Jesus e seus apóstolos, afirmavam que o Espírito estava sobre Ele, mas boa parte dos que conheciam a pessoa simples da aldeia, o filho de José e Maria, que sequer era sacerdote, consideravam muito ousadas as suas afirmações: porque logo ele seria um profeta, quanto mais o filho de Deus? Quem era ele para pregar em nome de Deus, propor mudanças no modo de agir das pessoas e dos governos, propor o Ano do Jubileu, por exemplo, que significaria um tempo para parar de acumular, dar descanso à terra, perdoar as dívidas contraídas pelos mais pobres, buscar a igualdade, dentre outras. Em Lucas (4,25-27) “Os de casa rejeitam, quem é estrangeiro acolhe”, verifica-se a consciência de Jesus de que nenhum profeta tem suas propostas bem recebidas na sua própria pátria.
Trago esta passagem bíblica para refletirmos um pouco sobre como são tratados nas famílias, nas empresas, nas instituições, nas comunidades, os talentos que surgem em meio aos semelhantes. Aos amigos leitores, proponho um pequeno exercício, procurando lembrar de quantos bons/boas profissionais, talentos artísticos, esportivos, lideranças surgiram na sua comunidade, próximo de você, mas só foram reconhecidos, só foram ouvidos, fizeram sucesso fora de casa, longe da família, da vizinhança, longe de quem conhecia o/a filho/a do/a fulano/a, que conheciam há tempos. Se estas pessoas estivessem hoje aí na comunidade, na empresa, na família, possivelmente fariam muita diferença.
Assim como Jesus não foi reconhecido por muitas pessoas em Nazaré, onde passou boa parte da vida, e na chamada “terra santa”, mas é reconhecido há mais de 2.000 anos em todo o planeta, infelizmente vemos talentos que não são reconhecidos nas empresas familiares, grandes talentos profissionais que não são reconhecidos pelos colegas da mesma empresa, e/ou lideranças, no seu município de origem. Ao invés de incentivar lideranças de base, na família, na empresa, na instituição, na comunidade, muitas vezes prefere-se acreditar mais em que está fora, em quem se conhece superficialmente, em quem “fala bonito”.
Me refiro aqui ao “santo de casa” que faz milagre “fora de casa” e a “prata da casa”, que é “ouro” em vários lugares, “fora de casa”. Tem gente “de casa” que parece ter prazer em destruir lideranças, reduzir a importância, os feitos, os talentos, pela não aceitação de que um semelhante possa se destacar e contribuir mais e melhor. Quantos jovens precisam sair das propriedades de suas famílias, das empresas de seus pais, da sua comunidade, para mostrar seu talento e fazer sucesso em outros locais, porque os semelhantes não acreditam e não permitem o uso do seu talento para melhorar o local em que vivem? Quantas pessoas precisam sair de suas cidades, para colocar em prática todo o seu talento para desenvolver outra localidade distante, que não há viu crescer e portanto, não tem preconceitos sobre esta pessoa? São pessoas que, apesar das críticas e da não aceitação de suas ideias por aqueles que estão no seu entorno, seguiram em frente, não se abalaram, não se entregaram as opiniões pessimistas e preconceituosas ao seu respeito. Apesar das críticas, do desdém, da não-aceitação, seguem o seu caminho, não perdendo o ânimo, que não pode ser baseado em opiniões, aprovações e aceitação dos outros, e sim na convicção do seu talento e seu propósito.
Com este pensamento (Hb 12, 3) “Para que vocês não se cansem e não percam o ânimo, pensem atentamente em Jesus, que suportou contra si tão grande hostilidade por parte dos pecadores.”, desejo a todos os/as “santos/as de casa” e aos “pratas da casa” que não esmoreçam diante das dificuldades impostas pelos que estão próximos, pois o mundo está diante de ti, com outras dificuldades, mas com muito mais oportunidades e necessidades dos seus talentos.
Foco, força e fé! Um abraço e até a próxima!
quarta-feira, 25 de setembro de 2019
terça-feira, 17 de setembro de 2019
Liderança regional e “miopia”
Um dos assuntos que mais se fala nas entidades associativas de setores empresariais e públicos é desenvolvimento regional. O assunto interessa a todos, impacta em muitas vidas e negócios, mas há entendimentos e especialmente ações, bastante diversas, quando se trata de desenvolver a região.
Primeiramente há diferentes formas de entender o que é região, assim como diferentes formas de entender o desenvolvimento. O que pretendo refletir hoje não é nenhum destes conceitos, e sim nas ações e decisões, tanto de governos, quanto de entidades, com intenção de desenvolvimento, mas que acabam sem efeito, ou gerando desigualdades, o que atrapalha o desenvolvimento. Muitas expressões poderiam ser utilizadas para classificar a atitude de lideranças regionais e esferas superior, que neste texto prefiro classificar como miopia.
Os bons exemplos de desenvolvimento regional conhecidos têm presença de forte articulação do poder público, com a iniciativa privada e o ensino superior. A logística, o respeito as vocações e as competências locais também são fatores determinantes dos casos bem sucedidos. Me concentro hoje em outra característica presente nos exemplos bem sucedidos do desenvolvimento das regiões, que é a cultura altruísta presente, especialmente nas lideranças dos municípios polos destas regiões.
Me refiro a cultura altruísta quando as lideranças locais e regionais entendem o quanto é prejudicial para a região, concentrar no município polo os serviços, as sedes de entidades, eventos, iniciativas, investimentos, infraestrutura, dentre outros. Decisões e iniciativas que respeitam as vocações e as competências de cada município, entendendo que o desenvolvimento precisa ser distribuído para ser conjunto, promovem uma aceleração nítida nos indicadores positivos. Infelizmente, o egoísmo, a miopia, o bairrismo, e acima de tudo, a dificuldade de entender o que é desenvolvimento regional, só faz aumentar a lista de casos em que eventos, serviços de saúde, entidades, programas, sedes de empresas existentes nos demais municípios foram transferidos para o município polo regional. Esta forma nefasta de entender a região deprime o desenvolvimento e é míope, para dizer pouco, pois não conheço regiões onde esta cultura mostrou resultados tão bons quanto a melhor distribuição de forças e oportunidades nos diversos locais.
Nas regiões em que o altruísmo das lideranças públicas, empresariais e educacionais permite distribuir investimentos e atividades fora do município polo, a economia, os negócios, os serviços, a logística e a qualidade de vida das pessoas é evidentemente melhor. Todavia, precisa grandeza de espírito, uma visão sistêmica e um entendimento privilegiado de desenvolvimento.
Infelizmente seguimos vendo a concentração no município polo de serviços de saúde, das sedes e atividades das autarquias, do “sistema s” e seus programas, das sedes de entidades associativas, das atividades de instituições de ensino, estradas, aeroporto, ponte, dentre outros. Estas atitudes egoístas, são absolutamente contrárias ao desenvolvimento, principalmente por contribuírem significativamente para o aumento das desigualdades. Esta canibalização é evidente em regiões com desenvolvimento deprimido. São locais que por longos anos percebe-se e fala-se em potencial, mas que efetivamente não conseguem se desenvolver.
Ao aumentar a desigualdade pela concentração investimentos e iniciativas nos municípios polo, deprime-se a economia e os serviços dos demais municípios, cuja população envelhece, empobrece, fica desassistida e sem saída, gerando migração e aumentando a pressão social nos municípios polo. A miopia em alguns casos, a “esperteza” em outros, assim como algum destaque político partidário que canibaliza as potencialidades locais acaba então por deprimir ainda mais o desenvolvimento regional, causando efeitos indesejados inclusive para todos.
Precisamos urgentemente de protagonistas regionais com forte altruísmo para ações de desenvolvimento mais distribuídas e no meu entender verdadeiramente inteligentes.
Um abraço e até a próxima!
segunda-feira, 9 de setembro de 2019
Inovação pessoal e nos governos
Muita gente fala em inovação, mas pouca gente inova e o motivo é bem conhecido: a resistência à mudança. Engajar as pessoas nas empresas ou nos governos é fundamental para buscar inovação. Tentar transformar o jeito de pensar das pessoas envolvidas com a evolução proposta é sempre uma tarefa difícil.
O que vimos tendo de inovação ao longo da história mudou decisivamente e para melhor a vida das pessoas, o trabalho, o lazer, a saúde, a informação, mas infelizmente ainda se sofre muito com a resistência a inovação e as mudanças. Claro que não é possível transformar tudo ao mesmo tempo e na mesma velocidade, mas mudar é uma necessidade e quem resiste geralmente está numa zona de conforto que não consegue perceber o óbvio e até repete que “é assim e pronto”, “isso nunca vai mudar”, “Não adianta, não vai funcionar.”
Ao estudar um pouco sobre como promover a inovação logo se aprende que esquecer é tão importante quanto lembrar. As crenças, as experiências e os ambientes moldam a forma como cada um vê e pensa o mundo. Como você já deve ter lido e ouvido em muitos meios: somos o que acreditamos, aprendemos e vivemos. O problema é que muita gente se molda e passa a pensar que deve ser daquele jeito para sempre. Todavia, o contexto muda rápido e com a mudança surge a necessidade de mudar também, ou ficar trabalhando, vivendo e tomando decisões com base num contexto que não é mais parte da realidade. Para quem ainda não havia se dado conta, Darwin mostrou através da teoria da evolução, que sobrevivem e prosperam aqueles seres que conseguem se adaptar melhor ao contexto que surge. Para isso, primeiro é necessário criar novas formas de pensar e isso exige esquecer algumas outras. Não porque precisa liberar espaço na mente para as novas ideias, mas porque para pensar de um jeito novo, é preciso deixar para trás ideias que não valem mais, velhos hábitos, conceitos pré-concebidos, informações, normas, leis, padrões, que não existem mais, para dar lugar ao novo. Infelizmente o número de pessoas resistentes a rever os conceitos que criou ao longo da vida ainda é grande e dependendo da posição destes nas organizações públicas ou privadas, ocorre o sacrifício de ideias, muitas iniciativas, com desmotivação e perdas.
Com mais acesso a informação e mais processos automatizados, muita coisa está ocorrendo mais rápido e precisamos enquanto sociedade questionar a todo o momento porque estas mudanças não ocorrem dentro dos governos. Porque sempre tem que ter alguém para dizer que “não dá”, que “não pode” fazer melhor, mais rápido, mais eficiente, melhor? Para os governos municipais, estaduais e federal deixar de atrapalhar o desenvolvimento e passar a contribuir mais com seu poder de influência e regulação, é preciso mudar muito desta estrutura rígida, pesada, burocrática, cara, lenta, que só gera ineficiência.
Estruturas de governança flexíveis, leves e ágeis têm sido mais eficientes, mais prósperas e têm ganho mais espaços em suas áreas de atuação. É preciso mais disposição para enfrentar a resistência daqueles que se negam a mudar a si e as práticas ao seu redor. Isso não é fácil, mas é possível, pois vemos pessoas com iniciativas, visão e propostas de inovação em vários setores públicos ou privados, e é fato que há gente fazendo muita diferença, inovando em todos estes setores.
Muitas vezes é preciso desconstruir para reconstruir. Quem não está preparado para isso, muitas vezes só aprendeu a acumular e a construir. Para inovar é preciso desapego, inclusive com o que a própria pessoa criou, construiu, acumulou no passado, que possivelmente fazia muito sentido, mas que atualmente pode ser uma barreira para avançar nos novos tempos.
As melhores inovações vêm dos grupos, pensando juntos, atentos às mudanças e as adaptações necessárias. Provoque este espírito na sua casa, na sua empresa, nas entidades em que participa. Uma pergunta importante para reflexão sobre cada assunto com o qual nos deparamos é “Qual foi a última vez que você mudou de opinião sobre isso?”
Um abraço e até a próxima!
O que vimos tendo de inovação ao longo da história mudou decisivamente e para melhor a vida das pessoas, o trabalho, o lazer, a saúde, a informação, mas infelizmente ainda se sofre muito com a resistência a inovação e as mudanças. Claro que não é possível transformar tudo ao mesmo tempo e na mesma velocidade, mas mudar é uma necessidade e quem resiste geralmente está numa zona de conforto que não consegue perceber o óbvio e até repete que “é assim e pronto”, “isso nunca vai mudar”, “Não adianta, não vai funcionar.”
Ao estudar um pouco sobre como promover a inovação logo se aprende que esquecer é tão importante quanto lembrar. As crenças, as experiências e os ambientes moldam a forma como cada um vê e pensa o mundo. Como você já deve ter lido e ouvido em muitos meios: somos o que acreditamos, aprendemos e vivemos. O problema é que muita gente se molda e passa a pensar que deve ser daquele jeito para sempre. Todavia, o contexto muda rápido e com a mudança surge a necessidade de mudar também, ou ficar trabalhando, vivendo e tomando decisões com base num contexto que não é mais parte da realidade. Para quem ainda não havia se dado conta, Darwin mostrou através da teoria da evolução, que sobrevivem e prosperam aqueles seres que conseguem se adaptar melhor ao contexto que surge. Para isso, primeiro é necessário criar novas formas de pensar e isso exige esquecer algumas outras. Não porque precisa liberar espaço na mente para as novas ideias, mas porque para pensar de um jeito novo, é preciso deixar para trás ideias que não valem mais, velhos hábitos, conceitos pré-concebidos, informações, normas, leis, padrões, que não existem mais, para dar lugar ao novo. Infelizmente o número de pessoas resistentes a rever os conceitos que criou ao longo da vida ainda é grande e dependendo da posição destes nas organizações públicas ou privadas, ocorre o sacrifício de ideias, muitas iniciativas, com desmotivação e perdas.
Com mais acesso a informação e mais processos automatizados, muita coisa está ocorrendo mais rápido e precisamos enquanto sociedade questionar a todo o momento porque estas mudanças não ocorrem dentro dos governos. Porque sempre tem que ter alguém para dizer que “não dá”, que “não pode” fazer melhor, mais rápido, mais eficiente, melhor? Para os governos municipais, estaduais e federal deixar de atrapalhar o desenvolvimento e passar a contribuir mais com seu poder de influência e regulação, é preciso mudar muito desta estrutura rígida, pesada, burocrática, cara, lenta, que só gera ineficiência.
Estruturas de governança flexíveis, leves e ágeis têm sido mais eficientes, mais prósperas e têm ganho mais espaços em suas áreas de atuação. É preciso mais disposição para enfrentar a resistência daqueles que se negam a mudar a si e as práticas ao seu redor. Isso não é fácil, mas é possível, pois vemos pessoas com iniciativas, visão e propostas de inovação em vários setores públicos ou privados, e é fato que há gente fazendo muita diferença, inovando em todos estes setores.
Muitas vezes é preciso desconstruir para reconstruir. Quem não está preparado para isso, muitas vezes só aprendeu a acumular e a construir. Para inovar é preciso desapego, inclusive com o que a própria pessoa criou, construiu, acumulou no passado, que possivelmente fazia muito sentido, mas que atualmente pode ser uma barreira para avançar nos novos tempos.
As melhores inovações vêm dos grupos, pensando juntos, atentos às mudanças e as adaptações necessárias. Provoque este espírito na sua casa, na sua empresa, nas entidades em que participa. Uma pergunta importante para reflexão sobre cada assunto com o qual nos deparamos é “Qual foi a última vez que você mudou de opinião sobre isso?”
Um abraço e até a próxima!
terça-feira, 3 de setembro de 2019
Conhecendo o consumidor
Com alguma frequência abordamos a necessidade de conhecer o consumidor dos bens ou serviços de cada empreendimento. Na semana que passou, junto com colegas professores e pesquisadores apresentamos o relatório de uma pesquisa com mais de 1.600 consumidores de diferentes faixas etárias, faixas de renda, e residentes em 3 diferentes municípios, considerados de pequeno porte em termos populacionais. Os respondentes contribuíram respondendo 43 questões, o que permitiu um mapeamento completo do perfil, expectativas, desejos, formas de decidir pelos produtos e serviços. Compartilho aqui alguns resultados, com o objetivo de auxiliar os amigos leitores na tomada de decisões sobre o seu negócio.
Nos resultados, percebe-se o comportamento do consumidor bastante sensível aos preços, especialmente aqueles com baixa escolaridade e baixos níveis de renda. Quanto a qualidade, os consumidores percebem a melhoria dos bens oferecidos nos locais onde compram e desejam a melhoria da cordialidade na atenção e no atendimento aos clientes. Apenas 37% dos consumidores se diz satisfeito com a variedade dos bens disponíveis no comércio das cidades onde reside. Pelas respostas também é possível perceber que os consumidores prestam bastante atenção ao que está nas vitrines e utilizam a informação do que veem, seja na imagem da fachada, vitrines, exposição interna ou externa, formando conceitos sobre a qualidade, o cuidado e a validade dos produtos e serviços oferecidos nos diferentes locais.
Os resultados mostram que preços dos serviços geram mais insatisfação do que os preços dos bens. Também é possível ver que os idosos, que são o segmento que mais usa e mais necessita de serviços, também é o grupo que mais reclama do preço dos serviços.
Quanto aos horários de atendimento, mais da metade dos consumidores gostaria de mudanças nos atualmente praticados na sua cidade, ficando marcante a informação de que 32% diz que gostaria de fazer compras das 18 as 22h, após seu horário de trabalho. Quanto aos dias da semana preferidos 57% afirma que prefere comprar aos sábados, sendo que outros 23% tem preferência pelas sextas-feiras e apenas 22% em qualquer dia da semana.
2/3 dos consumidores gostaria de ter acesso a mais variedade de serviços e reclama que existem poucos profissionais prestadores de serviços em diversas áreas, em sua cidade, o que denota mais oportunidades de negócios.
49% diz que faz compras semanalmente e 32%, mensalmente. Por outro lado, 60% informa que compra bens ou serviços de fora da cidade pelo menos 1 vez a cada 3 meses, sendo que preço e diversidade de opções são os motivos que levam ao comércio das cidades vizinhas. 14% aproveita os deslocamentos para serviços de saúde como consulta e exames, para fazer compras fora de da cidade onde mora. Outros 14% afirmam que fazem compras fora da sua cidade aproveitando o deslocamento para atividades de entretenimento como cinema, shows, apresentações e outros.
28,71% afirma que nunca comprou na internet, enquanto 26,34% afirma que compra na internet de 1 a 2 vezes por ano. Os motivos para preferir o e-commerce são os preços com 66,4% das citações, a variedade com 46,3% e a praticidade com 38,6% (puderam responder mais de uma opção). Fica bastante claro que a evasão de recursos do comércio local se deve bem mais pelas compras nas cidades vizinhas com comércio físico mais forte, do que na internet.
Nos resultados não há referências significativas à questões relativas a segurança como câmaras de monitoramento, por exemplo, ou seja, o consumidor de pequenas cidades, não vê a segurança como um aspecto relevante na decisão de compras. Também não há referências significativas à estacionamento, escolha por facilidades ou dificuldades em vagas próximas aos estabelecimentos preferidos. Também não há referências significativas à ruas e passeios/calçadas, espaço, manutenção, sentido das vias, dentre outros. Tantos aspectos positivos, quanto os negativos considerados pelos consumidores dizem respeito à questões internas que estão sob o total domínio de cada empresa.
Conhecer o consumidor do seu estabelecimento é a chave para desenvolver o seu negócio, lembre-se disso ao tomar decisões.
Um abraço e até a próxima!
Nos resultados, percebe-se o comportamento do consumidor bastante sensível aos preços, especialmente aqueles com baixa escolaridade e baixos níveis de renda. Quanto a qualidade, os consumidores percebem a melhoria dos bens oferecidos nos locais onde compram e desejam a melhoria da cordialidade na atenção e no atendimento aos clientes. Apenas 37% dos consumidores se diz satisfeito com a variedade dos bens disponíveis no comércio das cidades onde reside. Pelas respostas também é possível perceber que os consumidores prestam bastante atenção ao que está nas vitrines e utilizam a informação do que veem, seja na imagem da fachada, vitrines, exposição interna ou externa, formando conceitos sobre a qualidade, o cuidado e a validade dos produtos e serviços oferecidos nos diferentes locais.
Os resultados mostram que preços dos serviços geram mais insatisfação do que os preços dos bens. Também é possível ver que os idosos, que são o segmento que mais usa e mais necessita de serviços, também é o grupo que mais reclama do preço dos serviços.
Quanto aos horários de atendimento, mais da metade dos consumidores gostaria de mudanças nos atualmente praticados na sua cidade, ficando marcante a informação de que 32% diz que gostaria de fazer compras das 18 as 22h, após seu horário de trabalho. Quanto aos dias da semana preferidos 57% afirma que prefere comprar aos sábados, sendo que outros 23% tem preferência pelas sextas-feiras e apenas 22% em qualquer dia da semana.
2/3 dos consumidores gostaria de ter acesso a mais variedade de serviços e reclama que existem poucos profissionais prestadores de serviços em diversas áreas, em sua cidade, o que denota mais oportunidades de negócios.
49% diz que faz compras semanalmente e 32%, mensalmente. Por outro lado, 60% informa que compra bens ou serviços de fora da cidade pelo menos 1 vez a cada 3 meses, sendo que preço e diversidade de opções são os motivos que levam ao comércio das cidades vizinhas. 14% aproveita os deslocamentos para serviços de saúde como consulta e exames, para fazer compras fora de da cidade onde mora. Outros 14% afirmam que fazem compras fora da sua cidade aproveitando o deslocamento para atividades de entretenimento como cinema, shows, apresentações e outros.
28,71% afirma que nunca comprou na internet, enquanto 26,34% afirma que compra na internet de 1 a 2 vezes por ano. Os motivos para preferir o e-commerce são os preços com 66,4% das citações, a variedade com 46,3% e a praticidade com 38,6% (puderam responder mais de uma opção). Fica bastante claro que a evasão de recursos do comércio local se deve bem mais pelas compras nas cidades vizinhas com comércio físico mais forte, do que na internet.
Nos resultados não há referências significativas à questões relativas a segurança como câmaras de monitoramento, por exemplo, ou seja, o consumidor de pequenas cidades, não vê a segurança como um aspecto relevante na decisão de compras. Também não há referências significativas à estacionamento, escolha por facilidades ou dificuldades em vagas próximas aos estabelecimentos preferidos. Também não há referências significativas à ruas e passeios/calçadas, espaço, manutenção, sentido das vias, dentre outros. Tantos aspectos positivos, quanto os negativos considerados pelos consumidores dizem respeito à questões internas que estão sob o total domínio de cada empresa.
Conhecer o consumidor do seu estabelecimento é a chave para desenvolver o seu negócio, lembre-se disso ao tomar decisões.
Um abraço e até a próxima!
segunda-feira, 26 de agosto de 2019
Atenção a persuasão e negociações
Com o volume de informações que a cada dia aumenta, independente dos meios onde vivemos, nossa capacidade de processamento destas informações não dá mais conta. A vida moderna nos impõe um volume de mudanças, necessidades de acompanhamento e desafios, numa frequência que nos obrigamos a abrir mão de cuidados e de maior atenção sobre prós e contras em tomadas de decisões. Acaba-se recorrendo a algumas generalizações, ou abordagens por atalhos e tomando decisões baseados em poucos dados. Essa informação isolada nos permite agir quase sempre de maneira apropriada, fazendo uso de uma quantidade limitada de reflexão e tempo, porém, aqueles que sabem como esta situação pode ser explorada, a transforma numa arma que pode nos influenciar a agirmos como lhes convém.
As dinâmicas de comunicação e de negociação envolvem um conjunto de detalhes que exigem atenção aos detalhes para evitar prejuízos no campo pessoal, carreira e negócios. É certo que habilidades e competências precisam ser aprimoradas constantemente, com esta dinamicidade, mas sem atenção aos detalhes do nosso comportamento frente as ações de nossos interlocutores, não será possível utilizar nosso potencial. Trago hoje uma reflexão baseada em autores como Roger Fischer, professor de Harvard e autor de “Como chegar ao sim” e Robert Cialdini, Psicólogo, PhD, professor da Universidade do Arizona, consultor e autor de alguns best sellers sobre persuasão, negociação e comunicação.
Cialdine explica como funciona o mecanismo da persuasão, quais fatores psicológicos influenciam nosso comportamento e o que podemos fazer para nos defender dos profissionais que se especializam em se aproveitar de reações impensadas, ou decisões baseadas em poucas informações. Os autores citados analisam de forma minuciosa e clara seis armas de influencia que conduzem nossa vida, sendo eles a reciprocidade, o compromisso e coerência, a aprovação social , a afeição, a autoridade e a escassez. Com exemplos esclarecedores o autor explica quais são as circunstâncias em que ficamos mais vulneráveis aos aproveitadores, como podemos reconhecer que estamos sendo persuadidos a agir contra nossos interesses e como decidir por conta própria.
Reciprocidade é uma das 6 “armas”, pois nos sentimos compelidos a retribuir o que a pessoa nos proporcionou, porém, nem sempre de forma vantajosa para nós.
Compromisso e coerência é outro fator chave, especialmente porque depois que fizemos uma escolha, enfrentamos pressões para nos comportarmos de maneira condizente com o compromisso assumido.
Aprovação social é outra destas armas, pois é tendência buscarmos nos outros, indícios do comportamento mais apropriado a seguir.
Afeição é considerada outra arma, pois preferimos acatar pedidos de pessoas que conhecemos e de que gostamos.
Autoridade também é uma importante arma, pois todos nós temos um arraigado e notório senso de obediência à autoridade.
Por último e não menos importante, temos a arma da escassez, pois tudo se torna mais valioso quando fica menos disponível.
É muito importante que cada um de nós que está sob a pressão de muitas atividades e tem pouco tempo para a tomada de decisões, passe a observar com mais atenção aos detalhes, o quando somos persuadidos por estas 6 “armas”, pois quem sabe utilizá-las pode nos levar a tomar decisões que podem não nos ser favoráveis em compras, vendas, doações, concessões, votos, permissões, dentre outras.
Um abraço e até a próxima!
segunda-feira, 19 de agosto de 2019
Somos o que sentimos
Assim como há quem diga que fisicamente somos o que comemos, é possível dizer que psicologicamente somos o que sentimos. O que pensamos e sentimos é tão forte que podemos mudar nossa própria biologia, a partir do que pensamos e sentimos, como é o caso das doenças psicossomáticas, ou ainda, questões de gênero.
Nosso corpo, nossa saúde, nossas atitudes e ações estão ligadas diretamente aos pensamentos que criamos, sendo constantemente modificados por eles. Nossos pensamentos por sua vez, são determinados por nossos sentimentos em relação as mais diferentes passagens de nossa vida. Em outras palavras, os sentimentos determinam os pensamentos e estes as ações e a saúde mental e física.
A qualidade dos pensamentos, baseados no amor, na coragem, no bem, na paz, ou então na dor, no medo, tem mais impacto do que pensamos. As ondas de pensamentos produzem efeitos completamente diferentes no corpo e na mente, como é o caso dos surtos de depressão, que baixa a imunidade, oportunizando o surgimento de outras doenças, assim como a paixão, que parece fortalecer em muito as pessoas. A alegria e a realização nos mantém saudáveis, fortalecem e prolongam a vida.
Dizem os pesquisadores, que relembrar situações estressantes, que não passam de um “fio de pensamento”, porém, liberam hormônios destrutivos como as situações de estresse. É possível ver que quem está deprimido por uma perda de emprego, ou de uma paixão, por exemplo, pode estender os efeitos negativos por todas as partes do seu corpo. Por outro lado, quando a pessoa muda o foco de atenção e a origem de seus pensamentos, oportunizando sentimentos de amor, paz, bem querer... tudo pode mudar ao seu redor.
Como está nosso corpo hoje, em parte é resultado do que pensamos ontem e os pensamentos, resultados de como nos sentimos hoje. Se queremos melhorar aspectos físicos e mentais, precisamos primeiro, mudar para melhor nossos pensamentos.
A Psicanalista, Mestre, Simone Demolinari afirma que “Emoções positivas como gratidão, bondade e amor estimulam a produção de uma substância chamada oxitocina. À medida que ela é absorvida pelo nosso organismo nossos vasos sanguíneos dilatam, o que propicia a diminuição da tensão arterial. Conclusão, quem produz oxitocina com frequência tem menos chances de desenvolver doenças cardíacas. Este é apenas um de inúmeros exemplos que temos conhecimento.” Ela afirma também, que por outro lado, “Emoções negativas como raiva, medo e ansiedade podem estimular a produção de cortisol, elemento químico do estresse, que faz com que o corpo entre num estado de alerta como se estivesse correndo risco de morte ou precisasse lutar ou fugir. Como tal ameaça não existe, a química acaba sendo absorvida pelo organismo passando de remédio para veneno.” Ou seja, rapidamente chega-se a conclusão que ou você abre seu coração agora, ou algum cardiologista o fará por você! Brincadeiras de mau gosto a parte, precisamos aumentar o foco nas boas perspectivas e reduzir o foco naquilo que não gostamos.
Estamos num período longo de recessão e estagnação, com repetição de alertas para o risco de depressão econômica. A pior face desta situação é o foco dos assuntos, nas reuniões, rodas de conversas, mídia, testemunhos, que ficam ao redor do negativismo, das falas e notícias ruins, daquilo que não funciona, das frustrações, pois esperamos que o próximo período seja melhor, mas as melhorias não se apresentam. Este tipo de reação individual, que se multiplica rapidamente, viraliza, não só faz mal para a economia e sociedade, que paralisa e recua em todos os empreendimentos e investimentos, mas faz muito mal aos indivíduos afetando a saúde física e mental.
Precisamos abrir pensamentos, melhorar os sentimentos e focar nas coisas boas, caso desejarmos ter algum futuro com possibilidade de prosperidade para nossas vidas, nossos filhos e nossos negócios.
Um abraço e até a próxima!
sexta-feira, 9 de agosto de 2019
Mente aberta
O fundamento
maior da nossa sociedade é a liberdade, se ramificando em aspectos que vão do
econômico ao comportamental. Todavia, por um determinado prisma, esta
liberdade, ou o mundo livre, está mais na teoria do que na prática.
Em termos
econômicos especialmente no Brasil, sempre fomos e seguimos dominados pelo
Estado, sendo um dos países do mundo com menores indicadores de liberdade na
economia, finanças, empreendimentos. Quanto aos costumes, na prática somos
reprodutores da ordem vigente em diversos aspectos. Viver em sociedade requer
regras comportamentais e econômicas a fim de manter o convívio social dentro de
certos limites, o que torna a liberdade ilimitada impossível, uma utopia, considerando
que em quase tudo há contrapontos e limitações.
O que pretendo refletir
com os leitores, é que apesar de termos pontos limitadores econômicos, sociais,
ambientais e comportamentais, eles são amplos o suficiente para mentalidades
mais abertas a pensamentos e ações além do que estamos habituados. Digo isso
por que é comum vermos nas escolas, universidades, empresas, associações, na
igreja e na política, pessoas agindo como escravos do pensamento alheio, dos
conceitos que consideram imutáveis, das convenções e dos padrões criados num
determinado tempo.
O que se percebe é a forte tendência para a acomodação de muitas
pessoas, na condição econômica, social e
comportamental. Temos uma parte da sociedade que reluta para sair da sua
condição social mesmo sendo muito precária, pois implica em mudanças de
hábitos, de costumes, de rotinas. São mentes fechadas nos limites criados parte
pela sociedade, mas também em boa parte por suas próprias crenças que as fazem
sentir incapacitadas para ampliar pensamentos e ações. Uma das perguntas mais
importantes a fazer é: Quanto cada um está disposto a enfrentar dificuldades
para ampliar a liberdade econômica e comportamental?
Precisamos de mais mentes abertas e assim também auxiliar mais
pessoas à abrir a mente para novas formas de ver a própria vida, a vida ao seu
redor e a sociedade. Mentes que permitam às pessoas ousar mais, romper
paradigmas, desafiar o “sempre foi assim”, experimentar situações diferentes e
ver a si e aos outros de formas diferentes. A filósofa e economista Rosa
Luxemburgo dizia que “Quem não se movimenta, não sente as correntes que o
prendem”. Abre mais a mente aquele se movimenta, corre, gesticula, fala.
A conhecida frase de Albert Einstein “uma mente que se abre
jamais volta ao tamanho original” pode ser dita em outras palavras, como a
mente que se liberta de velhos hábitos, conceitos limitadores, costumes que a
escravizam, não aceitará retornar à prisão. Por mais condições adversas que
muitos estejam passando é preciso lembrar que a autonomia é individual, interna,
dependendo somente da pessoa, independente das questões que a cercam, do
ambiente externo. Superar medos, timidez, rancores, preguiça, negativismo
depende de autonomia, que é individual. Muitas pessoas com estas dificuldades têm
a prisão dentro de si mesmas, não ao seu redor. Aquela frase popular “a chave
que prende é a mesma que liberta” segue valendo.
Nossa sociedade terá mais oportunidade de mudar para melhor, com
mais mentes abertas. Assim, precisamos ajudar a quem está próximo, incentivando
e instigando os novos jeitos de olhar o mundo e produzir novos conceitos para
si e para o outros. Umas das piores prisões é uma mente fechada. Mas é um esforço
individual e diário abrir a mente e mantê-la aberta. No caso das organizações,
o esforço precisa ser coletivo e cooperativo, para ampliar os horizontes com
novos conceitos e contextos.
Mente aberta, gente! Um abraço e até a próxima!
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