quarta-feira, 31 de agosto de 2022

As competências comportamentais

 


Aprender sobre a carreira é sempre importante e quanto mais cedo as famílias e as escolas auxiliarem os jovens neste sentido, melhores serão suas escolhas. Saber quais são as habilidades comportamentais mais requeridas pelas empresas é um dos pontos importantes neste aprendizado.

Com o mundo do trabalho cada vez mais automatizado, uma das dúvidas é “qual é o papel do ser humano no mundo corporativo?”. É comum pensar que se destacarão os profissionais com habilidades em tecnologia, porém, este pensamento não é completo e nem retrata a realidade. As empresas também estão mais atentas às soft skills, como são as chamadas habilidades comportamentais que incluem criatividade, competências emocionais e pensamento crítico, por exemplo. 

Já sabemos que as máquinas fazem tarefas repetitivas bem melhor que os seres humanos. Neste cenário, as pessoas serão cada mais valorizadas pela capacidade de resolução de problemas complexos. Quem tem uma única hard skill (habilidade técnica) como seu diferencial, tende a ter mais dificuldades na carreira. Do ponto de vista das empresas, ter colaboradores com as soft skills certas melhora o resultado e é por este motivo que os processos seletivos tem se ocupado tanto com questões comportamentais para cada função. Quando os selecionados, ou já contratados não tem as habilidades comportamentais necessárias para aquela posição, é possível desenvolvê-las, pois todo o ser humano pode desenvolver soft skills.

Segundo o relatório anual “O futuro do trabalho”, elaborado pelo Fórum Econômico Mundial (WEF), algumas das habilidades mais requisitadas até 2025 são: 1- Pensamento analítico e pensamento crítico; 2- Aprendizagem ativa; 3- Capacidade de resolver problemas complexos; 4- Criatividade; 5- Capacidade de liderar e influenciar; 6- Usar tecnologia no trabalho; 7- Inteligência emocional; 8- Resiliência.

                Para desenvolver as soft skills/habilidades comportamentais no trabalho sugere-se iniciar pela identificação dos pontos fortes, consultando pessoas próximas como amigos, colegas de trabalho, família, perguntando quais são as suas melhores habilidades comportamentais. Depois de sistematizar, ter bastante clareza das suas forças reconhecidas é que devem ser listados os pontos a serem melhorados/desenvolvidos. Todos temos “pontos cegos”, ou seja, pontos fracos que não percebemos, sendo oportunidades de melhorias nas habilidades comportamentais.

O hábito da leitura, principalmente em assuntos ligados diretamente as suas funções, e da carreira desejada, assim como buscar conhecimento de diversas outras formas é outra recomendação para aprimorar as soft skills. Quem trabalha numa empresa que possui setor de recursos humanos estruturado pode verificar se é oferecido algum programa de desenvolvimento comportamental. Uma mentoria externa também ajuda bastante, assim como colocar o aprendizado em prática no dia a dia.

Quem está na liderança de uma organização, ou na função de gestão de pessoas pode ajudar os profissionais da empresa a desenvolver suas soft skills. Mapear as habilidades comportamentais das pessoas para treiná-las e desenvolvê-las é uma das primeiras ações a realizar com a equipe. Um formulário eletrônico, discreto e individual que pergunte aos colegas quais habilidades eles gostariam de desenvolver é um bom caminho, para depois oferecer qualificação alinhando o que a empresa e as pessoas desejam.

Outra forma da empresa auxiliar no desenvolvimento de soft skills é por meio da experiência. Criar alguns projetos em que os colaboradores possam lidar com diferentes questões comportamentais na prática, ajuda bastante. Saber escolher o perfil de profissional mais adequado é apenas um dos desafios de quem busca melhores resultados nos negócios.

Um abraço e até a próxima!

segunda-feira, 22 de agosto de 2022

Comércio eletrônico X físico

 


                Hoje escrevo para os amigos leitores que atuam direta ou indiretamente no varejo, lembrando que comércio eletrônico continua crescendo, embora em ritmo menor que durante a pandemia, quando esta modalidade bateu recordes de crescimento.

Segue sendo muito importante que as lojas físicas que tem atuação tímida, e/ou amadora no mundo digital, acelerem investimentos e atenção na mudança de comportamento dos clientes e prospects. Durante a pandemia um número gigante de pessoas foi impulsionada a comprar online, pois não havia muita escolha diante das restrições de circulação, especialmente nas cidades maiores. A experimentação forçada acelerou em muito a adesão ao comércio eletrônico, que ganhou credibilidade, corpo, capilaridade, aprimorou processos, acelerou entregas, criou novos canais, etc.. Esta situação fez com que várias corporações do mundo digital superestimassem a continuidade do crescimento e passam por momentos turbulentos em várias partes do mundo. É mais uma oportunidade para o pequeno e médio varejo aumentar a fatia deste mercado.

No pós pandemia o varejo físico voltou a crescer com força, e especialmente aqueles varejistas que aprenderam com o mundo virtual já mostram ter passado para outro patamar. Aproveitar o melhor do varejo físico para explorar as sensações, experiências, e o melhor do eletrônico explorando horários de 24h, 7 dias por semana, comodidade, agilidade, potencializa significativamente a relação com o público alvo e com novos mercados. 

22% foi o crescimento do varejo no Brasil, na comparação do primeiro semestre deste ano em relação ao ano passado, conforme o Índice de Performance do Varejo, organizado pela HiPartners Capital & Work em parceria com a Sociedade Brasileira de Varejo e Consumo (SBVC). O e-commerce segue crescendo 10% ao ano, impulsionado por produtos que não estão no varejo físico tradicional, ou seja, produtos não populares. A média de compras dos brasileiros no comércio eletrônico alcançou 4 vezes ao ano, de acordo com dados da ABComm (Associação Brasileira de e-commerce).

Quem atua no varejo e está atento as mudanças do setor sabe que a tendência no curto e médio prazo é acelerar a automação em toda a cadeia, usando a tecnologia para melhorar a gestão de estoques, logística, classificação, atendimento, entregas, dentre outros. As live commerces onde os produtos são apresentados ao vivo, mexem com as emoções de quem está assistindo e estimula as compras por impulso, além de aumentar a repercussão. Os vídeos curtos, com desdobramentos ou não da transmissão ao vivo também são bons exemplos de aproveitamento de competências do varejo físico, apoiadas no digital/eletrônico. Tem empresa que já montou pequenos estúdios para aumentar a frequência de seus eventos virtuais.

Outra tendência que está impactando todos os públicos, principalmente o masculino, que muitas vezes deixa de comprar pelo tempo e o aperto dos provadores físicos, é o uso da realidade aumentada como provador de produtos. Agiliza e aumenta as vendas nas lojas físicas e vai ajudar a reduzir a logística reversa nas compras virtuais, pois caimento, modelo, tamanho, etc. são alguns dos motivos que geram dúvidas nas compras online e também devoluções e trocas de produtos. A realidade aumentada e a realidade virtual estimularão nova fase na experiência do consumidor no e-commerce.

Intensas trocas de experiências e apresentações das próximas tendências que podem mudar o varejo como conhecemos são apresentadas em eventos como Retail´s Big Show da NRF (maior evento mundial do varejo), dentre outros. As últimas edições vêm sinalizando a necessidade de mudanças nas competências dos profissionais do varejo, não somente das empresas. Profissionais muito mais ligados em indicadores de resultados de ações combinadas entre o físico e o digital já são muito necessários. Criadores e gestores de sites, influenciadores, profissionais de tecnologia focados em marketplace, especialista em live commerce, devem ter número de vagas aumentado.

Um abraço e até a próxima!

sexta-feira, 5 de agosto de 2022

Pensamentos se transformam em atitudes

 


Os locais, os convívios, os diálogos determinam boa parte dos sentimentos das pessoas e sabemos que o comportamento, por sua vez, é altamente influenciado pelos sentimentos. Assim, os pensamentos determinam boa parte do que se vive.

O que se ouve, assiste, lê, vive, influencia na forma de pensar e agir de todas as pessoas, pois ninguém consegue separar os seus pensamentos, de suas atitudes. Os pensamentos, de uma forma ou outra, consciente ou inconscientemente determinam as vivências, as ações, o comportamento de cada um de nós. Este conceito está bem retratado no livro “O segredo mais estranho”, de Earl Nightingale, onde os resultados das pesquisas mostram o segredo de uma atitude mais positiva afirmando que: “nós nos tornamos o que pensamos ser”.

Quer mudar uma parte da sua vida? Então, comece por mudar parte de seus pensamentos, pois sem que você perceba eles começarão a se transformar em atitudes e comportamentos que podem gerar as mudanças que você quer. Mudar a forma de pensar, ou até mesmo o modelo mental, exige disciplina, com dedicação e prática diária.

Os seus hábitos impedem reações, atitudes, pensamentos diferentes e mais benéficos para a sua vida? Jefrey Gitomer, conhecido autor recomenda alguns exercícios com os seguintes pensamentos:

1- Quando algo dá errado, lembre-se de que é provável que a falha pode ser sua de alguma forma. Ou seja, o primeiro pensamento a mudar é parar de culpar os outros.

2- Você sempre teve e segue tendo opções;

3- Se você acha que está tudo bem, está... Se você acha que não está bem, não está;

4- Ignore as notícias inúteis, trabalhe num projeto que valha a pena, faça um plano ou algo para melhorar a sua vida;

5- Procure ler apenas livros, histórias e matérias com mensagens positivas;

6- Quando você enfrenta um obstáculo, ou algo dá errado, procure identificar as oportunidades parcialmente ocultas;

7- Ouça vídeos, áudios, palestras, seminários sobre hábitos e atitudes;

8- Avalie bem antes de seguir os pensamentos daqueles que dizem que não é para você, que não é para este lugar, que não é possível, ou que não é a hora;

9- Analise a sua linguagem, vendo se não está meio chata, vazia, negativa...;

10- Habitue-se a falar os motivos pelos quais você gosta das coisas, das pessoas, do emprego e da família e não o porque não gosta;

11- Ajude os outros sem esperar nada em troca e sem fazer comparações;

12- Quanto tempo você fica de mau humor? Se passar de alguns minutos, algo está errado!

                Uma boa disciplina nos pensamentos pode mudar significativamente as atitudes, o comportamento, e com isso mudanças bem práticas que podem melhorar paulatinamente o dia a dia e o futuro.

Convivo com muita gente que reclama de falta de tempo para fazer coisas melhores para sua vida e quando alguém me pede conselhos a respeito recomendo que troquem 1 hora por dia em que assistem telejornais e/ou novelas, ou, 1h hora nas redes sociais, sendo que ao final de 1 ano há 15 dias de 24h inteiros ou 30 dias de 12h de trabalho, para fazer algo positivo, construindo o futuro da melhor forma. A cada minuto, cada hora, cada tempo nas redes sociais, ou a frente da TV é de livre opção e escolha de cada um de nós, evidentemente, assim como a mudança da forma de pensar e se relacionar com a vida.

A mudança de 1 hábito já abre um espaço enorme, por vezes até mais do que o necessário, para realizar aquilo vem sendo adiado por falta de “tempo”. Acredite: após perceber os efeitos da mudança de 1 hábito, será possível imaginar o impacto da mudança de mais um ou outro hábito. Não é preciso mudar tudo, pois 1 ou 2 hábitos podem fazer muita diferença na vida de cada um de nós e de quem está conosco.

Um abraço e até a próxima!

quarta-feira, 3 de agosto de 2022

Decisões sobre compras

 


Conforme o texto da semana passada, por incrível que possa parecer o bom atendimento ainda é luxo em alguns locais. Por estes e outros motivos, aperfeiçoar as formas de vender e atender o cliente é uma das principais preocupações da gestão do varejo. A prioridade para este assunto tem razão de ser, pois além do impacto direto no faturamento, as pesquisas mostram significativo aumento da lucratividade média por cliente quando este se sente valorizado, bem atendido, etc.

Além da boa acolhida, cordialidade, atenção, respeito... quem quer aperfeiçoar o atendimento e as vendas deve prestar atenção à hierarquia das decisões do cliente. O desencontro entre a ação do profissional de vendas e a fase do cliente nesta hierarquia pode atrapalhar os negócios.

A primeira decisão de compra do cliente é sobre o próprio vendedor, pois os clientes costumam analisar se o profissional está querendo ajudá-lo ou somente querendo tomar o dinheiro dele. Sugiro avaliar: na sua equipe, os profissionais tem boa noção e agem para ajudar os clientes?

A segunda decisão de compra é sobre a empresa com quem está se relacionando. A empresa está preparada para fazer o que e como o cliente precisa e que estão se propondo a fazer? Há quanto tempo a empresa está no mercado? Para quem a empresa já fez isso? O que a empresa faz melhor do que os concorrentes? Quais são as recomendações ou testemunhas de clientes satisfeitos?

A terceira decisão de compra é sobre o bem ou serviço que está sendo oferecido. Será que este produto atende as necessidades do cliente? Resolve o problema? Se não for o caso, o vendedor ou a empresa vai recuar, não tentando forçar a barra em algo que o cliente possa se arrepender?

A quarta decisão de compra é sobre o preço. Quem compra quer mais que preço, quer VALOR pelo investimento que poderão fazer com este bem ou serviço ou se o melhor seria investir em outras áreas que a pessoa ou sua empresa teria necessidade. Lembre-se que o preço muito baixo levanta suspeitas, e também que o preço alto pode inviabilizar o negócio. O mais importante é toda a equipe, bem como a comunicação da empresa ter presente que o negócio é vender VALOR!

A quinta decisão de compra é o momento de comprar. O cliente sempre se pergunta e muitas vezes pergunta aos seus familiares ou confidentes: “Quando devo fazer esta compra?” Ou “Precisa ser agora?”. Para quem vende, agora é sempre a melhor hora, desde que o bem ou serviço esteja alinhado com a necessidade do cliente e consiga bons argumentos para isso.

Todos nós somos clientes de muitos profissionais de vendas e quando estamos exercendo o papel de vendedor, temos que ter consciência de que Eu, cliente, espero que o vendedor,
gerencie pessoalmente a solução do problema que eu apresentei e se preocupe com a minha satisfação com a solução. Como empresário, também espero que o vendedor procure entender um pouco do meu negócio, que preste atenção nas minhas necessidades e ofereça apenas o que eu realmente necessito. Como clientes, esperamos ainda que os vendedores, sejam nossos conselheiros naquilo que eles se propõem a vender e que eles ajam como meus advogados se algo não sair conforme o esperado, seja em relação a entrega, pagamento, informações ou outras eventualidades. Todos nós realmente esperamos ser atendidos por vendedores que estejam dispostos a ajudar a resolver os problemas que surgirem para nós ou para nossas organizações, inclusive e principalmente quando para isso for necessário criatividade para superar os desafios que a situação impõe.

Espero que a hierarquia das decisões dos clientes possa auxiliar em mais e melhores vendas!

Deixo um abraço e até a semana que vem!

sexta-feira, 22 de julho de 2022

Atendimento e vendas

 


Começo com uma frase de Tiger Woods, multicampeão de golf para inspirar os pensamentos e as atitudes dos amigos leitores, especialmente aqueles que atuam em atendimento do público e vendas: “Eu não busco a perfeição, porque ela é inatingível. Tudo que busco é a excelência profissional.”

Dias atrás um pesquisador da área de vendas comentou numa live que por incrível que pareça, o bom atendimento ainda é um luxo... Constatação feita a partir de pesquisas de comportamento do consumidor, nas perguntas sobre como percebem o atendimento recebido. Seguindo a reflexão, deixo algumas questões: Como é o atendimento no seu negócio, na sua organização? Quando alguém faz contato sobre preços, propostas, pesquisa, agendamento, como é o tratamento?

É preciso que as pessoas que atuam no atendimento ao público percebam sempre que estão diante de outras pessoas que tem sentimentos, percepções, inteligência e que tomam decisões importantes que geram impacto nos futuros dos negócios. Seja face a face, telefone, email, whatsapp, chat, sempre há uma pessoa do outro lado, dotada de mente, coração e espírito. É preciso um esforço de cada profissional para se conectar com a quem está naquela função de comprador, contato, representante, pesquisador, procurando e estabelecendo um vínculo. Conforme este vínculo vai sendo fortalecido é possível saber um pouco mais sobre quem está contatando e assim, mais facilmente encontrar formas de estimular relacionamentos que resultem em mais e melhores negócios.

Quem tem equipe de vendas deseja aquela equipe apaixonada conforme se propõe em palestras, cursos e livros, porém, na prática, não é nada fácil. Para tentar chegar lá é preciso lembrar que vendas e negócios não costumam ser tão românticos quanto algumas vezes pode parecer e também por isso, não é tão fácil fazer toda uma equipe se apaixonar pelas vendas do seu produto. É preciso lembrar também que vão se apaixonar por vendas aquelas pessoas que decidiram ser profissionais de vendas e entender que aqueles que só “estão” vendedores até que surja outra oportunidade que considere melhor, dificilmente se apaixonará por vendas.

Uma carreira em vendas exige preparação como outras tantas boas carreiras. Perceber a profissão como uma carreira é o primeiro passo, pois assim a pessoa vai buscar ser reconhecida na função e área. Renovar diariamente as energias, definindo metas que levem ao sucesso em vendas requer disciplina e é um bom caminho para a preparação.

Manter-se atualizado, estudando temas relacionados a profissão ajudam a manter o entusiasmo em algo, o que é muito importante para vibrar a cada venda realizada, comemorando e sentindo a felicidade de conquistar um novo cliente, uma nova venda, assim por diante.

O final do expediente é ótimo para uma análise dos contatos, como foram os diálogos, as visitas realizadas e o aproveitamento de cada um dos relacionamentos em andamento, o que pode auxiliar no entusiasmo para o dia seguinte. Quem ajuda o cliente a resolver um problema, bem como a obter sucesso com o seu produto (bem ou serviço) gera uma percepção positiva e colherá fidelização, indicação de novos clientes, além do fato de gerar uma boa lembrança para que sempre que precisarem ou souberem de alguém que precisa, vão lembrar de você e sua boa vontade em orientá-lo.

Finalizo lembrando que é preciso investir tempo e energia para conhecer novas pessoas todos os dias e aproveitar para crescer profissionalmente, pois além de enriquecer a lista de possíveis novos contatos comerciais, renovar e ampliar a carteira de clientes, ter mais conhecidos e amigos, é sempre prazeroso.

Desejando ótimos negócios a todos, deixo um abraço e até a semana que vem!

sexta-feira, 15 de julho de 2022

A sua causa pessoal

 


Já é bastante difundido o entendimento de que os resultados do trabalho não são apenas relativos a salários, prêmios, reconhecimentos públicos, mas também como cada um se sente em relação às atividades profissionais. Já abordamos neste espaço sobre o que está ocorrendo com parte dos trabalhadores na China com o “tang ping” (ficar deitado), e nos EUA com a “great resignation” (ou grande resignação) e no Brasil com o “apagão de trabalhadores”, pela crescente falta de gente disposta a ocupar as vagas emprego disponíveis.

Estudos mostram percentuais significativos e crescentes, muitos deles com mais de 50% de profissionais insatisfeitos ou infelizes com o seu trabalho. Profissionais que simplesmente cumprem o horário, evitam os compromissos que podem, não querem se envolver, nem saber dos resultados da sua unidade de negócios, nem da empresa, tem mais tendência a se declarar insatisfeitos e infelizes no trabalho. Evidentemente, é preciso se perguntar quais são as causas, os motivos para viver e trabalhar, destas pessoas, pois quem está infeliz no trabalho certamente não rende todo o potencial. Porque há tanta gente insatisfeita no trabalho e o que as faz infelizes com a atividade? Quantas causas da insatisfação são externas e quantas são internas, ou seja, da própria pessoa?

Tenho a impressão de que as pessoas mais felizes com o trabalho foram as que fizeram da atividade profissional uma causa para contribuir com o mundo à sua maneira. Gosto de ler e ouvir histórias de pessoas que se destacam em diferentes setores e atividades e esta diferença entre ter um trabalho ou ter uma causa é muito evidente nas pessoas que tem grandes feitos na história, nos negócios, nas profissões, na política, no voluntariado, nos esportes, na religião...

Já ouvi gente que gostaria de estar em níveis mais altos da hierarquia, ou em atividades mais relacionadas ao que mais gostam de fazer, dizendo que quando estiverem no lugar que almejam, vão se comprometer e produzir bem mais do que atualmente. Sempre que ouço sobre um caso assim fico pensando como é que alguém vai ser lembrado para uma promoção no trabalho atual, ser convidado ou indicado para um trabalho novo, melhor, mais valorizado, se na atividade atual, é pouco produtivo e não se destaca? O mundo, via de regra acaba entendendo que se a pessoa não dá conta e não é produtiva com o que tem hoje, possivelmente não dará conta de algo maior, ou mais complexo.

Se eventualmente seja o caso de alguém que você conhece, sugiro uma reflexão com perguntas como “Como você deseja ser reconhecido/a no meio profissional?”, “Como você está se mostrando para o mundo do trabalho?”, “Qual é a imagem mental que os seus colegas de trabalho tem de você e passam para quem eles conversam eventualmente ao seu respeito?” As respostas a estas perguntas vão definir as condições de avançar ou não na carreira para uma atividade profissional mais desejada.

Qual é a sua causa pessoal e profissional? Quem ainda não tem uma ou mais causas profissionais para buscar com dedicação e muito envolvimento, sugiro que tente olhar o que deseja do trabalho como uma causa para contribuir com o mundo. Recomendo que faça do trabalho e do que quer com os resultados dele, a sua causa profissional. O engajamento no trabalho atual, na empresa, na relação com os colegas, com amigos e família vai mudar e muito.

Quem consegue entender seu trabalho como uma causa, apaixona-se pelo que faz, gera inspiração, encontra a sua motivação e aumenta em muito a satisfação pessoal e profissional.

Pense nas pessoas que você admira pessoal e profissionalmente. Veja se não é evidente que elas têm uma causa, lutam muito por ela tendo como consequência reconhecimento e os resultados que você também gostaria de ter?

Um abraço e até a próxima!

 

quarta-feira, 6 de julho de 2022

Foco para objetivos


          Alcançar um objetivo pode ser uma tarefa muito árdua quando não se coloca foco no que é necessário para alcançá-lo. Mesmo que estejamos apaixonados por aquele objetivo e queiramos aproveitar logo os resultados, as distrações, mesmo com outros projetos, objetivos, mídias sociais, entretenimento, dúvidas, tarefas diárias podem tornar quase impossível se concentrar no que precisa ser feito para alcançar o objetivo maior.

          No texto de hoje resgato uma postagem feita há algum tempo pela redatora do site Entrepreneur, Nina Zipkin, quando reforçou a importância do foco para alcançar objetivos. Entrepreneur (Empreendedor) é um site que há anos se dedica a orientar pessoas a ter melhor desempenho em suas atividades, seja no seu negócio ou colaborando em outros empreendimentos.

          A primeira recomendação é sempre diminuir a quantidade de ruído na mente, e na sequencia, parar com a ideia e tentativas de ser multitarefa. Ao invés de tentar tocar várias coisas ao mesmo tempo, está provado que atender uma tarefa de cada vez é muito mais produtivo. Iniciar o dia colocando a mente para funcionar logo em tarefas mais difíceis desafiando-se com um esforço maior e mais criativo pode tornar o dia mais produtivo do que iniciar vendo mensagens e e-mails.

          Uma boa maneira de focar num projeto é bloqueando a agenda para atendimentos durante 1 a 2h por dia, silenciando o barulho ao seu redor. Um controle do que se consegue produzir neste tempo a cada dia é fundamental para medir o quanto está funcionando e se o tempo é suficiente para alcançar o referido objetivo.

          É bem difícil manter a concentração o dia inteiro olhando para uma tela. Por isso, caminhar por uns 20min, tomar ar fresco, se movimentar, beber bastante água e descansar um pouco vão ajudar no foco do objetivo. Meditar, orar, refletir em algum momento do dia também é importante, assim como iniciar as reuniões com uma breve reflexão espiritual, e/ou motivacional. Conte com a tecnologia, aplicativos e agenda eletrônica para ajudar a lembrar destas paradinhas que são tão importantes, bem como entender como está a sua produtividade, quais os pontos estão demorando mais, assim por diante. 

          Está bem frequente o uso de fones de ouvido no trabalho, nas mais diversas atividades. Muitas vezes a ideia é tirar o ruído de fundo para aumentar a concentração, todavia o que está nos fones pode distrair ainda mais. Músicas com letras podem tirar o foco de tarefa que precisa ser concluída, então as melhores para este fim são as instrumentais como clássica ou eletrônica. 

          Simplifique a comunicação, para melhor concentração, foco e agilidade. Quem tem o hábito de “zerar” a caixa de entrada antes de enfrentar as tarefas que levam ao alcance de seu objetivo deve pensar em como se livrar de muitos e-mails que não são mais lidos ou não lhe são mais tão úteis. Avaliar se ainda vale a pena se manter em listas de e-mails como determinadas news é importante para, se for o caso, pedir exclusão e reduzir o volume de e-mails recebidos. Uma avaliação constante pode ser nas trocas de e-mails e mensagens de aplicativos longas, que poderiam ser substituídas com mais agilidade por telefone ou pessoalmente. As vezes os 5min para ir ao espaço dos colegas ou telefonar pode ser mais produtivo do que escrever uma troca de e-mails, ou mensagens de texto ou áudio, além de deixar claro para os colegas que aquela ação deve ser agilizada.

          Reduzir o nível de ruído no ambiente e na mente não quer dizer silêncio total. Algum nível de atividade no ambiente, até uma brincadeira vez por outra pode beneficiar a capacidade de realizar tarefas criativas, desde que haja atração para uma conversa mais extensa. O ambiente de trabalho ideal para a criatividade e inovação tem algum ruído de fundo, e o desafio é encontrar um equilíbrio delicado no som e movimentos do ambiente. 

          Desejando mais produtividade e foco nos objetivos, deixo um abraço e até a semana que vem!

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