sexta-feira, 20 de dezembro de 2024

Formação superior X apostas online

 


O “apagão da mão-de-obra” é um tema cada vez mais presente nos diálogos sobre perspectivas, desenvolvimento social e econômico. A falta de profissionais nos mais diversos setores e níveis, em boa parte, se deve aos 30% da população de 18 a 24 anos que não trabalha e não estuda. Sendo esta, uma barreira para o desenvolvimento do País, alguns estudos estão sendo feitos para entender as causas deste fenômeno. Uma das pesquisas recentes revelou que 35% dos brasileiros que planejavam ingressar na faculdade em 2024 adiaram essa decisão por estarem comprometendo sua renda com apostas on-line. Este segmento tem 1,4 milhão de pessoas.

A pesquisa, realizada pela Educa Insights, destaca que plataformas de apostas, como bets e jogos de cassino virtual, como o "jogo do tigrinho", têm captado os recursos que seriam usados para educação. O estudo mostra que o impacto é ainda mais significativo entre as famílias com renda mensal abaixo de R$ 1mil por pessoa, onde 41% abandonaram a ideia do ensino superior, sendo que na faixa com renda até 2,4 mil por pessoa, são 39% os que desistem dos estudos superiores. A pesquisa entrevistou 10,8 mil pessoas de todas as classes sociais e regiões do Brasil, que foram convidados a se manifestar sobre interesse em ingressar no ensino superior e como se comportam em relação as apostas online.

                É notório que o Brasil enfrenta a falta de regulação dos sites de apostas, causando muitos prejuízos aos jogadores e a sociedade como um todo. Entidades que congregam instituições de ensino querem contribuir com a regulação dos sites de apostas. Algumas regras que se discutem envolvem limite diário de gastos, cadastro obrigatório de jogadores com reconhecimento facial, registro de empresas autorizadas a operar no Brasil, dentre outras. O objetivo seria reduzir o número de pessoas que consideram as apostas uma forma de renda, em vez de um entretenimento. No entanto, especialistas alertam que o formato dos cassinos on-line, que tendem a estimular o vício, continuará liberado, dentre outros motivos, porque a maioria destas empresas de jogas é de fora do País.

Um levantamento realizado pela consultoria PwC mostrou que o setor de apostas movimentou R$ 100 bilhões em 2023, equivalente a cerca de 1% do PIB brasileiro. Nas famílias de baixa renda as apostas representam 76% dos gastos com lazer e cultura e 5% das despesas com alimentação. O impacto das apostas on-line é percebido em vários setores da economia, principalmente no varejo. Em agosto, o diretor do Banco Central Gabriel Galípolo, afirmou que o aumento da renda no Brasil não está sendo refletido no consumo ou na poupança das famílias, possivelmente pelo grande aumento nos gastos com jogos on-line.

Entre as instituições comunitárias e privadas de ensino, já existiam estudos que levantavam hipóteses onde as apostas online estavam contribuindo para os jovens desistirem da formação profissional, técnica e superior. Com a pesquisa, confirmou-se a influência negativa das apostas on-line para a continuidade dos estudos. O ensino superior, assim como o nível técnico, que dão a segurança de empregabilidade e oportunidades de renda ao longo da vida, nunca deveriam competir com o dinheiro para as apostas, que geram ilusão e vício. Educação e trabalho com atitude são os únicos caminhos para ter mais renda, vida confortável e oportunidades de alcançar os desejos. Muitos apostam pela ilusão da renda fácil e depois caem no vício do jogo, consumindo sua renda e da família, além das suas energias e esperanças.

O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) em junho divulgou dados que reforçam a importância da educação superior na qualidade de vida e na renda das pessoas. Pessoas sem nível superior tem renda média de R$ 2,4 mil, enquanto as pessoas que têm graduação recebem, em média, R$ 7 mil, ou seja, quase três vezes mais.

Que possamos voltar a ter mais pessoas interessadas em estudar e trabalhar! Um abraço e até a próxima!

Vendas para não vendedores

 


Nestes dias me deparei novamente com um trecho da história que eu e provavelmente muitos dos amigos leitores leram e ouviram mais de uma vez, sobre o que Oscar Schmidt, um dos maiores jogadores de basquete de todos os tempos dizia quando numa entrevista lhe perguntaram sobre a sorte de acertar tantas cestas a cada partida que jogava. A resposta de Oscar, dizendo que sua “sorte” vinha de 8 horas de treino por dia, o que representava 50% a mais do que todos os outros jogadores dos times em que ele integrou, foi contada muitas vezes, tanto por ele, quanto por outras pessoas que ouviam a história.

A reflexão é sobre como o olhar externo, quanto as pessoas de longe percebem como sorte o resultado do esforço de horas, dias e anos de dedicação de alguém que obtém bons resultados. Conforme o texto da semana passada, cada um de nós tem um conjunto de talentos, algumas propensões que também vem do meio em que vivem e que precisam ser aprimoradas ao longo da vida para gerarem bons resultados. Assim como há os que gostam de se apresentar em público, há os que têm uma fala mais articulada, desenvolvida inicialmente pelo convívio e observação, podendo ser aprimorada com a prática, cursos, leituras, mentorias, etc.

Advogados, dentistas, médicos, fisioterapeutas, professores, engenheiros, arquitetos, e tantos outros profissionais não vendedores, que tem sua renda baseada na venda dos seus serviços, não tem a preparação para vendas inserida no ensino formal. Alguns destes profissionais fazem muita renda com a venda dos seus serviços, mas como os demais podem aprender com isso? – Aqui vão algumas dicas: não fique simplesmente esperando; foque nos resultados; estude as experiências bem sucedidas; e ofereça experiências memoráveis.

Há muita gente que pensa que para poder basta simplesmente querer, o que é um equívoco. Para vender razoavelmente é preciso fazer algumas coisas básicas como conhecer bem o produto/serviço, analisar as razões que podem levar o cliente a querer ou rejeitar minha oferta, saber os benefícios que tenho para oferecer e conhecer os diferenciais para apresentar em relação à concorrência.

Quem tem sua renda baseada na venda de seus produtos e serviços precisa entender que cada falha representa uma perda. Também não dá para desistir diante das objeções como as que o possível cliente diz que é caro, ou que é parecido com a concorrência, ou que não é necessário, etc.. É preciso encarar cada negativa como um desafio a ser superado por meio de evidências e argumentações que permitam ao prospect tomar a decisão de comprar, sem arrependimentos.

Em determinadas fases da vida pode acumular muitas atividades e faltar tempo para fazer um curso, ir a palestras. Quando isso ocorrer é preciso encontrar tempo para uma boa leitura, de fontes qualificadas, sobre o assunto que se quer saber mais. Quem quer aprender mais sobre vendas, mesmo não sendo a sua profissão, também pode escolher uma ou mais pessoas que respeita no assunto, para ser seu mentor nessa trajetória.

Crie várias situações, ações, detalhes no ambiente, nos produtos e serviços, na comunicação, no atendimento, com potencial para impactar positivamente seus clientes de modo a eles perceberem como único e exclusivo, e que possam contar aos amigos, colegas e familiares como uma experiência muito boa, que vale muito, que não podem deixar de ir, etc. Lembre-se que você, eu e os nossos clientes pagam mais por experiências memoráveis.  

Todos os profissionais não vendedores, e cuja renda dependa de vendas pode aumentar seus resultados com estes 4 objetivos: 1) não ficar esperando; 2) eliminar as falhas dos processos; 3) estudar experiências bem sucedidas; 4) oferecer experiências memoráveis.

Também é importante lembrar que conforme os negócios vão crescendo é importante contratar o auxílio de quem pode se dedicar totalmente as vendas dos seus serviços para que você foque cada vez mais naquilo que você é único e especial.

Um abraço e até a próxima!  

Os talentos e as profissões

 


Acredito num Deus justo e amoroso e quem mais pensa assim, deve entender que não seriam distribuídos talentos a alguns e a outros não. É visível que alguns têm muito talento para algumas atividades específicas, enquanto para outras não. Cabe a cada um de nós descobrir quais são todos os nossos talentos e usá-los em gratidão e solidariedade para auxiliar os outros, na descoberta dos seus.

Quem é talentoso precisa saber que isso não significa que ganhou algo, mas que tem algo a oferecer aos outros, e que isso pode lhe proporcionar satisfação, alegria, companhia, prosperidade e melhores condições para viver. Claro que nem todos tem esta visão dos seus talentos e tampouco, sobre ajudar a descobrir os talentos dos outros. A visão muitas vezes se torna clara somente depois de uma boa auto avaliação, uma reflexão interna olhando profundamente coração, alma e espírito, com muita consciência, desprendimento e convicção. Dizem que quem olha para fora sonha e quem olha para dentro, desperta. Assim, nossa percepção se tornará clara somente quando pudermos olhar profundamente para dentro de nós.

Uma das maiores dificuldades a serem superadas é a consciência de que a mente de cada um de nós oscila entre o que faz sentido e o que é absurdo para a forma que cada um vê o mundo e a vida, e não entre certo e errado!

Mesmo pensando que conseguimos controlar totalmente a nós mesmos, ao conversar com um amigo honesto e sincero, pode-se ter revelado algo importante sobre nós, do qual não tínhamos uma ideia clara até então. Quase todos sabem que outros são muito importantes em nossa vida, mas poucos sabem que os outros são fundamentais para conhecermos a nós mesmos por completo. Quem tem algum contato conosco sempre revela algo sobre nós que precisamos ficar mais atentos, seja nos mostrando explicitamente algo que não vemos, seja agindo de alguma forma que nos incomoda. Tudo o que diz respeito às outras pessoas que não satisfaz a uma pessoa sábia, deve alertar e ajudar a se entender melhor.

Nunca somos o que aconteceu conosco, somos o que escolhemos ser. Não somos consequências do que fizeram para nós, mas consequências do que fizemos e do que deixamos de fazer.

Uma parábola é uma pequena história contada para explicar uma verdade complexa. A famosa parábola dos talentos mostra como não devemos desperdiçar as oportunidades que Deus nos dá. Os verdadeiros seguidores de um Deus bondoso aproveitam as oportunidades e obtêm bons resultados. Os falsos seguidores desperdiçam tudo que recebem e até culpam a Deus por aquilo que não gostam em suas vidas.

Deus dá tesouros a cada um de nós como suas palavras, o Espírito Santo, amor, dons... E com esses tesouros vem a responsabilidade de administrá-los bem. O Deus bondoso conhece nossas capacidades e não nos dá mais do que conseguimos administrar em cada momento da vida. “A cada um ele dá de acordo com suas habilidades.” (1 Coríntios 12:4-7)

Que possamos utilizar nossos talentos para descobrir os talentos dos outros oferecendo o melhor que temos para os outros e para nós mesmos!

Que Deus ilumine os líderes comunitários, os professores, os gestores de equipes, os pais, para auxiliar aquelas pessoas que ainda não descobriram todos os seus talentos a despertar, terem consciência de suas habilidades e assim, oferecer o que tem de melhor aos outros e a eles mesmos!

Um abraço e até a próxima!  

As emoções nas negociações

 


Muita gente acredita que consegue negociar com total racionalidade, porém, há evidências científicas que mostram que é impossível retirar totalmente as emoções das negociações. Muitos de nós estão envolvidos em negociações ao longo de todo o dia, então, segue aqui algumas dicas de como lidar com as emoções nas situações de negociação.

As decisões são tomadas com base em situações que nos importam, e este motivo já basta para saber que impossível ser completamente racional. Por isso, o ideal é saber exatamente o que é mais importante para nós numa negociação. Desacelerar os pensamentos em meio a tantas atividades e compromissos, deixando de lado a pressão por resultados, com calma para definir bem as prioridades pessoais, é um grande desafio! São as prioridades pessoais que nos motivam a fazer bons negócios e este também é um motivo pelo qual as emoções fatalmente estão presentes nas negociações.

Não é novidade para ninguém que o sucesso na negociação depende em boa parte da preparação de cada participante. O que é importante para o outro pode não estar entre as nossas prioridades e mesmo assim, a negociação precisa avançar. Segundo Chris Voss, um dos mais importantes praticantes, escritores e professores de técnicas de negociação, a cada hora investida em preparação, obtêm-se 7 horas de economia no desenrolar do negócio. Voss afirma também que ao entender o que importa para a outra parte você pode usar argumentos impactantes para influenciar e fechar mais negócios.

Já sabemos que nas negociações mais frequentes de alguns segmentos como seguradoras,  planos de previdência privada, saúde complementar e outras algumas frases já são bem conhecidas: "Você vai pagar a faculdade dos seus filhos caso esteja vivo. Nós vamos cuidar disso se você morrer." Ou: "é um fato que a maioria das mulheres casadas se tornarão viúvas em algum momento. É melhor se preparar para quando isso acontecer." E ainda “É melhor prevenir, senão...”. Não importa em que segmento você atua, o seu cliente certamente tem uma questão importante que o preocupa e que talvez não esteja evidente. Descubra com o que o cliente se importa e vai conseguir impactá-lo para fechar com mais rapidez e facilidade.

Ao falar sobre emoções, é importante lembrar que elas são contagiosas: temos uma habilidade nata em observar as pessoas, seus olhos e feições e identificar que tipo de sentimento estão transmitindo, mas fazer essa autoanálise não é tão simples. Quantas vezes você já sorriu porque viu e ouviu pessoas próximas dando gargalhadas?

Silvia Campos, especialista e instrutora de técnicas de negociação indica um teste que consiste em pedir para pelo menos 7 pessoas que convivem com você responder as questões como: “Você me considera otimista?”, “Como é meu senso de humor?”, “Sou atencioso e um bom ouvinte?”, “Sou alegre e agradável?”, “Tenho uma postura e aparência profissional que transmite segurança e credibilidade?” ... dando uma nota de 1 a 5 (sendo 1 pouco e 5 muito), deixando-as muito confortáveis para serem sinceras sobre você! A autora recomenda que quem se surpreender negativamente com as respostas, não deve entrar em crise, nem se chatear com as pessoas que responderam, devendo entender como um insight que pode oportunizar a mudança para a melhora da forma que é percebido pelo mundo.

Por mais racional que alguns de nós tenta ser e agir, é muito importante percebermos que tudo que ocorre conosco, ou perto de nós, passa pelas emoções e saber lidar com elas da melhor maneira, aumentará o desempenho nas muitas negociações que a vida coloca à nossa frente.

Um abraço e até a próxima!

sexta-feira, 30 de agosto de 2024

Vendendo à distância

 


Vender pelo WhatsApp, Instagram, Facebook, telefone, está em alta e tem seus próprios desafios e hoje vamos deixar algumas dicas de como tentar superá-los.

As vendas por telefone ainda são frequentes em alguns setores, mas em muitos outros vão sendo rapidamente substituídas, com vantagens, pelas ferramentas digitais, que evitam interrupções de atividades com contatos inesperados e reduzem a facilidade do cliente evitar o profissional de vendas.

A atenção do cliente obtida com as ferramentas digitais, assim como com o telefone, é muito menor do que nos contatos pessoais, além da limitação da comunicação. A linguagem do corpo, que é um ótimo meio de comunicação nos encontros face a face, ainda não tem substituição nos contatos por ferramentas digitais, onde é bem mais difícil de perceber reações das pessoas.

É fácil para o cliente fazer algo diferente, não só fazendo outras atividades, mas contatando os outros profissionais de vendas de outras empresas ao mesmo tempo. A seguir, vão algumas dicas para superar os desafios dos contatos de vendas, à distância.

Diga sempre o seu nome e o nome da empresa, para que a outra pessoa não necessite perguntar e também para que possa entender logo de quem se trata. Se for falar ao telefone, gravar áudio ou vídeo, lembre que o tom de voz, a clareza da pronuncia e o volume da fala é muito importante.

Se o contato for institucional, lembre de informar com quem gostaria de falar, respeitando a função dos intermediários como secretárias/os, atendentes, telefonistas, assistentes e outros. Mencionar que o assunto é importante para a pessoa que você quer contatar, também ajuda bastante. Ser objetivo é o melhor a fazer, tanto com os intermediários, quanto com o contato que você busca.

            Quando o contato foi feito e o possível cliente estiver respondendo as perguntas, o profissional de vendas deve ir anotando os pontos chave e depois confirmar aquilo que entendeu. Na confirmação resumir o que o contato disse, iniciando com: "(falar o nome), deixe-me ver se entendi bem: ...”

Outra lembrança e dica da maior importância é que comunicar-se bem não é falar a maior parte do tempo, pois escutar é essencial para uma comunicação eficaz, mantendo o foco, com o mínimo de distrações externas, prestando o máximo de atenção no quê e como o cliente se expressa. Evite as interrupções e os pré-julgamentos enquanto o cliente fala, pois perturbam o processo de comunicação e o entendimento de como ajudá-lo a comprar.

É melhor que o controle da venda esteja sempre na mão do vendedor evitando dar trabalho ao cliente fazendo com que o mesmo tenha que retornar ou procurar algumas vezes. Ser acessível é muito importante, além de evitar as burocracias que algumas empresas ainda possuem para os canais de vendas.

As ferramentas digitais não devem ser impeditivos para a busca de vínculos com o cliente, que precisa sentir interesse verdadeiro em ajudá-lo. Confiança, tranquilidade, sensação de amizade, conforto, empatia pura, são sentimentos que fazem com que o cliente perceba o interesse do vendedor e um estímulo a reciprocidade no interesse pelo vendedor, seus produtos e sua empresa.

Nos diálogos, mantenha os assuntos girando nos interesses do cliente. Comunicar-se bem para criar afinidade é saber dizer coisas que chamam a atenção do cliente e o coloca numa posição confortável. Quando um vendedor fala demais, quebra a sintonia com o cliente e por isso, a última dica, valendo para vendas físicas e digitais, é sempre de forma objetiva mencionar os ganhos que o cliente terá, antes de falar dos detalhes técnicos do produto ou serviço.

Sucesso nas vendas, um abraço e até a próxima!

Desconto precisa ser negociado

 


O desconto nos preços de vendas geralmente geram bastante dúvidas entre os profissionais da área. Estou entre os que pregam que se o profissional de vendas é bom, não deve vender desconto, pois deve vender valor. De qualquer modo, quem utiliza estratégias de desconto deve saber que desconto não deve ser dado, mas negociado.

O desconto pode ser utilizado para negociar o fechamento de uma venda, mesmo que a empresa trabalhe oferecendo propostas de valor. Todavia, esta situação pode ser prejudicial para os lucros e para a imagem do produto e da empresa se não for trabalhada corretamente. O que paga as contas, os salários, os benefícios, o capital investido, é a margem de lucro e cada vez que alguém dá um desconto, reduz esta margem, reduzindo todo o esforço das mais diversas áreas.

O desconto deve ser uma alternativa como parte da negociação de fechamento da venda. Usando com moderação, inteligência e estratégia, o desconto pode ser um importante aliado. Mas em algumas situações o desconto é uma alternativa que faz parte da negociação.

Claudio Diogo é um especialista em vendas e consumo que sugere em seu livro V.E.N.D.E.R., a estruturação de plano de ação em 4 etapas para usar o desconto como aliado da estratégia de negociação em vendas:  1) Definição de seus objetivos; 2) Compreensão dos objetivos dos clientes; 3) Estabelecimento de concessões possíveis; 4) Planejamento de ações.

            Diogo afirma que “o ponto de partida é entender que uma venda não permite que só o vendedor ceda e dê seus descontos. Eles devem ser negociados, e bem!” Ele sugere que na primeira fase, seja listado exatamente o que se quer com aquele cliente: vender um único produto/serviço, ou fazer uma venda mais complexa, com adicionais. Lembrando que é muito importante ter claro o que se considera o desfecho ideal da negociação, desfecho aceitável e mínimo aceitável. Na segunda fase, a atenção deve ir para as respostas que o cliente deu às perguntas feitas na fase de prospecção, bem como o entendimento do cliente, identificando as forças e fraquezas, o que ele espera dessa negociação e quais seriam, na visão dele, os desfechos ideais, os aceitáveis e mínimos aceitáveis. Quem cumpre estas 2 das 4 etapas já chega melhor preparado para a negociação e, poderá encontrar mais facilmente o caminho do melhor desfecho. É sempre muito importante lembrar que vender é ajudar as pessoas a tomar as melhores decisões para ambas as partes: vendedores e clientes! Em tempo: é sempre bom verificar se pessoa com quem se vai negociar é quem decide e pode concretizar o negócio.

A terceira etapa consiste em estabelecer as concessões que podem ser dadas ao cliente. O autor de V.E.N.D.E.R. sugere que para cada cliente deve-se ter definida uma lista diferente de concessões. As empresas e os profissionais de vendas devem ter uma espécie de "Banco de Concessões", para ser utilizada aos poucos e sendo trocas por concessões dos clientes. Por exemplo: aumentar o prazo de pagamento e, em troca, pedir que ele o indique a outros possíveis clientes, fazer uma venda adicional e assim por diante. Uma boa tática agradar ao cliente e agregar ganhos é tirar benefícios naturais e oferecê-los como concessões. Muitas empresas fazem isso com a entrega de bem móveis. A empresa e o profissional de vendas não perdem nada e deixam o cliente com a sensação de que ele está ganhando.

Por último vem o planejamento das ações. Simular com outros vendedores ou com o líder como será a negociação do fechamento, possíveis desfechos, estudar as concessões de desconto que podem ser oferecidos em cada fase, vai permitir um melhor preparo para a negociação. Alguns clientes não se contentam em comprar, alguns querem negociar e ter a sensação de que ganharam. Por isso, é importante ter concessão guardada no bolso pois muitas vezes, antes da última assinatura alguém pode pedir algo. Por fim, vale a dica do registro dos acordos em documentos formais e detalhados. Para agilizar o processo, vale deixar preparados acordos possíveis, e no fim da negociação, pedir que o cliente assine.

É fundamental vender valor e evitar os descontos. Mas se o desconto for inevitável, esperamos que estas dicas possam contribuir para evitar prejuízos financeiros e de imagem.

Um abraço e até a próxima!

Coragem e persistência para mudar

 


                A mudança deveria ser uma das poucas constâncias em nossas vidas, mas é preciso coragem e persistência para que algumas mudanças gerem os melhores resultados.

                John Kotler, professor de Harvard e escritor, há alguns anos elencou 8 passos para liderar a gestão da mudança, seja de um grupo ou de uma organização.

                O primeiro passo é a criação da urgência, avaliando quais são as ameaças: - O que vai acontecer se não mudarmos?

                Depois é preciso formar um grupo de apoio, o segundo passo, que John chama de grupo de coalizão, ou seja, um grupo formado por pessoas de diversos setores e área, com atributos naturais de liderança e forte envolvimento emocional com o processo de mudança.

                O terceiro passo é criar uma visão para o processo de mudança: - Para onde estamos indo? - Qual o estado futuro desejado? - Quais os valores que precisam ser reforçados? - Como saberemos que chegamos lá? - O que ganharemos tanto com o processo quanto com a chegada ao estado futuro desejado? - Qual a estratégia para chegar lá?

                Tendo a visão, é preciso comunicá-la! O quadro passo é falar sobre a nova visão sempre que possível e reforçá-la em todas as conversas, comunicados e reuniões. Faça com que todas as decisões internas passem pelo crivo da nova visão, validando as propostas que surgem e questionado: “isso está alinhado com nossa nova visão?”.

                Remova obstáculos: faça com que todos os departamentos de apoio estejam alinhados e trabalhando fortemente para apoiar a nova visão, principalmente o RH, revendo o recrutamento, a remuneração, as campanhas de incentivo e a comunicação interna. Recompense e reconheça as pequenas vitórias e os campeões internos, aqueles que lutam e personificam os valores positivos da mudança. Repense o organograma, remova barreiras estruturais e as pessoas negativas, sempre que necessário.

                Na sequencia, é preciso criar vitórias de curto prazo: as pessoas precisam saber que estão evoluindo e no caminho certo. Crie objetivos de curto prazo e celebre com o grupo, sempre que tiver uma conquista, mesmo que pequena.

                Muitos processos de mudança falham justamente no final, porque as empresas acomodaram-se com algumas mudanças iniciais superficiais, cosméticas, sem realmente preocupar-se com mudanças mais profundas, às vezes impopulares, e de longo prazo. Quanto maior e mais antiga a organização, mais lentas podem ser as mudanças e também por isso, mais importante que depois de iniciado, haja um processo constante.

                Por último, Kotler recomenda ancorar as mudanças na cultura da empresa para garantir que elas passem a integrar o DNA organizacional. É preciso alinhar todos os pontos da chamada roda da liderança em torno da nova visão. Estratégia e posicionamento, recrutamento e seleção, treinamento, remuneração, incentivos, indicadores de performance, comunicação com a equipe... tudo isso influencia a cultura da empresa e deve ser usado de maneira proativa para reforçar e consolidar o processo de mudança.

                Embora têm sido dito e escrito muito a respeito de mudança, um componente que nunca pode faltar na liderança e liderados ao mudar para melhor é a coragem para agir. Muitas vezes são feitos diagnósticos precisos, constroem-se excelentes planos para as soluções, mas algumas ações decisivas não são tomadas por falta de coragem. E aí, os planos não geram os resultados que poderiam.

                Uma nova visão, uma nova forma de trabalhar, significa que temos que desaprender e reaprender constantemente. Não fomos naturalmente ensinados a esquecer o que aprendemos no passado para aprender o que é necessário para o momento atual e futuro. Alguns têm mais facilidade que outros, mas é fundamental desenvolver este processo de aprendizado nas equipes, com tantas variáveis mudando ao nosso redor.

                Um abraço e até a próxima!

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