domingo, 27 de setembro de 2020

Ensino por último (de novo)

 


       Preparação para o retorno, plano da volta, retomada, recomeço, volta ao normal, novo normal, e outras expressões nesta linha estão presentes nas discussões, falas e textos dos últimos meses e sobre as mais diversas atividades como futebol, esportes, clubes, turismo, fronteiras, voos internacionais, casas noturnas, teatros, cinemas, shoppings, bares, restaurantes... e também sobre as escolas, novamente, por último.

É no mínimo curioso acompanhar as defesas da volta do futebol e agora da volta do público aos estádios, abertura de bares, cinemas, teatros, casas noturnas... na sequência de comentários e opiniões temerárias a abertura das escolas. As discussões estão na imprensa, com comentaristas, entrevistas com autoridades, mas não são somente estes que priorizaram o retorno das atividades de lazer e entretenimento, deixando o ensino por último. São 7 meses de escolas fechadas e para o retorno as informações são de falta de tempo e condições para completar os planos de contingência, adaptações aos protocolos, aquisições de utensílios e equipamentos, preparação de professores, técnicos, estudantes e famílias. Em outras palavras, a mobilização social pela abertura das escolas tem sido bem aquém dos movimentos pela volta do futebol, casas noturnas e outras.

A bola rolava na TV e as unidades fabris, o comércio e a prestação de serviços, lutavam para se manter abertos, e até hoje seguem temendo cada troca de bandeira. Não parece ser o mesmo sentimento de quem atua nos negócios relacionados com 1ª divisão do futebol brasileiro, por exemplo, há tempos em atividades, com anuência e apoio da imprensa, sociedade e autoridades. Os cinemas e teatros, em tempos diferentes em cada região, retomaram o funcionamento devido ao trabalho dos grupos de apoio a cultura. Há algumas semanas as autoridades discutem com os representantes de casas noturnas os protocolos para o retorno das atividades normais, tendo iniciado pelos que oferecem apresentações de bandas incluindo um lanche. Cultos e missas tiveram retorno da presencialidade nas últimas semanas, assim como os esportes ao ar livre de praticamente todas as modalidades. O funcionamento das escolas é que vai ficando por último...

Na condição de apreciador de vinhos tintos finos (com bastante resveratrol), cervejas artesanais, chocolate ao leite e cafés especiais, tenho preferido ler as pesquisas científicas que mostram o quanto o consumo na dose certa destes produtos contribuem com a saúde. Lembro assim que pesquisas científicas, depoimentos de profissionais, argumentos para defesas dos setores, escolhas de prioridades tem numa certa variedade e não por acaso, cada um de nós escolhe aqueles números e evidências que corroboram com sua defesa e enaltecem seus argumentos. Isto posto, enfatizo que meu propósito não é discutir qual o momento de retornar cada atividade, mas compartilhar com os amigos leitores a constatação de que novamente o ensino ficou por último. E novamente pela vontade do conjunto da sociedade, não somente por responsabilidade das autoridades constituídas que respondem pelo setor. A repercussão na mídia, nos decretos e nos anúncios são boas evidências da prioridade pelo entretenimento, deixando o ensino em planos inferiores novamente.

Quando começou a ter condições de segurança para volta de atividades, esta deveria ser gradual. Quais atividades deveriam ser priorizadas em atenção, investimentos, mobilização?

Eu gostaria de viver numa sociedade que pudesse priorizar o ensino com mais frequência. Não é racional esperar que uma sociedade que prioriza o entretenimento acima do ensino e das atividades produtivas, tanto em atenção e planejamento, quanto em investimentos e preparação, possa superar o subdesenvolvimento e a consequente dependência dos países desenvolvidos.

Um abraço e até a próxima!

sexta-feira, 18 de setembro de 2020

Como manter a calma na pressão

 


Os últimos anos e em especial os últimos meses têm sido testes de altíssimo nível para quem vive sob a pressão dos resultados, da tomada de decisões difíceis, da elaboração de planos rápidos, dentre outros. Sabe-se que um dos segredos para enfrentar a pressão é manter a calma, porém, é possível que a maioria esteja fazendo isso de maneira errada.

Um estudo coordenado pelo professor Allison Wood Brook da Harvard University mostra que sob pressão a maioria de nós tenta ficar calmo da maneira errada. Outra constatação é que quem abraça o desafio de superar uma crise, ultrapassar as dificuldades as anima e assim tendem a obter melhores resultados do que aquelas que se esforçam muito para permanecerem calmas. “Quando as pessoas se sentem ansiosas e tentam se acalmar, elas estão pensando no que poderia dar errado. Quando elas ficam animadas, elas estão pensando nas coisas que podem dar certo", afirma Brook. A justificativa é que permanecer composto, focado e efetivo sob pressão, é uma atitude mental, pois aqueles que dominam uma crise são capazes de canalizar suas emoções para o comportamento que desejam, transformando ansiedade em energia.

Uma recomendação é se apegar a lógica, avaliando o que pode ocorrer de pior com este resultado, como isso vai impactar em 5 anos, e assim por diante. O pânico no caso de um erro ou acidente é a antecipação de passar vergonha em público. Assim, os estudos recomendam construir confiança e concentração de esforço em busca das soluções. O coordenador do estudo recomenda lembrar sempre: "Tem mais para mim do que essa situação. Um erro não vai me definir". E ainda, de que é preciso reconhecer “que as pessoas são menos focadas em você do que imagina.” Ou seja, seus colegas, as pessoas próximas tendem a se preocupar mais com a solução dos problemas do que com quem tem responsabilidade com o erro ou acidente.

Nada ajuda mais a manter o foco durante uma crise do que o pensamento lógico. É preciso se recuperar logo do susto e focar no que realmente aconteceu, possíveis repercussões, como evitar mais repercussões, quem pode ser envolvido para reduzir impactos negativos, dentre outros. Não há nada de produtivo em autoacusações e nem culpas aos outros. Entendidos os fatos e o problema, é hora de “tomar as rédeas” da situação. Concentrar energia para superar e tentar fazer as coisas melhores dará mais forças e auxilia na redução da ansiedade. Animar-se pelos desafios de “voltar das cinzas” irá melhorar sua performance drasticamente. Para manter as coisas funcionando, é importante não ser muito duro consigo mesmo, lembrando que ninguém é perfeito e que até as pessoas mais bem sucedidas cometem grandes erros.

Gerenciar suas emoções, manter a calma e ter um modelo mental preparado para trabalhar sob pressão está diretamente ligada ao desempenho de cada profissional. Muitos testes de seleção, especialmente para cargos e funções que precisam lidar com pressão, avaliam a capacidade da pessoa para lidar com suas emoções. É um aprendizado contínuo, que todos podem desenvolver.

Ninguém gosta de cometer erros e não importa o tamanho e o tipo de erro, o certo é que paralizar diante do medo, da incerteza, da vergonha não só não vai gerar soluções, como tende a piorar as coisas. Quando se deixa os pensamentos ruins aflorar, a capacidade de tomar boas decisões e de seguir em frente de forma efetiva reduz significativamente. É preciso controlar as emoções, manter a calma para pensar e desenvolver planos para fazer as coisas da maneira correta e seguir em frente.

          Erros e pressão são inevitáveis, especialmente para aqueles que se propõe a fazer algo e é justamente destes que o mundo mais precisa. Para que nossas famílias, organizações e comunidades possam se beneficiar dos fazedores, é fundamental que eles mesmos e todo o entorno saibam manter a calma e encontrar juntos as melhores soluções.

         Um abraço e até a próxima!

sexta-feira, 11 de setembro de 2020

Princípios da Amazon

 


As vendas on line têm crescido muito nas últimas décadas, tendo acelerado ainda mais no mundo todo, com a pandemia. Independente do tamanho, ramo e local da sede, nossas empresas têm muito mais motivos para também estarem presentes nos market places locais ou nacionais. A Amazon é responsável por mais de 50% das vendas on line nos EUA, por mais inacreditável que uma empresa pudesse conseguir este feito e vem ganhando mercado em muitos países, incluindo o Brasil. Jeff Bezos, o fundador e atual CEO da Amazon tem a maior fortuna do planeta, conforme os rankings atuais da FORBES e outras.

Chamo a atenção dos amigos para a Amazon, acreditando que precisamos entender como seu fundador superou dificuldades e criou uma empresa que é invejada pelo mundo do varejo. A “chave” do sucesso da Amazon é atribuída à cultura organizacional, especialmente quando se pretende comparar o sucesso desta, com outras empresas. Os prêmios recebidos mostram que eles procuram deixar muito claro que as pessoas e a cultura da Amazon são prioridade, assim como quais são as regras do jogo e como as coisas são feitas na empresa. Em vários espaços e momentos é possível verificar que mesmo que a pessoa seja muito talentosa, só fica se estiver alinhada com a cultura organizacional. A demissão voluntária é incentivada com bônus financeiros aos que não estão apaixonados pelo que estão fazendo.

Procurei sintetizar os princípios declarados desta cultura da Amazon nas linhas a seguir, entendendo que cada leitor pode adaptá-los ao seu negócio:

Trabalham para ganhar e manter a confiança dos clientes, muito mais do que trabalham para acompanhar a concorrência;

– Não sacrificam o resultado a longo prazo em troca do resultado a curto prazo. Não dizem “isso não é o meu trabalho” e agem em nome de toda a empresa;

- Inovam e inventam procurando sempre simplificar. Procuram novas ideias em todos os lugares e não somente dentro da empresa, mas não tentam “reinventar a roda”;

– Contratam e desenvolvem os melhores, buscando reconhecer os talentos excepcionais;

- Buscam incansavelmente os mais altos padrões para produtos, serviços e processos, não escondendo os defeitos “debaixo dos tapetes”, sendo que os problemas resolvidos devem servir de aprendizado e novas práticas;

– Pensam grande, criam e comunicam uma direção que inspira resultados. Os líderes inspiram a equipe e cuidam de todos os detalhes para sempre servir bem os clientes;

- Aceleram as questões relacionadas ao negócio valorizando as decisões com risco aceitável;

- Não gastam dinheiro com aquilo que não importa direta ou indiretamente aos clientes;

– São sinceramente mente aberta, realmente ouvem e estão dispostos a examinar suas convicções, mesmo as mais fortes, com humildade;

- Desafiam respeitosamente as decisões quando discordam, mesmo quando isso é desconfortável ou cansativo. Não gastam energia só para manter o conforto diante de uma ideia que não acreditam, mas uma vez que uma decisão é tomada e determinada, se comprometem totalmente com a sua efetividade;

– Entregam resultados focando nos principais insumos para o negócio e na entrega com a qualidade adequada e em tempo hábil.

Aprender com quem já passou por algumas experiências e está disposto a compartilhar o aprendizado é uma forma de ganhar tempo e evitar desperdícios. Espero que os princípios da liderança da Amazon de alguma forma possam contribuir com os amigos leitores para fazerem melhor o que se propõe.

                Um abraço e até a próxima!

sexta-feira, 4 de setembro de 2020

Quem é o concorrente?

 


Em muitos segmentos, até pouco tempo a concorrência não incomodava muito, pois onde há equilíbrio na relação de oferta e demanda a sensação é de que há mercado para todos. Há porém, aqueles que há tempos perdem o sono pensando no que faz a concorrência. O mais desejável no entanto, é quando a concorrência gera um sentimento que não permite acomodação.

Com a quebra de muitos paradigmas nos negócios, vive-se um momento em que é bem mais difícil identificar claramente os concorrentes e quase impossível identificar de onde sairão os novos competidores. Até algum tempo, falava-se da concorrência como algo relativamente previsível, bastando monitorar alguns players que faziam algo parecido e então planejar e produzir vantagem sobre eles em algum atributo. Desde que eu pesquiso e escrevo, venho defendendo que a análise de concorrência não pode ser feita com base no sentimento/feeling de quem decide, pois deve ser baseada nos cálculos de quem disputa as fatias da renda do cliente alvo.

Apesar dos muitos sinais, notícias, palestras, pesquisas, cursos, textos, vídeos... muitas empresas vêm perdendo mercado, mesmo que aos poucos, percebendo algumas perdas e atribuindo-as a fatores externos como macroeconomia, política, clientes, fornecedores, sem analisar com precisão para quem estão perdendo a participação no mercado. Esta situação é mais frequente em negócios cujos gestores não se atualizam, ou não permitem que aqueles parceiros de mente mais aberta contribuam com o negócio. Este problema não se restringe a empresas pequenas, médias ou familiares, pois grandes empresas, marcas renomadas também perdem mercado ao ponto de desaparecerem, quando não conseguem identificar e acompanhar quem são todos os seus concorrentes.

Um exemplo bem conhecido é a Nokia, que vendeu a maior parte desde os primeiros modelos populares nos anos 1990, até 2007, quando havia se tornado um conglomerado gigantesco, com 65% do mercado e praticamente só considerava concorrente a Blackberry. A partir daquele ano as fabricantes de computadores Apple e Samsung, que depois foram seguidas por outras, passaram a tirar uma fatia cada vez maior deste mercado que cresceu imensamente até os dias atuais. A Nokia não as considerava concorrentes, não percebeu que iriam tomar o seu gigantesco mercado, o que ocorreu muito rapidamente. Poderíamos citar um caso mais antigo e tão conhecido quanto, que é o da Kodak, que viu evaporar o seu consolidado mercado de filmes e máquinas fotográficas, mesmo tendo a primeira patente registrada de máquina fotográfica digital, quando os fabricantes de eletrônicos lançaram suas máquinas digitais e principalmente quando surgiram os smartphones. O que a Nokia, a Kodak e muitas que perderam seus mercados têm em comum com aquelas que estão perdendo o mercado atualmente é o fato de não terem se preparado para as outras possibilidades de concorrência. Eles estão perdendo mercado para players de outros setores, ou de quem era pequeno demais para ser considerado, e não para os concorrentes que estão acostumados a acompanhar e talvez culpam pelas dificuldades do setor.

           Os canais de TV aberta e por assinatura rivalizavam entre si, mas têm hoje nos canais particulares do Youtube e streamings de filmes e séries, quem lhes toma a maior parte de seus mercados. Como já se considera normal o fato dos aplicativos de mobilidade ser os principais concorrentes dos táxis e ônibus urbanos, os aplicativos de hospedagem tomar parte do mercado de hotéis e imobiliárias, outros muitos setores de atividade estão vendo boa parte de seu mercado ser tomado, por concorrentes não tradicionais e não que vinham acompanhando.

            Quem é mesmo seu concorrente? É uma pergunta cada vez mais importante para os planos de se manter no mercado. Primeiro é preciso mudar significativamente o modelo mental das lideranças dos negócios, pois o conhecimento precisa ser renovado constantemente e os olhares ampliados e diversificados.

                Um abraço e até a próxima!

sábado, 29 de agosto de 2020

O desafio da requalificação

 


As crises aceleram tendências, e este é um conceito que já repetimos aqui, fruto de pesquisas sobre os resultados das crises tanto na saúde, quanto econômicas, políticas, que ocorreram no passado e em vários lugares. A crise da pandemia, tem gerado a necessidade de reorganização em muitos setores. O emprego, o trabalho e a renda das pessoas estão entre as principais preocupações do momento, por terem sido mais fortemente afetados. Um dos maiores desafios a serem superados no que tange a trabalho e emprego é a qualificação das pessoas.

Neste momento, quem tem e quer manter um empreendimento, independentemente do porte, está concentrado em reorganizar o negócio considerando as oportunidades e as ameaças que o futuro próximo pode apresentar. Uma das questões cruciais para mudanças e melhorias em qualquer organização são as pessoas, não tanto em número, como principalmente em termos de qualificação e requalificação de quem está e deve ingressar na equipe. O SINE e demais serviços que oferecem vagas de estágios e empregos retomaram com força a oferta de vagas e há muitas vagas que ficam abertas durante um bom tempo, sem preenchimento.

Há quem diga que estamos vivendo o momento de maior mudança da história. Se é fato, não sabemos, pois só vivemos neste tempo, mas o que sentimos é que as transformações são mais rápidas do que conseguimos acompanhar. Sobre as mudanças no mundo do trabalho e emprego Maurício Benvenutti, sócio da Startse e autor de “Incansáveis” e “Audaz” diz “Os avanços tecnológicos afetam não só carreiras, negócios e governos, mas o próprio sentido da humanidade.” E pergunta: “O que acontecerá com motoristas quando os carros forem autônomos? (...) advogados (...) médicos (...) cozinheiros(...)” e com todas as profissões em que boa parte de suas atividades são repetitivas e podem ser realizadas por robôs ou softwares nos próximos anos. Benvenutti afirma também que “As necessidades da era industrial empacotaram o trabalho em empregos padronizados, previsíveis e em tempo integral, que atenderam perfeitamente as exigências da época. No entanto, apesar dos requisitos profissionais terem evoluído, muitas empresas ainda mantêm a mentalidade inflexível do passado. Em geral, definem cargos baseados em tarefas e remunerações equivalentes às horas trabalhadas nessas tarefas. Essas escolhas geram 2 efeitos colaterais. Primeiro, as atividades previsíveis estão sendo rapidamente substituídas pela tecnologia, pois sistemas de tarefa única são simples de construir. E segundo, milhões de trabalhadores passaram a ter profissões repetitivas. Atuam mais como máquinas do que como humanos. Infelizmente, essas ocupações também se tornarão obsoletas em breve.”

Muitos sinais puderam ser percebidos há um bom tempo, assim como estudos sobre tendências de trabalho e emprego, e sobre estes Benvenutti alerta ainda que “...temos no mundo massas de pessoas qualificadas para uma realidade que já acabou. Para um mundo que não existe mais. Enquanto há cerca de 12 milhões de desempregados no Brasil, sobram vagas no Sine, nos mutirões de emprego e em quase todos os setores da economia. Nos EUA, há 7 milhões de postos de trabalho que não conseguem ser preenchidos.”

Precisamos agir coletiva e colaborativamente, e em muitas frentes, com ações mais assertivas, e numa escala bem maior do que as tentativas anteriores, em favor da requalificação das pessoas para o trabalho. Muitas empresas precisando de gente qualificada em atividades que elas têm demandas a serem atendidas e resolvidas, enquanto muitas pessoas seguem sem emprego e/ou sem trabalho, estando qualificadas para atividades cuja demanda está reduzindo. É uma situação inaceitável enquanto sociedade!

A requalificação ou qualificação constante nas competências necessárias ao mundo do trabalho é uma das ações sociais mais importantes que famílias, empresas, entidades ou setor público poderão realizar. É um desafio gigante, que não pode ser deixado para os governos, independente da esfera, e que precisa de ação de cada um de nós, sendo menos espectadores  e mais de protagonistas.

            Um abraço e até a próxima!

sexta-feira, 21 de agosto de 2020

Trabalho inteligente agrega valor

     Circula pelas de redes sociais uma análise antiga e conhecida que traz uma lição importante, mas ainda aprendida por poucos, mesmo abordando de maneira simples e fácil de entender, o quanto o trabalho inteligente agrega valor.

A análise que circula nas redes é a seguinte “Uma barra de ferro custa US$ 5, mas transformada em ferraduras vale US$ 12. A barra de ferro transformada em agulhas vale US$ 3.500, mas transformada em molas para relógios, tem seu valor de mercado avaliada em US$ 300.000,-.” (aproximadamente um milhão e meio de reais) Em todas estas etapas, mesmo a fundição do minério em barra de ferro, precisa trabalho, equipamentos e inteligência, porém, quanto mais trabalho inteligente for empregado, mais valor é possível obter ao final do processo.

Um quilo de uva é R$ 1, mas transformada em suco passa a R$ 10, e em vinho bem simples R$ 15, enquanto um vinho médio passa para R$ 40, a R$ 100, sendo que alguns vinhos do RS e SC ultrapassam os R$ 500, a garrafa. Da mesma forma, é preciso trabalho, capital, tecnologia, inteligência para produzir uvas em condições de fazer sucos e vinhos, mas aqueles que transformam R$ 1, de uva em R$ 200, a R$ 300, de vinho o fazem com agregação de trabalho inteligente de várias formas, incluindo embalagem, rotulagem, apelos de marca e imagem, esforço de vendas e boas histórias.

Um quilo de soja custa R$ 2, mas transformada em óleo e farelo, vale mais, sendo que transformado em lecitina, proteína texturizada, suco, tofu, molhos, farinhas, fibras, ingredientes para outros alimentos e cosméticos, alcança valores de mercado muito superiores. O milho avaliado em R$ 1, o quilo, transformado em frango, ou suíno, tem um valor de mercado bem superior, sendo que por sua vez, o quilo da carcaça do suíno avaliada em R$ 10, tem o valor aumentado quando transformada em cortes especiais, ou embutidos de preço médio como salame e presunto cozido, que vão de R$ 25, a R$ 100 o quilo, enquanto o famoso presunto pata negra pode alcançar R$ 800,00 o quilo.

A economia de nosso país, bem como de cada estado, assim como o volume de riqueza e a qualidade de vida, com os recursos que giram na economia local tem relação direta com a agregação de valor que as pessoas de cada comunidade se esforçam e estão dispostos a empregar em sua produção primária. Conforme conclui a análise que circula nas redes sociais, fazemos muitas “ferraduras” e poucas “molas de relógio”. A superação das dificuldades de geração de emprego e renda pode vir mais rápida, ou com menor dificuldade, se conseguirmos que mais pessoas, especialmente as lideranças entendam que a riqueza, a qualidade de vida, o bem estar vem com a transformação do trabalho na produção primária, básica, extrativa, em agregação valor, com mais inteligência, tecnologia e inovação.

Esta análise também pode e deve ser uma lição aprendida em cada uma de nossas casas, pois o valor do trabalho é determinado pelo que cada um é capaz de fazer com o seu esforço e com o seu tempo.

     Como se obtém mais inteligência, tecnologia e inovação para as comunidades, estados e país? Ainda não foi inventado nada que substitua a necessidade de estudar, aprender, desenvolver conhecimento, para aprimorar processos e gerar mais valor. Pessoas, famílias, comunidades mais dispostas a aprender a agregar valor são o primeiro passo para a mudança de rumo que muitas gerações esperam do país em que vivemos.

Um abraço e até a próxima!

sexta-feira, 14 de agosto de 2020

Histórias para se inspirar


    A humanidade precisa do melhor de nós neste momento, mais do que nunca! Não tenho a pretensão de publicar um texto apelativo, tão pouco dramático, mas gostaria de sensibilizar os amigos leitores para a necessidade de convidarmos as pessoas ao nosso redor para uma mudança de postura.

    As tragédias, as desgraças, as notícias ruins parece que sempre chamaram mais atenção e por isso estão mais presentes na mídia, nos comentários, reuniões e rodas de conversas. Todavia, olhando um pouco para a história da humanidade, este aspecto negativo nunca esteve tão presente quanto neste momento em que os meios de comunicação e de interação entre as pessoas é muito maior do que em qualquer outro momento. Esta percepção negativa gera comportamentos que só aumentam as dificuldades, gerando paralisação e destruição das alternativas. Precisamos olhar para a frente com mais vontade de fazer coisas positivas. O melhor de cada um de nós pode ser mostrado no que fazemos efetivamente e a humanidade está precisando do melhor de nós. 

    Ler, ouvir, ver histórias inspiradoras, incentiva e mobiliza o melhor de cada um. Convido aos amigos leitores para dedicar mais tempo a conhecer histórias inspiradoras e compartilhá-las em rodas de conversas da família e amigos, nos grupos das redes sociais, e onde mais puder. A humanidade precisa mais do que nunca de mais pessoas estimuladas a agir em causas sociais, humanitárias, empresariais, comunitárias, ambientais, e outras. 

    Muitas empresas, pequenas e grandes, viram seus planos de desenvolvimento serem adiados, ou modificados a partir da maior pandemia dos últimos 100 anos. Todavia, após o impacto (e susto) inicial, muitas organizações, independente do tamanho, ficaram sem saber o que fazer, enquanto algumas trataram de se movimentar, quer seja tirando projetos do papel ou usando da criatividade, pesquisa, inovação, para se reinventar, sendo que algumas destas já vivem momentos tão bons quanto antes da pandemia e outras, vivem seus melhores dias de desenvolvimento. Estas últimas têm demonstrado alguns pontos em comum, como o fato de terem tirado o foco das más notícias, e aprimorado o entendimento das mudanças de como potencializar o negócio. 

    Reinventar o modelo de negócios, focando em facilidades para a vida dos clientes e auxílio para a sociedade passar por esta enorme provação, pode gerar dividendos a longo prazo. Fechar parcerias para complementar o portfólio, vender para quem nunca havia vendido, abrir mais canais de vendas, novos canais de comunicação, aumentar a produtividade e a produção com novas tecnologias e mais parcerias são algumas das ações realizadas por aqueles que estão se superando. 

    A pandemia, infelizmente, continuará entre nós, esperando que em breve com impacto reduzido, mas as histórias de inovação entre pequenas e grandes empresas do Brasil e de fora, e também entre ONGs, autarquias, repartições públicas, mostram que é nos momentos mais desafiadores que os melhores espíritos despontam. Este momento exige o melhor de cada um de nós, ajudando a tirar mais gente da inércia, buscando inspiração em histórias positivas, nos casos de superação, e compartilhando-os para inspirar mais gente. Ampliar acessos, baratear, facilitar, flexibilizar, gerar conveniência, inovar, qualificar e principalmente fazer, devem ser palavras de ordem em nossas organizações.

    A sociedade mundial está inovando como nunca, mas segue com o desafio de compartilhar com uma parcela maior da população estas novidades, pois muitas vezes o que parece comum para alguns, ainda é desconhecido pela maioria. O Brasil que é sempre lembrado pelos abismos de desigualdades poderia mostrar uma face diferente desta vez em que o mundo está com os mesmos problemas.

    Um abraço e até a próxima! 

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...