sexta-feira, 13 de novembro de 2020

Motivos para comprar

 


Está chegando o melhor momento do ano para o comércio e para os profissionais de vendas. Aproveito para relembrar alguns pontos já abordados neste espaço em anos anteriores, como a necessidade de saber que o cliente compra pelos seus próprios motivos, não pelos motivos de quem quer vender. Embora seja óbvio, na realidade parece que muitos profissionais não tem este conceito tão claro.

Seja por falta de qualificação, ou por falha na orientação, muitas pessoas que atuam em vendas gastam energia apresentando os argumentos pelos quais o cliente deveria comprar o que ele quer vender. O certo a fazer é descobrir os motivos pelos quais o cliente compraria o que se quer vender.

A maioria das pessoas adora comprar coisas que lhes dá satisfação, porém, não gostam que algo lhes seja vendido. Este entendimento fica mais evidente nas expressões diferentes quando clientes satisfeitos e insatisfeitos se referem ao que compraram. “Veja o que me venderam...” é fala comum entre os insatisfeitos, enquanto “Veja o que eu comprei...” é mais frequente entre os que estão satisfeitos.

Os motivos pelos quais eu ou você queremos comprar alguma coisa, são infinitamente mais importantes para ocorrer uma venda do que as técnicas ou habilidades do profissional. Saber o “por que” os clientes compram é mais importante do que “como vender”. Serão necessários menos esforços e técnicas de vendas, se o profissional sabe bem o que vende, depois de considerar as necessidades e os desejos do cliente. Os profissionais de vendas mais bem sucedidos focam suas preocupações e energia na solução do problema, da necessidade ou do desejo que identificou no cliente, ao invés da necessidade de vender.

Quando o profissional entende os motivos do cliente para comprar, as habilidades irão levá-lo ao coração da venda e aos desejos do cliente agir em busca da satisfação. O vendedor pode identificar o motivo da compra fazendo perguntas sobre os históricos de compras, experiências com aquele tipo de produto, conhecimentos prévios, outros produtos já adquiridos, usados e admirados pelo cliente. Mantendo o foco nas questões corretas, o profissional de vendas deverá ouvir atentamente as histórias que começarão a ser reveladas a partir das perguntas baseadas no motivo. Sempre que perguntado sobre a experiência a respeito, o cliente conta uma história. Suas histórias contém dicas importantes sobre o que eles gostam ou não e sobre como estabelecer um verdadeiro relacionamento. As experiências passadas pelos clientes levarão a histórias boas e ruins. O trabalho do vendedor é ouvir atentamente para entender, nunca interromper e no final da história, fazer mais perguntas. Quanto mais perguntas fizer, mais informações serão reveladas e o profissional de vendas entenderá mais motivos para o cliente comprar.

As necessidades também dizem muito sobre a urgência em comprar, e por isso, é muito  importante entender usos, soluções, e outros que o cliente terá a partir do fechamento do negócio, eles usarão e lucrarão com o que você está vendendo. O desejo é a parte emocional do processo de vendas. Quanto mais o cliente deseja aquilo, mais ele encontrará um meio de possuir. O desejo de possuir gera um efeito similar às necessidades, só que com mais orgulho do cliente. O orgulho de posse é melhor do que o sentimento de necessidade. Todos querem ter o melhor, daquilo que gostam, só que nem todos estão dispostos a pagar pelo melhor e é o vendedor que vai criar a diferença.

As paixões são as maiores formadoras de emoção. As compras são feitas emocionalmente, em seguida justificadas logicamente. Quanto mais forem reveladas as paixões do cliente, mais ele estará disposto a compartilhá-las, e maior a probabilidade da venda ser realizada. A melhor parte sobre descobrir as “razões para comprar” do cliente é que isto irá diferenciar este profissional de vendas dentre os demais, lhe dando muito mais chance para fechar a venda.

Ótimas vendas, um abraço e até a próxima!

sexta-feira, 6 de novembro de 2020

Em quem votar agora



    Nos próximos dias escolheremos novos integrantes dos poderes executivo e legislativo dos nossos municípios. Àqueles que ainda estão pensando sobre a melhor escolha, seguem algumas reflexões.

    Nos meses que antecedem as eleições as promessas e propostas são fartas, não é mesmo? Inclusive algumas que os desavisados não se dão conta de que não pertencem ao poder ou a esfera do pretendente proponente. Temos lido e ouvido historicamente não somente propostas, mas ações que aumentam as despesas dos municípios, enquanto pouco ou nada ouve-se, nem percebe-se sobre o aumento da receita própria e poupança para investimentos com receita própria. Sabendo que nos Estados e na Federação ocorre o mesmo, uma das primeiras reflexões que trago aos leitores é sobre a origem dos recursos para bancar as despesas e os investimentos prometidos.

    Segundo o TCU, 1 em cada 3 municípios do Brasil não gera receita própria sequer para pagar os salários de prefeitos e vereadores, dependendo totalmente de repasses do Estado e da Federação. Há uma cultura irresponsável, no meu entender, ao aumentar as despesas em cada administração e legislatura, com poucos ou nenhum projeto de longo prazo como poupança, fundos de investimento, recuperando condições de investimentos no futuro.

    Para outro ponto de reflexão, parto do entendimento de que com mais empregos, quase tudo se resolve num município, assim como por outro lado, quanto menos empregos e renda, mais necessidade de assistência social, remédios, atenção básica na saúde, segurança e dificuldades com educação. Por este motivo, entendo que as melhores propostas para ampliar as oportunidades de emprego e renda do município, devem receber o voto de quem é comprometido com a sua própria dignidade, também com o futuro dos filhos, dos netos, e da comunidade ao seu redor.

    Emprego e renda reduzem a dependência, aumentam a dignidade, a autoestima, a disposição das pessoas em cuidar de si, cuidar dos outros e do lugar onde mora. Quem tem vínculo empregatício, ou é autônomo, empreendedor tendo a aprimorar os seus estudos e também de quem está próximo, mantendo-se na atividade e tendendo a valorizar os estudos de companheiros, filhos, netos. Mais emprego e renda aumentam o poder de compra que aliado a uma boa estrutura produtiva, um bom comércio local potencializa o aumento da arrecadação, permitindo assim, melhores condições para a comunidade. Claro que para aqueles políticos que nenhum lugar deveria ter, quanto mais pessoas dependentes de assistência social, saúde, educação e serviços públicos, melhor, oportunizando a manipulação das necessidades e dos direitos.

    As vagas de emprego para quem está apenas com o ensino fundamental vão ficando escassas, além de mal remuneradas, assim como trabalhos informais, muitas vezes anti ergonômicos, perigosos e insalubres, pois conforme a economia vai se formalizando e a sociedade vai tomando consciência da importância do trabalho saudável e seguro, vão sendo substituídos por equipamentos e tecnologia.

    Em setembro o IBGE informou que o Brasil tem 13,7% da população desempregada, enquanto as empresas informam números gigantescos de vagas não preenchidas por falta de requisitos técnicos, idiomas e outras habilidades. O SINE por sua vez, informa que 63% das vagas anunciadas não são preenchidas por falta de requisitos básicos ensino médio concluído, enquanto o censo escolar indica que 4 em cada 10 jovens de 19 anos, não completa o ensino médio.

    Com este quadro, entendo que aumentar o emprego e a renda nos municípios é bem mais complexo do que incentivar a abertura de vagas de trabalho, pois em boa parte as vagas já existem e não são preenchidas. Todavia, mais empregos e mais renda diminuem as demandas e a necessidade de recursos de assistência social, saúde, educação, segurança e em várias outras frentes!  

    Pense nisso antes de votar!

    Um abraço a todos e até a próxima!

sexta-feira, 30 de outubro de 2020

Multiplica o salário por 5,7



   Com alguma frequência aparecem propostas mirabolantes, milagrosas, mágicas, para multiplicar a renda. Quem se dispõe a ler conteúdos como neste espaço já sabe que os recursos não se multiplicam nem fácil, nem rapidamente. Uma das formas mais seguras de multiplicar a renda exige um tanto de esforço, pois inúmeras pesquisas mostram que aumentando o número de anos de estudo, aumenta proporcionalmente a renda.

Ter um ensino superior de qualidade é o grande diferencial para aproveitar as muitas oportunidades que surgem, inclusive para percebê-las. Além disso, conforme mostra o estudo publicado pelo professor e pesquisador Sergio Firpo, do Insper, os profissionais com nível superior têm ganhos de até 5,7 vezes mais do que trabalhadores com menores níveis de escolaridade. Essa diferença salarial é também consequência dos efeitos das crises econômicas típicas do Brasil. Os números que deram suporte ao estudo foram extraídos da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (PNAD) e tiveram como base o rendimento mensal habitual do trabalho principal dos brasileiros.

     Quanto maior a escolaridade, melhores são as oportunidades de renda. Se por um lado há um grande número de desempregados no Brasil, por outro lado há um grande número de vagas de trabalho não preenchidas, que se avoluma a cada pequeno aumento das atividades produtivas, como agora na retomada da economia. Uma das barreiras para maior agregação de valor a produção nacional é a falta de profissionais qualificados. 

        Outra situação tão importante quanto o nível de renda, é a recolocação dos profissionais, quando perdem a vaga, pois as pesquisas baseadas no CAGED (cadastro geral do emprego no Brasil) mostram que quanto maior a escolaridade, mais rápida é a recolocação. Também é fato conhecido, que os candidatos menos escolarizados enfrentam um número cada vez mais restrito de vagas, e/ou com maiores dificuldades em relação a ergonomia, segurança, insalubridade, e a periculosidade. As pesquisas indicam que no ano passado a ocupação dos trabalhadores sem instrução ou com menos de um ano de ensino recuou em torno de 20%, em relação ao ano anterior, enquanto que entre os brasileiros que concluíram o ensino médio, a ocupação cresceu 2% ano e, para os trabalhadores com ensino superior, o avanço foi de 5,3%. 

      Estamos na véspera das eleições municipais e é muito importante entender o que os candidatos propõe em seus planos de governo para aumentar os anos de estudo e os níveis de escolaridade da população. Mais do que em outros momentos, a cada 4 anos este é o período em que mais pessoas estão preocupadas com propostas de aumento de emprego e renda no local onde moram. A literatura mostra há muito tempo que uma das maneiras mais efetivas de aumentar os níveis de emprego e especialmente de renda nos municípios é estimular o aumento do nível médio de escolaridade da população. Talvez alguém esteja pensando que não viu muitos candidatos fazendo propostas neste sentido e evidentemente um grande número de eleitores não tem estas informações e por este motivo, não gera esta demanda em pesquisas de percepções, de intenções de voto, e nem protesta pela falta destes incentivos. Por outro lado, boas lideranças comunitárias, pessoas realmente preocupadas com o melhor por seu município devem primeiramente entender o que faz o seu município desenvolver e na sequencia desenvolver propostas que façam o bem para a comunidade, mesmo que seus eleitores não tenham informações para gerar estas demandas.

     Voltando a provocação do título, há muita gente atrás da multiplicação máxima de sua renda, com minimização dos seus esforços. Precisamos auxiliar que mais gente entenda que uma forma segura de aumentar a renda é estudar mais e que o nível médio de renda da população, sua capacidade de consumo é diretamente proporcional ao nível médio de escolaridade.

        Um abraço a todos e até a próxima!

sábado, 24 de outubro de 2020

Tendências do “pós” pandemia


        

        Num ano “normal” as organizações estariam planejando 2021. Neste ano, com um nível de incertezas e volatilidade ainda maior, os planos terão que ser escritos com mais pontos de flexibilidade. O CEO e os consultores do “Ideia sustentável” publicaram nesta semana uma série de tendências baseadas nos resultados de seus estudos. As tendências indicam que as organizações precisam seguir alguns parâmetros no pós pandemia, para serem mais valorizadas por clientes, colaboradores, investidores, parceiros e sociedade.

        Um novo lema recorrente entre as empresas que vem ganhando destaque e posições nos mais diversos rankings é “Propósito antes do lucro”. É tido como uma atitude que tende a redefinir o capitalismo, compartilhando o resultado com todos os públicos de interesse. Uma tendência que ficou muito clara durante a pandemia é a necessidade das relações empáticas em empresas. Cuidar das pessoas e das diferenças entre elas é uma prática que veio para ficar entre os que vão prosperar no futuro próximo.

        Menos competição e mais cooperação para resultados positivos compartilhados, deve ser a motivação das grandes e mais efetivas parcerias. Além de perceber claramente o quanto a cooperação gera mais resultado, a pandemia serviu para aumentar a noção de interdependência, que é a base do entendimento do conceito de sustentabilidade. Estará em alta o consumo consciente, com mais pessoas escolhendo marcas a partir do compromisso daquelas que buscam a solução de problemas. Em outras palavras, aumenta a noção de que prosperidade é bom se for para todo mundo.

        Quase todos já sabem que mais transparência gera mais confiança, e vem aí a hipertransparência. Tendência de alta para as ações e responsabilidade social das empresas e entidades, aplicativos e outros iniciativas para estimular o consumo consciente, comunicação de causas sociais e ambientais como definidora de posicionamento mental das marcas.

        Muita gente que estuda o assunto projeta como tendência cada vez mais empresas se unirem para juntar recursos e esforços atacando questões estruturais do Brasil. Vimos durante a pandemia que as empresas têm capacidade de levantar recursos volumosos e agir rapidamente para o enfrentamento de uma doença. Podemos todos olhar para os resultados e ver como o investimento social privado tem potencial para gerar soluções estruturantes. 

        Os negócios devem ser parte da solução e não parte do problema. A pandemia trouxe uma sensibilidade maior para grandes fenômenos que podem prejudicar a existência humana na Terra. Tendência de alta para a manutenção das florestas em pé, precificação de recursos naturais, armazenamento de energia, desmaterialização e circuito fechado, eletrificação das frotas de transporte urbano, arquitetura e construções sustentáveis.

        Nos últimos 20 anos vários rankings de reputação de marcas de empresas e instituições se formaram no mundo e foram se sofisticando. Nos próximos anos, a reputação deve estar cada vez mais sustentada em valor compartilhado. Assim, veremos cada vez mais as empresas e instituições atuando em causas de interesse público.

        Vamos ver ascender um novo tipo de liderança, aquela orientada por valores. Esta tendência não é exatamente motivada pelo que a pandemia acelerou, mas pela chegada da geração dos “millenials” ao poder, tanto como investidores, gestores, decisores e consumidores. Esta geração tem uma ideia mental de empresas com as quais querem se relacionar, seja como investidores, gestores ou consumidores e terão a preferência deles as propostas que evidenciarem ser mais sustentáveis. 

        Estas tendências fazem pensar nos planos e projetos dos nossos negócios, não é mesmo? Espero que a reflexão contribua para que você, sua empresa, seus negócios aproveitem o melhor das tendências do pós pandemia.

        Um abraço e até a próxima!

sexta-feira, 16 de outubro de 2020

Atitudes de quem venceu na pandemia

 


Dificilmente alguém que viveu este ano vai esquecer 2020. Certamente também será marcado como o ano que mais desafiou dirigentes de empresas e instituições, extrapolando seus limites. Pressões de todas as formas ao mesmo tempo e a disrupção em cadeias tradicionais de produção e de consumo abalaram convicções, negócios, aprendizados, com níveis de incerteza nas alturas.

Na coluna de Reinaldo Fiorini na Exame on line, ele comenta uma pesquisa sobre as atitudes dos dirigentes das empresas com melhores resultados durante a pandemia e destaco a seguir alguns pontos para que os amigos possam refletir sobre as organizações em que atuam.

3 pontos que considerei fundamental na análise são: 1) As organizações que estão vencendo na crise têm sido mais rápidas em decisões imediatas e ao mesmo tempo desencadeando ações de longo prazo. 2) Como em qualquer crise, nesta também é fundamental mostrar coragem e visão de futuro. 3) Aprendemos em outras crises que, mesmo diante das mesmas adversidades, nem todas as empresas sofrem e nem da mesma maneira.

A questão-chave é: quais ações decisivas são tomadas pelos líderes de organizações que entregam melhores resultados em momentos difíceis? Fiorini apresenta resultados onde verifica-se que as organizações que reagiram melhor à graves crises, têm ao menos cinco ações em comum: 1) racionalizam suas despesas para manter a saúde financeira e a capacidade de fazer investimentos; 2) aumentam sua produtividade rapidamente, inclusive durante a crise; 3) pensam no longo prazo na hora de tomar decisões; 4) desenvolvem uma agenda proativa de fusões e aquisições; e 5) ajustam seu modelo de negócios à nova realidade (por exemplo, construindo uma nova unidade) — o que deve ser particularmente importante no momento atual.

Destaco aos amigos leitores a necessidade de agilidade, pois quase todos os casos de sucesso estudados nesta ou outras pesquisas mostram que vence quem tem sido ágil, nas decisões e nas ações. Esta recomendação faz mais sentido ainda para quem considera que é cada vez mais difícil prever com precisão como vão se comportar seus clientes em três anos ou mesmo em três meses. Por este motivo, é preciso priorizar as ações e a experimentação e desenvolver múltiplos cenários para a tomada de decisão de forma mais rápida. As organizações maiores devem montar equipes dedicadas à adaptação dinâmica diante do desenrolar da crise.

O colunista Reinaldo lembra que as organizações com melhores resultados em 2020 tornaram-se mais flexíveis para aprender e ajustar seus planos de acordo com mudanças no contexto e ainda compreenderam que “é desnecessário esperar que todos os processos e sistemas sejam plenamente testados antes de agir, aprendendo a construir e ajustar estruturas e entregas de forma mais orgânica e flexível.”

Se você está pensando em como fazer isso na sua organização, vai identificar logo que essa forma de trabalhar tem implicações na estrutura das organizações. Reuniões frequentes e rápidas com a participação de todos os líderes passam a ser necessárias, mas isso fica mais fácil com equipes menores e menos níveis hierárquicos. Claro que os líderes de cada função ou negócio precisarão manter uma rotina semelhante por algum tempo ainda, até que todos tenham aprendido a ser mais ágeis e mudem os hábitos para que esta seja a forma permanente de trabalhar.

Novamente é muito importante refletir sobre o negócio que você atua, e desta vez as perguntas mais relevantes são: “qual deve ser a profundidade e a duração da crise para o seu setor” e “qual é a disrupção em seu modelo de negócios?” “Basta revitalizar a operação existente ou é preciso criar um novo modelo de negócios?”.

Evidentemente cada grupo e liderança deverá encontrar essas respostas, reforçando que o mais importante é agir!

Um abraço e até a próxima!

sexta-feira, 9 de outubro de 2020

Lembre dos seus professores

 


Na próxima semana, o dia 15 de outubro é dedicado aos professores e com o texto de hoje quero estimular as suas lembranças sobre eles.

O que penso, escrevo, falo, ensino, aprendo, faço e deixo de fazer tem forte influência dos muitos professores que tive e tenho. Foram elas e eles que influenciaram a escolha da minha carreira, pois me constituí professor admirando a dedicação de cada um deles/as para que novos/as cidadãos/as pudessem sonhar juntos e trabalhar para deixar um mundo melhor do que recebemos.

Meus pais não concluíram o ensino médio, mas sempre valorizaram e priorizaram os poucos recursos que tinham para que minha irmã e eu tivéssemos a melhor formação escolar. Minha irmã tem uns 4 anos menos que eu e quando ela passou para as séries iniciais os nossos pais compraram um pequeno quadro de giz para que eu a ajudasse com os temas de casa, brincando de aulas. Não demorou para que na companhia de vizinhas e prima, brincar de escola na garagem de nossa casa, passasse a ser uma das brincadeiras prediletas. Coincidência ou não, eu, minha irmã, minha prima, 2 vizinhas fizemos magistério e começamos a carreira docente com cerca de 18 anos. Eu e minha irmã fizemos estágio do magistério na escola municipal Germano Dockhorn, no município de Três de Maio, RS, um espaço historicamente bem cuidado por todas as gestões e a comunidade do entorno. Algumas de minhas lembranças frequentes como professor vem deste tempo, onde dentre outras atividades, jogava futebol com os meninos no recreio. Logo depois montei uma empresa para completar a renda e pagar a faculdade, enquanto atuei no magistério estadual, em cursos técnicos de nível médio e após concluir a especialização, iniciei a docência no ensino superior em 1º de março de 1996. Constituindo a segunda empresa, foquei somente na docência no ensino superior e 24,5 anos depois contabilizo o trabalho na graduação em 5 instituições e na condição de convidado em cursos de Especialização e MBA em 16 instituições do RS, SC e PR. Com isso, muitas das redes de relacionamento que tenho, dos livros, artigos, pesquisas, textos, se devem ao fato de ser professor.

O que as famílias, pais e responsáveis estão dispostos a abrir mão em favor da educação, do ensino, da formação de seus filhos faz uma enorme diferença. Algumas pessoas parecem esquecer isso quando se pronunciam atribuindo tanta responsabilidade e até culpa à escolas, professores e professoras. Sabemos que aprende-se pelo amor ou pela dor. A vida ensina pela dor, mas quem é professor, dedica a carreira e passa a vida acreditando e professando no aprendizado pelo amor.

No estágio atual da sociedade, sem um bom nível de estudos, há cada vez menos espaço para trabalho digno, saudável, ergonômico, e desejável. O aumento da escolaridade média da população, é a forma mais segura, racional e perene de aumento e distribuição de renda que pode-se desenvolver. O ensino de qualidade fez os recursos financeiros e patrimoniais trocarem de mãos ao longo da história nos mais diferentes locais e culturas. Mas é preciso lembrar que um ensino de qualidade só é possível com professores respeitados e bem cuidados pela sociedade.

Quem está lendo este texto pode lembrar de quem o alfabetizou. Quem pensou na distribuição de renda e renda média, pode lembrar de quem ensinou sociologia, economia e se faz pensar dá para lembrar dos professores de filosofia. Quem encontrou os erros ortográficos, de acentuação, concordância pode lembrar dos seus professores de português e outros que tentaram contribuir. Aos profissionais das mais diversas áreas, nível técnico ou superior, em início de carreira, ou bem experiente, pode lembrar que a base para seguir aprendendo foi formada por professores, que você gostou e dos outros também, pois todos deixaram uma contribuição importante para ser quem você é.

Lembre dos seus professores, sempre!

Um abraço e até a próxima!

sábado, 3 de outubro de 2020

Um bom integrante de equipe

 


Tão ou mais importante que uma boa liderança, uma boa equipe precisa de integrantes que sabem agir em prol dos propósitos da organização. É fácil encontrar pessoas querendo mais habilidades e atitudes dos líderes de suas equipes, e esquecendo do seu papel fundamental como integrante ativo e responsável pelo desenvolvimento do grupo e da organização. Traço hoje algumas linhas com intuito de auxiliar aqueles que integram equipes de trabalho das mais diferentes áreas.

A participação efetiva de todos nas reuniões deve ser prioridade. A exceção deve ser alguma emergência de saúde, ou de algum cliente, que outro não possa resolver. A participação pontual é um sinal de compromisso com o grupo e com a organização. Quem se comprometeu a fazer algo, deve fazer e se apareceu algum impedimento quanto a entrega do que foi prometido, o aviso deve ser com antecedência para quem estava esperando.

Ao comentar sobre propostas submetidas à apreciação, contar velhas histórias sobre pessoas que tentaram aquilo e não conseguiram pode atrapalhar a motivação e a mobilização do grupo. A melhor posição para um bom membro de equipe é verificar quais são as melhores opções para fazer essa ideia funcionar. Nas organizações, todo o sucesso obtido é um sucesso de equipe e toda falha é uma oportunidade para corrigir, aprender algo novo e melhorar.

As discussões de ideias, o que cada um defendeu, deve ficar dentro do grupo. Comentários fora da reunião e com quem não faz parte da equipe sobre a opinião individual nas discussões atrapalha a confiança e as relações da equipe. É muito importante buscar o consenso em torno das grandes decisões, pois quando apenas a maioria concorda com uma ideia, a responsabilidade mútua entre os membros pode ser prejudicada.

Qualquer membro da equipe deve(ria) interromper o outro quando suas palavras e comportamentos não estiverem de acordo com os princípios que guiam o grupo. Cada integrante deveria investir 2 horas do seu tempo por semana para criar ideias, atividades, projetos que serão submetidos à avaliação da equipe e que podem gerar novos negócios,  reestruturar negócios atuais ou antigos.

As equipes deveriam ser intolerantes com aqueles membros que abusam do poder ou da posição com outros integrantes, clientes e fornecedores. Também deveria haver intolerância das equipes de trabalho com os fofoqueiros, reclamões, chorões, fujões de responsabilidades, com a incapacidade de medir o trabalho que entrega, com falta de espírito de equipe, com a intimidação, politicagem, falta de motivação, falta de respeito, diplomacia, integridade, gentileza e profissionalismo.

Os integrantes das equipes deveriam poder confiar uns nos outros. É possível perceber que os membros confiam uns nos outros quando compartilham as informações que possam ter impacto sobre o trabalho dos outros, quando compartilham pontos de vistas, experiências, admitem falhas e erros, fazem follow-up em atividades que inicialmente se comprometeram a participar ou liderar, avisam os colegas com antecedência quando algum prazo determinado não poderá ser cumprido, são comprometidos com delegação de atividades, dentre outras.

Uma boa participação pressupõe que ao discordar de uma ideia, venha uma proposição alternativa, mostrando compromisso com a solução dos problemas. Comprometer-se publicamente com resultados mensuráveis é outra postura esperada de um bom membro de equipe. Uma equipe bem desenvolvida têm membros que discutem frequentemente a performance da organização e sua própria performance versus metas, métricas e comportamentos.

Finalizo esperando ter contribuído com a reflexão sobre como melhorar sua participação nas as equipes/grupos. Um abraço e até a próxima!

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