sexta-feira, 1 de novembro de 2019

Encare a realidade das organizações

        O texto da semana passada provocando a reflexão sobre a motivação ou direção das pessoas nas organizações gerou bons feed backs, instigando a sequencia do assunto por outros desdobramentos. Um dos desdobramentos é saber encarar a realidade do mundo do trabalho e das organizações.
        Por vezes demonizado por questões ideológicas, o mundo do trabalho e das organizações é, por outro lado, excessivamente romantizado. Encarar a realidade é ter presente que não é um extremo, muito menos o outro! Para vivermos bem e prosperar no mundo do trabalho é preciso encarar com racionalidade as realidades. O trabalho tende a proporcionar satisfação, orgulho, mantem o corpo e a mente ativa e saudável, em função das pessoas se sentirem uteis e cumprirem com um propósito na sociedade gerando renda para si, para outros, e tributos para a comunidade. Por outro lado o compromisso que se espera das pessoas nas organizações, vem de uma pequena parte, de quem tudo depende. 
         Uma pesquisa do Instituto Gallup, mostra que 57% dos trabalhadores não está comprometida/engajada com o seu trabalho, ou seja, embora tenham potencial produtivo, não se sentem conectados com a empresa e nem colocam muita energia no desempenho de suas funções, se tornando mais propensos a perder horas e dias de trabalho pago pela organização. Para piorar o estudo mostra que 21% das pessoas está ativamente descomprometido, ou seja, seria muito bom se não fossem ao trabalho, pois deliberadamente não fazem o que devem ser feito e ainda acabam por desmobilizar outras pessoas da organização, por se sentirem infelizes, desmotivados, e minando o que os mais engajados fazem. Os 22% restantes são os considerados engajados, ou seja, pessoas que trabalham com paixão, comprometidos com a organização, com a marca, com os clientes, tendendo a produzir, inovar, atrair prosperidade, sustentando toda a organização.
         Esta é uma pequena demonstração da dificuldade de se liderar equipes e gerir negócios: contar com menos de ¼ de pessoas engajadas dentre aquelas que recebem salário, benefícios e custam encargos em sua equipe. Quem fizer uma análise precisa vai perceber que tirando os que não contribuem e atrapalham, os resultados vão melhorar.  
         Quando se entra para a liderança, “de cabeça”, querendo fazer uma gestão profissional, fatalmente se começa a entrar em certas áreas “cinzas” do mundo do trabalho e dos negócios. Por exemplo, passa-se a descobrir que muitas pessoas contratadas por você escondem a verdade, maquiam informações e números e que ao invés daquele engajamento que prometeram ao ser contratadas, estão negligenciando o atendimento ao cliente, a produção, o cuidado com a organização e com os colegas.
         Muitas vezes as dificuldades geradas em diferentes setores das organizações são fruto da falta de comunicação e de organização. Muitos executivos acreditam que são grandes comunicadores, mas isso não corresponde com a realidade, conforme suas equipes, onde parte atribui erros a falta de comunicação. É preciso que lideres e liderados encarem a realidade e não alimentem falsas expectativas. As pessoas querem e precisam ser ouvidas para receber a orientação correta e segura do que precisam fazer para alcançar os resultados necessários. Ao falar a verdade, a tendência é de se ouvir mais a verdade e isso precisa ser praticado nas equipes.
        O que motiva as pessoas é a busca do sucesso, da prosperidade, do reconhecimento. O medo só afasta, encolhe e inibe quem poderia fazer alguma coisa, além de ser a desculpa perfeita para quem não quer fazer nada. Quem atinge bons resultados é celebrado e naquele momento a pessoa é o centro da equipe. Para muitas pessoas este sentimento de ser bem-sucedido é muito mais estimulante do que para outros. É preciso aproveitar melhor estas pessoas e valorizar mais estes momentos. 
        Encare a realidade, de que as pessoas não precisam ser motivadas, os engajados precisam de direção e atenção para produzir mais e alguns outros, não vão mudar com as tentativas de motivação externas, enquanto não mudarem internamente.
Um abraço a todos e até a próxima!

As pessoas precisam de direção

Dias atrás, com uma turma de graduação, fizemos uma discussão sobre como os líderes podem e como devem motivar suas equipes. Há muita gente que defende que o líder deve ser um grande motivador das pessoas das suas equipes, mas estou entre os que defendem que o líder deve ser um direcionador das habilidades, competências e atitudes das pessoas da equipe. 
Penso que palavras e atitudes de estímulo, são chaves na função de quem lidera o processo, pois quando esta figura perde esperança, fica pessimista, tudo começa a ruir. Porém, quem lê esta coluna há mais tempo sabe que defendo que cada um de nós que precisa alimentar, dar boa educação e saúde para si e para os filhos viverem dignamente, tem motivação de sobra para fazer o máximo todos os dias, desde que acorda. Fico estimulado, cheio de energia para assumir novos desafios, inovar, fazer, quando recebo reconhecimento e estímulo da liderança. Todavia, motivação vem de dentro de cada um e creio que não pode haver maior motivação para um profissional do que manter uma boa marca pessoal e prover a sua vida e a vida de seus mais queridos de forma digna.  
Ao invés de defender que o líder seja o responsável pela motivação das pessoas, proponho que o líder seja o responsável pela direção dos profissionais da sua equipe. Se motivação vem de fatores internos, o que precisamos do líder é de direção. 
        Ao que parece, durante toda a história, nunca foi necessário que a grande maioria das pessoas tivesse que perguntar “O quê eu tenho que fazer?". A cultura criada ao longo da história foi dizer o quê tinha que ser feito. Esse tempo acabou, ou está acabando para um número cada vez maior de atividades, pois atualmente os profissionais precisam aprender a perguntar:
- O que eu devo fazer?
- Qual deveria ser a minha contribuição para a empresa?
- Olhando para as minhas forças, a minha performance e os meus valores, como eu poderia fazer a grande contribuição que a minha empresa precisa?
- Quais resultados precisam ser atingidos para fazer a diferença?                
Os líderes absolutamente determinados a serem bem-sucedidos irão encontrar sempre as pessoas certas para atingir juntos os objetivos coletivos.  Nós precisamos de líderes! Iniciativa privada, organizações comunitárias, setor público nas várias instâncias, precisam de líderes autênticos, ou seja, seres humanos com um profundo senso de propósito e que sejam verdadeiros com seus valores.
Precisamos de líderes dispostos a encarar a realidade, que definem metas e prioridades claras, e que acompanhem o projeto do início ao fim. Precisamos de líderes que recompensem quem faz as coisas acontecer e que se preocupem em desenvolver a capacidade dos seus comandados. 
Como conjunto de sociedade vivemos uma carência de lideranças em termos de qualidade e quantidade. Precisamos estimular mais pessoas para assumir a liderança de processos, assim como precisamos qualificar as lideranças que tem surgido, para que esta função que é vital, seja exercida com foco em objetivos coletivos e altruístas.
Um abraço a todos e até a próxima!

sexta-feira, 18 de outubro de 2019

O que fazer imediatamente

       
       Circulando por aí tenho uma grande satisfação ao ouvir pessoas dizer que leram esta coluna, alguns que afirmam que recortam algumas delas e colocam no mural dos colaboradores da empresa, e/ou que compartilharam com a família. Amigos leitores que dão sugestões de assuntos, aprofundamento de assuntos já abordados, dicas, complementam, contrapõe, contribuem para decidir o foco dos próximos textos. Assim, nesta semana escrevo para aqueles que dizem algo como “...tem sido legal ler como planejar, inovar, reorganizar, mas eu gosto mais de ler as coisas que dá fazer mais imediatamente...”
Planejar, inovar, reorganizar pode e deveria ser imediatamente tanto na minha organização, quanto na de muitos leitores. Mesmo assim, arrisco aqui algumas linhas de ações que podem ser desenvolvidas imediata e urgentemente. 
Definir as áreas de maior impacto do negócio e marcar reuniões semanais de uma hora para cada assunto, com a elaboração de um plano de ação, anotando pontos chaves, datas, metas e responsáveis. As vezes, reuniões de 20 minutos podem ser o suficiente. Que áreas de impacto? – O que mais impacta no seu negócio: vendas, atendimento e relacionamento com o cliente, tecnologia, relacionamento interno, desenvolvimento das pessoas, melhoria de produtos (bens ou serviços), marketing, finanças, logística, relacionamento com fornecedores. Se você tiver um plano de ação para cada um destes pontos já vai ver muita coisa boa para fazer imediatamente e na sequencia.
Ao invés de agir reativamente a partir dos problemas que são trazidos a você, a reunião semanal com data, hora e pauta agendada e informada antecipadamente, pode ajudar a definir a agenda do dia, da semana, da quinzena. É preciso foco para resolver os problemas que precisam ser resolvidos, e evitar o gasto de energia em situações que dispersam a atenção e o foco. 
        Mantenha um plano de ação ativo, atualizando a cada semana, para cada área de maior impacto. No plano devem ser anotadas para ficar a sua vista: ações a serem realizadas pelo setor,  compromisso das pessoas envolvidas, projetos, datas para entregas, fontes de recursos, parcerias, dentre outros. 
        Para ver resultados imediatamente é importante lembrar que ao abrir um assunto, tocar um ponto, é preciso ir até o fim. E também  valorizar os resultados positivos, mesmo que forem pequenos. Neste cenário, quem prefere e precisa de ações imediatas, pode optar por ganhos pequenos e constantes. 
        É muito importante planejar o dia, alocar tempo para cada tarefa e ficar dentro do tempo definido. Esta é uma ação simples, que contribui muito com o aumento da produtividade. Isto inclui as redes sociais, que tomam muito tempo de muitas pessoas, podendo ser um ladrão de produtividade, fazendo o tempo “sumir”, sem que algumas tarefas planejadas sejam executadas.
        Os projetos mais difíceis devem ser priorizados. Por vezes parecemos muito ocupados, mas para motivar os outros e ter uma carreira promissora, precisamos mesmo é parecer produtivos! Para ter uma equipe produtiva, é preciso examinar como cada um prioriza as tarefas do dia e auxiliar a todos a serem mais produtivos, terem foco nos resultados e gerar prosperidade para o negócio. Auxiliar a equipe a ser mais produtiva também é imediato e é para fazer todos os dias! Alguns estudos sobre produtividade mostram que 80% do que é deixado para fazer depois, nunca é feito. Ao selecionar as suas prioridades e ao auxiliar os outros nas escolhas do que fazer a cada semana, ou a cada dia, é preciso se perguntar se é possível viver bem sem aquilo. Esta pergunta é importante, pois muitas vezes nos damos conta de que ficamos apreensivos, gastamos muito tempo e energia em assuntos ou problemas que se resolvidos, tem baixo impacto e se não resolvidos também geram pouco, ou nenhum impacto. Ao priorizar, comece por aquilo que dá para deixar para trás.
        Bem, estão aí, algumas ações para fazer imediatamente. Mãos à obra!
Um abraço a todos e até a próxima!

quinta-feira, 17 de outubro de 2019

Liderança

       
        Já refletimos muito por aqui sobre liderança e não há dúvida de que precisamos discutir o assunto seguidamente, pois sendo líderes ou liderados, precisamos aprender continuamente. Melhorar a atividade de liderança, desenvolve o grupo e gera melhores resultados.
As reuniões da equipe e a participação de todos é prioridade. A não ser que aconteça alguma super-emergência com algum cliente, todos devem participar da reunião, e chegar no horário. Tem líder e liderado que negligencia este ponto básico dos grupos e se este for o caso do seu grupo, é por aqui que as melhorias precisam iniciar. Também é importante provocar opiniões diferentes entre os membros do grupo e entre os funcionários.
Se você disser que vai fazer alguma coisa, faça. Todos esperam pelo que foi assumido publicamente. Caso surja algum imprevisto para entregar o prometido, quem se comprometeu a fazer a atividade, deve avisar a quem estiver esperando, com antecedência. 
Na atividade de liderança, ser receptivo a novas idéias é fundamental. Uma das atitudes mais desmotivadoras e desmobilizadoras é responder a uma proposta inovadora contando velhas histórias sobre quem tentou fazer e não conseguiu. Dizer que não pode ser feito, é só para quando houver um estudo aprofundado.
       Todo sucesso que tivermos é uma conquista da equipe e neste sentido, toda a falha é uma oportunidade para o grupo se corrigir, aprender algo novo e melhorar. Nem o líder, nem os liderados devem apontar culpados. Todas as discussões de idéias, angústias, inseguranças e incertezas dentre os membros do grupo devem permanecer dentro do grupo. Falar mal de um membro do grupo, ou relatar discussões de  reuniões para fora do grupo denota falta de maturidade.
       As equipes devem manter os princípios escritos, impresso e a vista, para ter sempre em mente e não esquecer o que deve guiar o seu comportamento. Quando necessário, os princípios devem ser usados durante as reuniões para relembrar algum membro do grupo sobre o que precisa ser levado em consideração antes de tomar alguma decisão. É preciso que todos permitam ser interrompidos quando suas atitudes e comportamentos não estiverem de acordo com os princípios, por qualquer membro do grupo. 
       Cada membro da equipe deveria investir 2 horas por semana do seu tempo para elaborar idéias, atividades, comportamentos que serão avaliados em reunião e que podem gerar novos negócios ou mesmo reformatar velhos negócios. É fundamental manter-se focado em metas tangíveis e comprometer-se publicamente com resultados mensuráveis. 
       Os membros da equipe precisam confiar uns nos outros 100% do tempo para que os princípios sejam vividos na prática. Confiança existe quando: um membro do grupo compartilha as informações que possam ter impacto sobre o trabalho de um outro membro do grupo; compartilha pontos de vistas, experiências, ou mesmo admite falhas e erros; avisa os colegas com antecedência quando não conseguir cumprir um prazo determinado, compromete-se a pensar sobre “para quem delegar essa atividade” para que a entrega seja feita no prazo. É preciso falar abertamente, com sinceridade e transparência, quando não concordar com alguma ideia que esteja sendo exposta, seja educado e ofereça uma visão alternativa. Nunca discorde de uma ideia sem ter a sua sugestão, dados consistentes que refutam a justificativa, ou proposta de solução alternativa.
        Discuta regularmente entre os membros do grupo a performance da empresa e sua própria performance considerando metas, métricas e comportamentos e peça para que todos os membros do grupo apresentem suas metas, métricas e resultados. 
        E por último e muito importante, encare os problemas assim que surgirem. Falar a verdade é sempre o melhor e quando não souber qual é a verdade, investigue e questione. Assim, teremos uma relação de líderes e liderados mais honesta, mais duradoura e mais saudável.
Um abraço a todos e até a próxima!

sexta-feira, 4 de outubro de 2019

O óbvio precisa ser feito

“O óbvio precisa ser dito” é uma frase que ouvimos com certa frequência, e hoje reflito com os amigos leitores sobre o óbvio também precisa ser feito em muitos casos. Nós defensores da inovação, motivadores do empreendedorismo, da tecnologia, estamos sempre estimulando as novidades e a fazer o que nunca foi feito, para deixar velhos hábitos, vícios e até cometer erros novos. O que por vezes se esquece nesta tentativa de muita gente que quer colocar o Brasil no caminho da nova economia, é que o óbvio precisa continuar sendo feito.
       A profissionalização da gestão e uma boa liderança seguem sendo prioridade para as organizações que precisam inovar para se manter na atividade. É óbvio, mas precisa ser feito, assim como observar as organizações ao nosso redor, para identificar, compartilhar e auxiliar na melhoria da gestão e competitividade.
       Todas as pessoas da equipe precisam se preocupar com a satisfação do consumidor. É necessário estimular a equipe para que todos estejam comprometidos com a cultura de atenção ao cliente e para que isso seja disseminado a ponto de um colega auxiliar o outro no melhor atendimento as demandas dos prospects e dos clientes, como um esforço diário. Isso todos dizem que sabem, mas quando não se faz, na verdade, ainda não se sabe!
       Caixa de sugestões, pesquisas de satisfação, Facebook, grupos de clientes no Whatsapp, Twitter, Instagram, Chats, Reclame Aqui, 0800, SAC, dentre outros, devem ser monitorados o tempo todo, para que a organização possa agir o mais rápido possível nos encaminhamentos. É preciso lembrar que atualmente o cliente escolhe o canal, a hora e o dia em que quer se comunicar com a empresa, e muitas vezes não é no horário de expediente. É importante estar presente em todos os canais, para cuidar bem do seu cliente e não ter surpresas desagradáveis. Veja que até um terceiro informar que circulam comentários a respeito de sua empresa ou seus produtos, muita gente já pode ter se envolvido. Mesmo ao receber elogios, é preciso agir agradecendo rapidamente e copiando a mensagem tanto para prestigiar o cliente, quando para utilizar em motivações internas ou em promoções externas. As queixas devem ser resolvidas de maneira rápida, eficiente e preferencialmente com alguma compensação, se o cliente ficou com a sensação de que teve algum prejuízo. É obvio, mas precisa ser lembrado e feito!
        Você e sua equipe devem estar dispostos a escutar o que não gostam. Há muitos casos de pessoas que assumem cargos de gestão e ainda não estão bem preparadas para a função. É preciso que os líderes estejam atentos às informações passadas por seus subordinados, mas normalmente, as pessoas não gostam de relatar determinados problemas aos seus superiores. Executivos experientes dizem que para crescer numa organização é preciso ver como o cliente está sendo atendido pessoalmente e verificar quais problemas os subordinados não gostam de relatar.
        Embora a grande maioria das centrais de atendimento sejam terceirizadas e com o avanço da inteligência artificial, uma boa parte já está robotizada, esta prática não é adequada no que tange ao estímulo para as equipes, pois nossas equipes precisam “se incomodar” com os processos internos ainda não resolvidos, quando o um cliente reclama da empresa. Se este serviço é terceirizado, os novos processos, as novas ideias podem ficar mais lentas e até se perder. Sempre que possível, o atendimento deve ser próprio.
        Cuidar bem dos clientes atuais de modo que estes tragam mais clientes, é uma ação de visão estratégica de médio e longo prazo, assim como a sensibilidade do mundo ao redor, a valorização das novas ideias, o alinhamento das iniciativas atuais e futuras com os objetivos de longo prazo são ações óbvias, que precisam ser relembradas e principalmente, feitas!
        Finalizo mantendo o otimismo com as inovações que precisamos realizar em nossas organizações e reforçando que é preciso lembrar e principalmente fazer o que é óbvio, que muitos  dizem que sabem, mas nem sempre fazem.
        Um abraço a todos e até a próxima!

quinta-feira, 3 de outubro de 2019

Contratar bem e delegar

Contratar bem e delegar são dois dos maiores desafios enfrentados por empresários e executivos, independentemente do tamanho, ramo ou setor da organização. Hoje vamos refletir sobre algumas visões a respeito.
        “Cerque-se de gente grande, delegue autoridade e saia do caminho” disse Ronald Reagan, Presidente dos Estados Unidos por 2 mandatos na década de 80. A frase se tornou célebre por sintetizar uma importante lição sobre liderança, incrivelmente atual, pois é o que se preconiza no modelo de gestão adotado nas empresas mais inovadoras do mundo. 
        É bastante evidente que todas as organizações precisam de boas pessoas e bons profissionais, e também quase todos sabemos que estes vão fazer melhor o seu trabalho, se tiverem bons líderes. Muitas são as competências e as habilidades necessárias para ser um bom líder em organizações complexas e ambientes altamente desafiadores. O velho ditado de que “mar calmo não faz bom marinheiro” também serve para a liderança organizacional, pois mesmo quem tem muita experiência frente uma organização ou mais de uma, que nunca passou por dificuldades, quando vive a primeira crise interna ou externa, sofre bastante. 
        Dentre as habilidades que um bom líder precisa ter, uma das mais importantes é saber o momento de delegar e “sair do caminho”, para que os bons profissionais que contratou e preparou façam o seu melhor. Um líder de uma organização que precisa ser totalmente comprometida com o processo contínuo de busca pela inovação precisa saber o momento certo para “sair do caminho” como propôs Reagan, ou seja, contratar boas pessoas, preparar bons profissionais, delegar funções e autoridade e depois deixá-las em paz para fazer o que precisa ser feito.
        A gestão de pessoas das organizações vai se tornando o “coração do negócio”, quando são capazes de canalizar e qualificar o espírito corporativo e a cultura organizacional. Os profissionais da organização devem se sentir seguros para propor e experimentar coisas novas, sem o risco de serem ridicularizadas, sofrerem preconceito, pelas suas ideias ou até punidas por falharem na tentativa de inovar e acertar nos resultados. 
       “Sair do caminho” é permitir que todas as pessoas sintam que podem contribuir e permitir que os bons profissionais façam aquilo que estudaram e acreditam. Significa deixar o caminho livre para que coisas novas sejam realizadas, sem intervenções tão frequentes e intensas que podem comprometer e até derrotar a proposta internamente, dissipando uma boa ideia, ou distorcendo tanto que podem nascer velhas. Para que as pessoas atinjam o máximo de suas capacidades e possam extravasar olhares ainda não percebidos pelas organizações, é preciso confiança nos talentos delas e liberdade para que atuem com o que podem fazer de melhor.
        Com o avanço tecnológico, os humanos deixaram de ser um “recurso” e passaram a ser a alma das empresas e como tal precisam ser tratados. As organizações precisam evoluir com urgência, mas sem talentos humanos, nenhuma organização existe. O modo de agir que muda de pessoa para pessoa, a interação social, a maneira como interpretam-se os dados para a tomada de decisões, entender a mentalidade e o comportamento, dificilmente serão substituídos por máquinas. Então, as máquinas até podem produzir coisas de qualidade impecável, mas elas continuam dependendo de gente e gente precisa de boas lideranças que saibam contratar e deixar bons profissionais fazerem o seu melhor.
        Se o texto fez você pensar, vai lá e faz alguma coisa, pois é assim que a sua organização se desenvolve, ou seja, fazendo!
        Um abraço e até a próxima!

quarta-feira, 25 de setembro de 2019

O profeta não é ouvido em sua pátria

     Jesus e seus apóstolos, afirmavam que o Espírito estava sobre Ele, mas boa parte dos que conheciam a pessoa simples da aldeia, o filho de José e Maria, que sequer era sacerdote, consideravam muito ousadas as suas afirmações: porque logo ele seria um profeta, quanto mais o filho de Deus? Quem era ele para pregar em nome de Deus, propor mudanças no modo de agir das pessoas e dos governos, propor o Ano do Jubileu, por exemplo, que significaria um tempo para parar de acumular, dar descanso à terra, perdoar as dívidas contraídas pelos mais pobres, buscar a igualdade, dentre outras. Em Lucas (4,25-27) “Os de casa rejeitam, quem é estrangeiro acolhe”, verifica-se a consciência de Jesus de que nenhum profeta tem suas propostas bem recebidas na sua própria pátria.
     Trago esta passagem bíblica para refletirmos um pouco sobre como são tratados nas famílias, nas empresas, nas instituições, nas comunidades, os talentos que surgem em meio aos semelhantes.  Aos amigos leitores, proponho um pequeno exercício, procurando lembrar de quantos bons/boas profissionais, talentos artísticos, esportivos, lideranças surgiram na sua comunidade, próximo de você, mas só foram reconhecidos, só foram ouvidos, fizeram sucesso fora de casa, longe da família, da vizinhança, longe de quem conhecia o/a filho/a do/a fulano/a, que conheciam há tempos. Se estas pessoas estivessem hoje aí na comunidade, na empresa, na família, possivelmente fariam muita diferença.
     Assim como Jesus não foi reconhecido por muitas pessoas em Nazaré, onde passou boa parte da vida, e na chamada “terra santa”, mas é reconhecido há mais de 2.000 anos em todo o planeta, infelizmente vemos talentos que não são reconhecidos nas empresas familiares, grandes talentos profissionais que não são reconhecidos pelos colegas da mesma empresa, e/ou lideranças, no seu município de origem. Ao invés de incentivar lideranças de base, na família, na empresa, na instituição, na comunidade, muitas vezes prefere-se acreditar mais em que está fora, em quem se conhece superficialmente, em quem “fala bonito”. 
     Me refiro aqui ao “santo de casa” que faz milagre “fora de casa” e a “prata da casa”, que é “ouro” em vários lugares, “fora de casa”. Tem gente “de casa” que parece ter prazer em destruir lideranças, reduzir a importância, os feitos, os talentos, pela não aceitação de que um semelhante possa se destacar e contribuir mais e melhor. Quantos jovens precisam sair das propriedades de suas famílias, das empresas de seus pais, da sua comunidade, para mostrar seu talento e fazer sucesso em outros locais, porque os semelhantes não acreditam e não permitem o uso do seu talento para melhorar o local em que vivem? Quantas pessoas precisam sair de suas cidades, para colocar em prática todo o seu talento para desenvolver outra localidade distante, que não há viu crescer e portanto, não tem preconceitos sobre esta pessoa? São pessoas que, apesar das críticas e da não aceitação de suas ideias por aqueles que estão no seu entorno, seguiram em frente, não se abalaram, não se entregaram as opiniões pessimistas e preconceituosas ao seu respeito. Apesar das críticas, do desdém, da não-aceitação, seguem o seu caminho, não perdendo o ânimo, que não pode ser baseado em opiniões, aprovações e aceitação dos outros, e sim na convicção do seu talento e seu propósito.
     Com este pensamento (Hb 12, 3) “Para que vocês não se cansem e não percam o ânimo, pensem atentamente em Jesus, que suportou contra si tão grande hostilidade por parte dos pecadores.”, desejo a todos os/as “santos/as de casa” e aos “pratas da casa” que não esmoreçam diante das dificuldades impostas pelos que estão próximos, pois o mundo está diante de ti, com outras dificuldades, mas com muito mais oportunidades e necessidades dos seus talentos.
     Foco, força e fé! Um abraço e até a próxima!
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...