ou
venderá mais para não ser transferido para a filial que ninguém quer. É bem
mais difícil conquistar o engajamento, ter aquele discurso empolgante,
emocionante e bonito, de vivenciar os valores da organização, tratando tudo como
recompensa e punição.
“É preciso resistir à tentação de
controlar as pessoas – e, em vez disso, fazer todo o possível para despertar a
adormecida autonomia que temos enraizada em nós”, afirma Pink, que considera a
“motivação 3.0” aquela que alcança o engajamento pleno. Em qualquer
organização, para o trabalho, lazer, ou voluntariado, as pessoas vão se engajar
quando se sentirem parte da solução, parte do negócio. Nos modelos de motivação
com punições e recompensas as pessoas muitas vezes se sentem tratadas como
custos, ou seja, como problemas, e não como parte do negócio e das soluções.
Para obtermos melhores resultados na busca por estimular nossas
equipes ações de engajamento são fundamentais. Como obter engajamento será uma
resposta que cada líder e cada equipe devem buscar, mas é certo que quanto mais
pessoas conseguirmos auxiliar alinhamento dos objetivos pessoais aos propósitos da
organização e fazê-la perceber-se como parte da solução dos problemas, mais
motivação teremos na equipe.
Um abraço e até a próxima!
terça-feira, 30 de julho de 2019
Tem coisa que não se faz e ponto!
Tem
coisa legal que é imoral, tem coisa imoral que é legal, tem coisas ilegais e
imorais, tem coisa que precisa ser feita excepcionalmente, e tem coisa que não
é proibido, é permitido, até tolerado, mas simplesmente não se deve fazer!
Por
vezes parece que as regras mais simples da vida são as mais difíceis de serem
entendidas e praticadas. Hoje falo da regrinha: “certas
coisas não se deve fazer”. Não têm nada a ver com o fato de serem permitidas ou
não por lei, ou não serem proibidas por alguma
regra, regulamento, orientações morais, e coisas do tipo. Falo de atos,
atitudes, ações que podem não ser, em si mesmas, boas ou más, certas ou erradas,
mas que não devem ser feitas. Tem valores que se ensinam nas boas escolas, nas
boas empresas, mas principalmente nas boas famílias. Quantos leitores lembram
como eu, dos pais mostrando e dizendo “isso não se faz”? Com alguma frequência
repito esta frase aos meus filhos, com 16 e 19 anos. Quando iniciei a carreira
docente e trabalhava com turmas das séries iniciais do ensino fundamental
falávamos desta regra simples nas salas de aulas.
Certas
coisas não se fazem, e é motivo suficiente! Simples assim. São atos, ações,
atitudes que pessoas dotadas de coeficientes médios de decência, consideração
pelos outros, boa educação, valores espirituais independentes de religião e
credo, sabem que não devem fazer e pronto!
Atitudes
como o Presidente indicar o filho para ser embaixador, mesmo sem discutir se é
legal ou não, tenho certeza de que ninguém precisa disso, nem o Presidente, nem
o filho, nem outro país ou o Brasil. Assim como falas depreciativas à
colaboradores, correligionários, grupos e outras pessoas sem avaliar as
consequências a quem quer que seja, abalando a própria imagem e do País, dentre
outras, estão na lista das coisas que não se faz. Também não é porque alguém
fez igual ou pior, que outro fica autorizado a ter uma atitude inadequada!
Antes
que alguém tente colocar um rótulo neste texto, aproveito para lembrar que
pedir “comissão” por sugerir, encaminhar, defender, contratar, trabalhos,
obras, compras, assim como criar situações de benefício direto ou indireto
próprio, a outros e a agremiações partidárias ou não, além de ser ilegal,
imoral, não há fins que justificam os meios, muito menos com o argumento de
salvar o país de x, y, z, por que simplesmente não se faz e ponto! Quem fizer algo
ilegal deve ser severa e exemplarmente punido como estão 2 Presidentes da
República, dentre outros tido como poderosos em tempos idos!
Antes
que outro alguém foque só nos políticos, ou nos poderosos, a lista do que não
se faz, no meu entender é longa e abrange muitas coisas que estão entre nós, a
quem o poder (pelo menos ainda) não vai tão longe. Embora não seja proibido,
procurar atalhos nos processos seletivos da iniciativa privada, por exemplo,
para se beneficiar, ou favorecer a um amigo ou parente está igualmente na lista
do que “não se faz”, assim como colar na prova, colocar o nome num trabalho que
não fez, turbinar o curriculum com cursos ou habilidades que não tem, publicar
notícias falsas, espalhar boatos, assinar por outra pessoa, sonegar impostos,
omitir informações na declaração de renda, trair, enganar, mentir, fofocar...
Tem
coisas que simplesmente não se faz, independente de alguém estar vendo, de não
ser proibido, ou não estar escrito em algum lugar! Não interessa o poder, o
lugar, o tamanho, a importância, tem coisa que não se faz! Pronto!
Agora...
vamos deixar os desvios de atenção, que precisamos trabalhar para reconstruir o
País, cada um com o melhor da sua ideologia, religião, preferências e costumes!
Um abraço e até a próxima!
terça-feira, 23 de julho de 2019
Sinal de inteligência
Vivemos o momento mais rico em
informações disponíveis, da história da humanidade. O desafio não é mais o
acesso a informação e sim o excesso de informação, que gera problemas de
interpretação e a boataria. Felizmente também vivemos uma fase em que se
reconhecem as múltiplas inteligências e com elas, muitos sinais de
inteligência, abrindo caminhos para muito mais pessoas, que em outros tempos
teriam muitas dificuldades para suas ideias e ações prosperarem.
Jeff Bezos é
conhecido por ser o fundador da Amazon, uma das
empresas mais bem-sucedidas da atualidade e é considerado a pessoa que detém a
maior fortuna do planeta atualmente. Inegavelmente, ele é muito inteligente,
mas provavelmente só conseguiu construir esta empresa e sua fortuna cercando-se de gente muito
inteligente. A pergunta que muitos empresários e executivos que leem a história
deste perfil de empresário se faz é “Como se encontra essas pessoas?”. Essa
pergunta tem sido feita a Bezos em muitas das entrevistas ou palestras em que
ele é protagonista. A resposta tem sido bem diferente e até o oposto do que muita
gente espera.
O
homem mais rico do mundo é adepto da premissa de que “pessoas inteligentes erram, e muito” e que também por
isso, mudam de ideia com boa frequência. A maioria
de nós tende a se perguntar se a pessoa está certa, quando queremos entender o
nível de inteligência de alguém, ou principalmente se irá contribuir com os
projetos da empresa, se é uma boa aquisição para sua equipe. Em processos de
seleção, as perguntas em sua maioria são se o outro está certo: “O entendimento
de mundo desta pessoa está alinhado com as necessidades da empresa?”, “Tem
conhecimento de sua área de especialização?”, “É capaz de dar as melhores respostas
quando se depara com problemas difíceis?”, “Tem condições de realizar análises
e previsões corretas?”.
Os que estudam as estratégias de Bezos chamam de contra-intuição,
em função dele orientar para não observar apenas com que frequência as pessoas
estão certas, mas também e principalmente, o quanto e como elas erram. Ele diz
que busca profissionais que consigam admitir quando estão errados e mudam de
opinião com frequência, orientando que as equipes de suas empresas sejam assim
também. "Observo que as pessoas mais inteligentes estão constantemente
revisando sua compreensão e reconsiderando um problema que acreditavam já ter
resolvido. Elas estão abertas a novos pontos de vista, novas informações, novas
ideias, novas contradições e novos desafios", afirma o empresário.
Pessoas que mudam de ideia com frequência demonstram
um aspecto muito importante para empresas que precisam inovar para se manter no
mercado. Bezos acredita que quem é muito inteligente muda bastante de ideia, o
que parece fazer sentido, uma vez que gente inteligente lê, se informa, estuda,
vivencia e experimenta muitas coisas e sabem que se fixar a determinadas
posições, nem sempre é produtivo. O dono da maior fortuna do mundo acredita que
a consistência é importante, mas muitas vezes é superestimada, ou seja, acredita
que consistência de pensamento, persistência, convicções não são totalmente positivas.
Assim como Jeff Bezos, existem outros líderes da nova economia que entendem que
é uma atitude perfeitamente saudável e encorajam quem terá uma ideia
amanhã que contradiga a sua ideia de hoje.
Entendo
que é preciso muita resiliência na equipe e na organização para as mudanças
rápidas e principalmente na direção oposta, em curtos espaços de tempo. No
entanto, a forma de pensar e agir daqueles que estão ganhando espaço, fama,
fortuna e gerando grandes impactos na sociedade contemporânea precisa ser levada
em conta ao rever nosso conceitos e de nossas organizações. Na próxima seleção de pessoas para a equipe, querendo descobrir
se a pessoa a sua frente dará boas contribuições à equipe e a empresa, ao
verificar se está diante de alguém bastante inteligente, ao invés de perguntar
se a pessoa está sempre certa, pode ser melhor questionar quando foi a última
vez que ela mudou de opinião e de convicções. Dependendo de como vir a
resposta, é preciso reconsiderar se a pessoa é tão esperta quanto aparenta
ser.
Um abraço e até a próxima!
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