sábado, 9 de maio de 2020

Por que convivemos com regras díspares em meio à crise da COVID19?

   A pandemia do COVID19 avançou rápido e ultrapassou fronteiras, junto dela surgem diversos problemas: sanitários, empregatícios, monetários, psicológicos, sociais, criminais, etc., porém, com este texto busco responder algumas perguntas acerca de como as autoridades produzem as normas para regular esta situação tão complexa, quais os fundamentos jurídicos para tais e os desdobramentos destes atos normativos.
     A quem cabe produzir as normas que irão regular as novas relações que se apresentam? Que caráter terão estas normas? Por quê precisam existir regras federais, estaduais e municipais? A qual devo obedecer? São algumas das dúvidas que procuro responder nas próximas linhas.
     Para entendermos quem é o responsável por elaborar essas regras devemos olhar primeiro para nossa lei suprema: a Constituição Federal. Em seu artigo 23 ela indica que é de competência comum à União, Estados e municípios cuidar da saúde e assistência pública, tendo em vista que a preservação destas é um direito fundamental de todos e deve absorver os cuidados das mais diversas esferas administrativas. A partir disso, surge o primeiro questionamento: se a competência é comum e todos podem editar normas, existem diferenças entre estas normas? Quais são elas? Bem, cabe aqui ressaltar que em um momento excepcional como este as medidas tomadas pelo poder público devem ser coordenadas, se complementando uma a outra, no sentido de melhor solucionar o problema presente, além de orientar a população com ações mais adequadas.
     De toda forma, do ponto de vista jurídico, cabe à União fixar normas gerais e aos estados e municípios restaria a competência suplementar, isto é o mesmo que dizer: as normas são organizadas de forma que a União forneça um norte, uma direção na qual irá se pautar a atuação do país e os estados e municípios atuem legislando de acordo com suas particularidades locais e nos pontos em que a lei federal é omissa. Sendo assim, se o Ministro da Saúde ou o Presidente da República determina uma medida, o meu prefeito é obrigado a segui-la? Como já exposto, o mais adequado neste contexto é que os entes atuem conjuntamente a par de determinações previamente estudadas e embasadas em critérios objetivos (científicos, econômicos, estatísticos).
     Ainda assim, podem surgir conflitos, tem-se então de analisar até que ponto as decisões administrativas federais não invadem a autonomia de cada ente federativo (União, estados e municípios), que é um dos pilares da organização do Estado. Acerca deste ponto, o STF se posicionou no último dia 15, no julgamento da ADI 6.341, no sentido de que as medidas do governo federal não afastam a competência concorrente dos entes.
     Diante de tantas incertezas como podemos saber qual regra a ser seguida é preferível? A fim de melhor esclarecer e fornecer uma certa segurança jurídica neste momento conturbado o Prof. Rafael Maffini aponta 3 critérios para definir qual norma é mais adequada e qual deve prevalecer no caso de conflitos entre normas produzidas para enfrentar a pandemia, são eles, em ordem: 1) aquelas normas que tem maior embasamento em evidências científicas e análises estatísticas; 2) aquela que tiver maior compatibilidade com as realidades locais e 3) a que prever maior restrição em prol da proteção à saúde1.
     São critérios objetivos e que poderão delinear a elaboração de normas daqui pra frente, posto que muitos dos primeiros atos normativos (leis, decretos, portarias), acabaram pulando algumas etapas em especial o debate democrático e pré-estudo técnico, o que é compreensível dado a urgência das medidas exigidas.
   Por fim, neste momento delicado em que vivemos são incontáveis as possíveis repercussões que esta pandemia irá trazer no Brasil, em especial no sistema jurídico, que terá grandes desafios pela frente e talvez inclusive modificando princípios para se adequar a nova realidade que apresentar-se-á. Não temos a certeza do que irá mudar, mas sabemos que muita coisa irá mudar. Estas mudanças exigirão menos antagonismo, disputas ideológicas, cooperação e humanidade.
     Um abraço a todos e até a próxima.

Texto de Igor Marcelo Blume. 

sexta-feira, 8 de maio de 2020

Vendendo na pandemia


             Na semana passada relatei sobre um estudo que realizamos sobre o comportamento de consumo durante a pandemia. As informações interessaram a leitores que pediram por mais detalhes do estudo e segue aqui mais alguns resultados. Para quem não leu ou não lembra o texto da semana passada, a coleta de dados foi realizada no início do mês de abril, por email e perfil de professores e estudantes da FAHOR nas redes sociais, com 676 consumidores, de diversas faixas etárias, níveis de renda, escolaridade e locais de residência.
             Complementando os principais dados apresentados na semana passada, pode-se destacar os principais hábitos que as pessoas deixaram neste período de pandemia. 85% dos respondentes afirmam que deixaram de ir a bares e restaurantes e 80% informa que deixou de frequentar eventos sociais, incluindo encontros de família e amigos, cultos ou missas. Só estas 2 informações já mostram o quanto bares, restaurantes, promotores de eventos culturais, esportivos e de lazer estão precisando se “reinventar”, mas geram ainda um forte indicativo de que o comércio de roupas, calçados e acessórios que tem nestes momentos e nas trocas de estações, alguns dos mais fortes apelos para vendas, precisam identificar outras alternativas. 76,13% afirma ainda, que um dos hábitos que deixou, foram as idas ao centro da cidade e às lojas. Esta informação mostra o tamanho do público com potencial para venda on line e o quanto é importante que as lojas tenham em paralelo a abertura (física) dos estabelecimentos, soluções de venda on line e tele entregas.
35,35% das pessoas afirma que deixou de usar serviços como salão de beleza e barbearia e 33% indicou viagens e excursões como serviços cancelados ou suspensos neste período. A boa notícia para os setores de serviços, é que o restante não é indicado por uma fatia mais significativa como possíveis cancelamentos, ou suspensões.
              Os novos hábitos a partir da pandemia, podendo indicar mais de 1 opção também foram identificados e 57,54% afirma que passou a ter mais cuidados com a higiene pessoal, sendo que 54,88% diz que passou a limpar mais e com mais frequência as suas casas, enquanto 54,73% afirma que passou a higienizar mais alimentos e bebidas. Este conjunto de novos hábitos mostra oportunidades evidentes para produção e vendas de mais produtos de higiene e limpeza, como combos e kits de limpeza mais práticos e mais bem adaptados aos novos usos novos.
Cozinhar mais, com 51,63% e comer mais, com 51,18% estão entre as mudanças de hábitos mais frequentes e mostram oportunidades de vendas para mais equipamentos e acessórios de cozinha, gás, ingredientes, inclusive novidades nas linhas consideradas gourmets. Parte do público tem estas respostas combinadas com o hábito de assistir mais televisão, onde os programas e canais dedicados a culinária/gastronomia passaram a ter mais espaço. Empresas locais que vendem produtos destas linhas deveriam expor mais digitalmente e comunicar mais e melhor as suas ofertas.
Trabalhar em casa é um hábito novo para 41,66%, sendo que 40% passou a cuidar mais da casa e do jardim e 28% passou a concertar mais coisas em casa e na empresa. Este conjunto de novos hábitos permite entender que móveis como mesas e cadeiras novas, mais ergonômicas para trabalhar em casa tem aumentado a probabilidade de vendas. Equipamentos e acessórios para pequenos concertos e produções, do tipo faça você mesmo, assim como artigos que deixam a casa mais aconchegante, mais confortável e mais usual para todos que passaram a ficar muito mais tempo em casa, tem aumentado o potencial de vendas, e pode ser aproveitado por empresas que atuam no setor que anunciarem mais, principalmente nos canais digitais, de veículos locais.
          Ainda sobre os negócios locais, a grande queixa, é sobre os preços dos produtos. Na sequencia a variedade e disponibilidade e ainda o atendimento é uma forte justificativa para aqueles que compram fora de seu município. Estes e outros pontos desta e outras pesquisas são importantíssimos, com ou sem pandemia e precisam ser melhor geridos por aqueles que querem sobreviver e se desenvolver.
         Finalizo reforçando que as mudanças de hábitos do consumidor vão mostrando oportunidades de produção e vendas durante e após a pandemia. Algo que não muda é que quem quer vida longa aos seus negócios, precisa entender melhor o comportamento dos seus públicos.
                Um abraço e até a próxima!

sábado, 2 de maio de 2020

Consumo e hábitos na pandemia


                Há algumas semanas atrás participando de um grupo de empresários e executivos que discutem o que fazer para manter os negócios diante do distanciamento social, perguntei aos participantes se eles pudessem, o que perguntariam aos seus clientes e prospects. Com as questões propostas por eles e mais algumas, convidei uma colega e nossas turmas de estudantes e realizamos uma pesquisa com análise de comportamento de consumidor durante a pandemia.
Com os resultados da pesquisa, a pretensão é orientar empresários, executivos, profissionais liberais e autônomos para continuar vendendo bens e serviços para as pessoas que moram nos seus municípios e estão bem mais tempo em casa. Trago aqui alguns resultados gerais e algumas análises, que podemos seguir complementando nas próximas semanas por este espaço. Responderam a pesquisa nas duas primeiras semanas de abril, 678 consumidores de diferentes faixas etárias, diferentes faixas de renda, ocupações e municípios.
                Um dos resultados que chama a atenção é a disposição das pessoas para contribuir com as empresas locais. 32,1% dos respondentes afirmam que estão dispostos a deixar de comprar de empresas de outros municípios, para prestigiar as empresas locais. 30,8% está disposto a indicar os produtos e serviços das empresas locais para amigos e familiares. 28% quer comprar agora por telefone e internet, para entregarem nas suas casas. 6,6% se dispõe a comprar agora “vouchers” de serviços diversos para usar posteriormente.
                Quanto aos produtos que as pessoas têm interesse em comprar, mas atualmente não conseguem fazer isso sem sair de suas casas 11,14% dizem que gostaria de comprar comida e mantimentos sem sair de casa e não consegue fazer isso na sua cidade. 8,96% citam vestimentas, cama, mesa e banho e 8,44 citam calçados e acessórios como itens que não conseguem comprar sem sair de casa. Medicamentos, com 6,7%, móveis, artigos para o lar, e decoração, com 6,09%, eletrônicos e eletrodomésticos, com 4,96%, bebidas com 4,53%, materiais de construção, incluindo tintas, com 3,83% e cosméticos e perfumaria, com 3,48% são outros grupos de itens dos mais citados entre aqueles que seriam adquiridos de empresas de suas cidades, se houvesse como adquirir sem sair de casa.
                No que tange a serviços, a dificuldade de acesso durante o distanciamento social a serviços médicos, hospitalares, laboratoriais, assim como consultas e terapias aparece com 21% e os serviços de odontologia, foram citados por 15,93%. Os serviços de beleza/estética, com 12,69, os serviços de fisioterapia, fitness e bem estar com 12, 51% e entretenimento, cultura e lazer com 11,61% também são apontados como de difícil acesso durante este período. Serviços de manutenção como encanador, eletricista, pintor, instalador, manutenção de equipamentos eletrônicos, aparecem com 3% de citações com dificuldades de acesso neste período.
                Tanto na reinvenção do varejo quanto na prestação de serviços, os resultados mostram boas e  variadas oportunidades para negócios micro regionais apresentarem-se mais e melhor com vendas por telefone, on line e entregas domiciliares as pessoas que residem no município.
                33,83% respondeu que pelo menos 1 vez por mês faz alguma compra pela internet, sendo que destes, 7,69% tem frequência semanal. 28,25% diz que a cada 3 meses faz alguma compra pela internet, sendo que apenas 10,80% afirma que nunca compra pela internet. Isto também quer dizer que o morador destes municípios já está habituado em boa parte a comprar pela internet, mas precisa que os negócios locais, que ele conhece e confia, estejam lá também, com acesso bem divulgado e em condições de entregar na casa dele. Pensando na micro região, certamente a entrega pode ser feita  com maior rapidez e confiabilidade.
                Na próxima semana podemos trazer mais informações sobre os hábitos de consumo neste período de exceção, mas o resultado mais importante talvez já se sabia, que é a necessidade de rever vários pontos, acelerar a inovação, para continuar vendendo, atendendo, atraindo a atenção, mesmo que o cliente e o prospect não puderem sair de casa.
                Verifique se os seus serviços, amigos profissionais liberais e autônomos, ou a organização em que você trabalha, é gestor, ou sócio, tem oportunidade para gerar mais conveniência, inovando em serviços agregados e entregas, se aproximando mais e facilitando a vida de outras pessoas.
               Um abraço, desejando dias melhores!

sexta-feira, 24 de abril de 2020

Hora de valorizar o local


          Nos últimos anos as administrações municipais e entidades do setor empresarial tem feito pedidos e campanhas para valorizar o que é produzido e vendido local e micro regionalmente. Todavia, chegamos no momento em que mais do que nunca é importante valorizar o trabalho, a prestação de serviços, a produção, o comércio local e micro regional.
A manutenção do emprego de um familiar e aquela vaga de emprego que seu filho, está procurando, podem ser garantidas ou não pelos negócios locais e micro regionais. Quem compra em outras cidades e na internet deveria esperar que seus empregos e de sua família fosse garantido por empresas destes locais. Os tributos referentes a estas compras, que gerariam a receita que falta para a Prefeitura fazer as obras que você e os vizinhos consideram importantes e necessárias para uma vida melhor, tem ido para os cofres das grandes cidades, sedes dos centros comerciais físicos e on line.
Se você quer a cidade mais limpa, com mais saúde, melhores ruas e estradas, mais empresas, mais empregos, mais renda, a ação mais importante que você tem a fazer é mobilizar amigos, vizinhos colegas para valorizar, prestigiando a produção, o comércio, a prestação de serviços e o trabalho local.
Mais de que nunca, é hora de valorizar o que é local.
O que é do Brasil, feito pelo brasileiros, o que é feito no seu Estado, na sua região, no seu município, na sua comunidade deve ter muito mais valor da sua família e amigos. As doações, a solidariedade, a ajuda aos hospitais, aos profissionais da saúde, aos mais necessitados, vieram de onde? As pessoas que integram as diretorias das associações que cuidam da saúde, da economia, da espiritualidade, do bem estar, segurança e conforto da sua comunidade integram as empresas, cooperativas e instituições locais. Lembrem-se que não são as pessoas daquelas empresas da internet que estão no dia a dia doando seu tempo e recursos para ajudar lar de idosos, orfanatos, APAEs, entidades carentes.
Na compra de produtos que se tornaram disputados pela grande demanda mundial, cada país tentou salvar a sua população, cada nação busca cuidar da sua gente de todas as formas. Da sua gente, não de quem compra seus produtos. Precisamos ter isso presente ao decidir pela compra de cada peça de roupa, calçado, acessório, bebidas, alimentos, olhando bem o rótulo, a etiqueta e analisando os empregos de quem vamos manter.
Já publiquei nesta coluna o percentual de pessoal ocupado nas cidades sedes dos jornais em que esta coluna circula e vimos que gira entre 10 e 35% da população. Os empregos e a renda gerada por no máximo 1/3 da população, vem em grande parte dos negócios locais. A comida local, os pontos turísticos locais e micro regionais, o artesanato, os artistas, os dentistas, os médicos, as escolas, as faculdades, as lojas, os produtos coloniais, os produtos fabricados na sua cidade e micro região nunca foram tão importantes para a sua vida e a vida da comunidade quanto agora.
É hora do servidor público, que tem a renda preservada e garantida, bem como todas as muitas pessoas da iniciativa privada que não teve redução de renda, manter os pagamentos de todos os serviços contratados, e promover ações colaborativas e solidárias. Não é hora de levar vantagem, de pressionar, principalmente entidades e empresas que já enfrentavam dificuldades e agora mais do que nunca precisam de ajuda.
É hora das empresas que estão bem estruturadas, prestigiarem os pequenos produtores locais e micro regionais, que conhecem, podem confiar, que sabem onde estão e podem dar boas respostas. Certamente não estão tão bem estruturados e profissionalizados quanto os das outras cidades, mas certamente sua empresa pode fazer um esforço a mais para prepará-los para serem seus fornecedores. É hora de pensar na manutenção da estrutura econômica local de todas as formas, e em todos os aspectos.
            Para viver em comunidade, com saúde, segurança e bem estar precisamos de muito mais compromisso com os que estão ao nosso redor.
Um abraço, desejando que Deus nos ilumine em nossas decisões sempre!

sexta-feira, 17 de abril de 2020

Problemas geram oportunidades


                Creio que todos os amigos leitores já ouviram e leram bastante ao longo dos anos, que as crises e os problemas, são também oportunidades e trazem alguns benefícios. Deste modo, com as crises que estamos vivendo na saúde e na economia, precisamos atentar para os benefícios, aprendizados e oportunidades geradas por elas.
                Para perceber oportunidades precisamos ter olhos para o que é novo e de certa forma, inesperado. É certo que vamos superar a crise sanitária, pois temos muito mais estrutura de saúde, conhecimento e cientistas, do que nas pandemias dos séculos passados. A solução da saúde é uma questão de tempo. Todavia, quanto aos hábitos, tanto de convivência, quanto de consumo, a situação econômica, os negócios, me parece certo que teremos muitas mudanças pela frente. Falo de mudanças que ainda não estão prontas, mas que estão nascendo na mente de muita gente, inclusive de quem está lendo este texto.
                Me parece inevitável uma recessão econômica a partir da imposição do distanciamento e isolamento social como medida para retardar o contágio da maior parte da população no mesmo período. Todavia, quando todas as atividades econômicas estiverem na ativa juntas e ao mesmo tempo, buscando recuperar o atraso, os indicadores econômicos retornarão ao positivo e com força. Precisamos então, prestar mais atenção naquelas mudanças que provocam reestruturações de longo prazo.
                Ficando em casa para trabalhar, estudar, tempo livre e tudo mais, as pessoas estão usando a internet e o smartphone para tudo o que é possível imaginar, passando muitas ações de experimentos para realidade em nossos lares e empresas em poucos dias.
Só no campo da comunicação já é fácil imaginar importantes mudanças nos próximos dois a três anos, que afetarão os relacionamentos em todo o planeta. É certo que antes de agendar viagens para reuniões, pensaremos algumas vezes, se não é melhor fazer uma reunião on line na segurança, conforto e praticidade de nossas casas e empresas, do que viajar mais horas do que o tempo da reunião. Embora essas tecnologias já estivessem disponíveis há muito tempo, nossos hábitos ainda exigiam presencialidade em quase tudo. Por necessidade, imposição, sem muita escolha, as pessoas estão se adaptando ao uso da tecnologia para intercomunicação e embora alguns estão incomodados, muitos estão gostando dessa experiência. Quantas oportunidades surgem só neste campo?
Para cada um de nós e a imensa maioria das pessoas do planeta, durante muito tempo será inevitável refletir sobre a presença em grandes aglomerações, seja em shows, filas, festas, e outros, não só em locais que poderiam ser alvo de ataques terroristas. Um novo momento para o turismo, entretenimento, cultura, eventos, comemorações, atividades religiosas se aproxima, oportunizando reinventar atividades com opções que ainda não foram exploradas.
                É certo que a população mundial independente de país, cultura, etnia, clima, vai cuidar mais da higiene pessoal e de suas casas, assim como cobrará mais ações sanitárias, prevenção, limpeza de ambientes empresariais e públicos, investimentos na saúde, dentre outros. Laboratórios, indústrias farmacêuticas, planos de saúde, veem uma perspectiva de crescimento econômico muito forte em todo o mundo, seja com testes, vacinas, novos medicamentos e a proteção da saúde em geral. 
                Creio que as relações comerciais internacionais terão uma dinâmica diferente, de mais proteção, respeito, identificação de alternativas, a partir do que está ocorrendo na pandemia. A flexibilidade nas relações trabalhistas, é outra tendência que deve abranger todos os lugares do planeta. A flexibilização das relações comerciais, trabalhistas, fiscais, e outras deve estar presente em todas as novas tratativas que surgirem a partir de agora e para muito tempo.
                Durante um tempo o universo nos mostrou possibilidades para os reinventarmos, mas agora fomos forçados a nos reinventar de um dia para o outro, nos adaptando à novas realidades e assim, continuamos aprendendo. É o lado bom da crise!
                Um abraço! Com o desejo de que Deus nos proteja e ilumine em nossas decisões!

quarta-feira, 8 de abril de 2020

10 ideias para negócios na pandemia

     Uma das preocupações que mais cresce com a crise da pandemia, além da prevenção da doença, é claro, é a renda, empregos, manutenção dos pequenos negócios e economia local. Por este motivo, traço algumas ideias para manter os negócios neste período.
     1ª - Pare de compartilhar notícias ruins e fake news! Listo 5 motivos para parar com esta prática: 1- Se é difícil vender e motivar colaboradores e clientes em tempos normais, as notícias ruins espalhadas nas redes só desmotivam e reduzem novas compras e gastos. 2- Os canais de TV e as redes sociais já tem notícias ruins em grandes volumes e as pessoas não precisam de mais do mesmo, para piorar o clima. 3- As pessoas já não sabem o que fazer com as divergências das autoridades a respeito da pandemia, não precisam que você espalhe mais fake news para atrapalhar mais. 4- Os gestores das redes sociais estão divulgando o aumento das mensagens distribuídas por robôs eletrônicos contratados para espalhar notícias falsas e de interesse de grupos políticos, não precisam de você para isso. 5- Ao compartilhar notícias falsas e notícias ruins, você liga estas com a sua imagem pessoal e profissional.
     2ª - Se estamos com dificuldades de planejar e decidir sobre os nossos negócios, que são menos complexos que um município, um estado ou o país, precisamos tentar imaginar o nível de dificuldade dos Prefeitos, Governadores, e Presidente ao tentar conciliar todos os interesses e públicos envolvidos e ainda administrar a fortíssima pressão dos mais diferentes grupos. Sabe-se que quanto mais pressão, maior a probabilidade de medidas precipitadas e equivocadas. Coloque-se no lugar das autoridades, tendo que decidir rapidamente e mediante a todas as informações que chegam.
     3ª – Troque as culpas aos outros, pelas atitudes em favor do seu negócio e da sua comunidade. Em meio a uma pandemia que atingiu todos os países, todas as comunidades do planeta, o que salva vidas, empregos e economia são atitudes pró-ativas e positivas. Culpar os outros só atrapalha, desmotiva e deixa tudo pior do que já está.
     4ª – Coloque sua energia ociosa em trabalhos voluntários, tanto para ajudar os serviços e profissionais da saúde, quanto para auxiliar os pequenos negócios, prestadores de serviços e pessoas da sua comunidade. Muitas coisas podem ser feitas com o uso do telefone, redes sociais, email, em casa, ou outros lugares sem aglomerações.
     5ª – Estimule na sua empresa e os empresários das suas relações para todas as formas de vendas não presenciais como venda por telefone, anúncios em redes sociais, aplicativo de vendas, market places locais ou nacionais, site próprio, sites de associações, dentre outros.
     6ª – As pessoas não vão sair de casa no mesmo volume que saiam antes, mesmo que todos os estabelecimentos pudessem abrir livremente. Crie toda a conveniência possível, como tele entregas, encomendas, e outras ações para as pessoas comprarem da sua empresa, sem sair de casa.
     7ª – A Páscoa chegou e é a 3ª maior em consumo/compras. Reflita sobre o que a sua empresa fez ou está fazendo para estimular as vendas dos seus produtos como presentes, decoração, alimentação e outros para aproveitar o estímulo desta semana. Pesquise sobre o que pode ser feito de diferente.
     8ª – Os municípios, o Estado, as autarquias, e outros órgãos públicos continuam com licitações abertas e abrindo novas, para atender as necessidades de sempre e também as demandas da pandemia. Os entes públicos pagam no momento combinado em contrato e o dinheiro fica na comunidade, potencializando a economia local. A apresentação da documentação dá um pouco de trabalho além da venda ao consumidor, mas é uma forma de venda que pode fazer muita diferença neste momento.
    9ª – Estimule o cliente a comprar, dando ideias, mostrando imagens dos produtos pelas diversas formas possíveis com as ferramentas da internet. Com as pessoas muito mais tempo em casa, ideias de artigos de decoração podem inspirar pessoas a comprar. O mesmo vale para utensílios domésticos, com as pessoas fazendo comida e limpando a casa juntos.
     10ª – Inspire o “faça você mesmo” com ideias de produtos para artesanato, marcenaria, ferramentas para concertos e cuidados com o veículo e casas, que podem ser feitas por quem está em casa.     
      Muita força e criatividade nesta hora! Um abraço e até a próxima!      

sábado, 4 de abril de 2020

Hora de pensar grande


   
          Os prédios de escolas, faculdades e muitas empresas praticamente vazios, restaurantes e bares fechados e as ruas com pouco movimento, geram cenários para aquela música do Raul “o dia em que a terra parou...”. Por outro lado, o movimento nas mídias sociais, aumentou significativamente e quanta informação! Um absurdo em repetições do mesmo assunto, e de outro lado, uma pandemia de fake news de todo o tipo, o que atrapalha ainda mais.
Governos Federal e Estaduais se apresentam na mídia muito mais preocupados com disputas político-partidárias do que com saúde, economia, que em outras palavras quer dizer a minha e a sua vida. Diferente do que alguns vêm pregando, sobre uma disputa entre saúde X economia, entendo que há uma disputa entre os que colocam política partidária em tudo X àqueles que querem resolver problemas reais das pessoas. Infelizmente vemos uma disputa de espaço entre os que querem aproveitar todos os momentos possíveis para atrair atenção X aqueles que querem salvar vidas, proteger a saúde, proteger os negócios locais, garantir a renda das pessoas, que é o que sustenta quase tudo, na saúde e na doença. Falo de gente que trabalha, que emprega, que paga imposto, que paga as contas, que cuida de si e de quem pode, que é solidária, que sabe que não adianta esperar pelos governos, que parecem não lembrar deles.
Depois de 4 a 5 anos de recessão e estagnação econômica, a redução do movimento, das vendas e até a paralização de muitos negócios como medida de prevenção a pandemia gera enormes preocupações, com toda a razão de ser, pelos maus resultados que já começam a aparecer.
Creio que mais do que nunca, é hora de pensar grande! Reclamando ou não da pandemia, culpando outros países, outros líderes pela tragédia anunciada não vai amenizar nem desviar os efeitos. Reclamar dos outros só tira atenção e energia do foco que todos deveríamos ter, que é como vamos nos salvar da pandemia, considerando tanto a doença em si, como seus efeitos na redução das vendas, da produção, faturamento, tributos e outros.
São necessários outros olhares, outras ações, outras opções, outro foco! Mais do que nunca é preciso pensar grande para cooperar, e não competir, na busca de resultados.
Que tal engajar-se pela internet, no apoio aos hospitais e lares dos idosos com máscaras, aventais, produtos para desinfecção e outros equipamentos para o trabalho dos profissionais que lá trabalham?
Mesmo de sua casa você pode ajudar as ações para estimular as vendas dos negócios locais na sua cidade, ou mais perto de você?
Fale com a família, amigos, colegas para manter o pagamento dos prestadores de serviços como jardineiras/os, faxineiras/os, piscineiras/os, pintores/as, eletricistas, lavadores de automóveis, e outros serviços das suas casas e empresas, mesmo que em função das ações de distanciamento social os tenham dispensado.
Inspire-se nas boas ideias como a criação de vouchers/bônus vendidos/comprados onde o cliente/consumidor paga agora e usa o serviço depois da volta ao normal de restaurantes, bares, artistas, salões de beleza, barbearias, dentistas, e outros que estão com muita dificuldade para receber clientes agora, mas que precisam seguir pagando, aluguel, empregados, energia, água, tributos.
As associações, sindicatos, e outros grupos, poderiam estar mais focados em promover vendas de bens de consumo, bens duráveis e serviços locais com o uso de aplicativos mobile, sites, televendas, integrando com tele entregas, incluindo aí os aplicativos de mobilidade, taxistas, freteiros, motoboys, todos com muita necessidade de geração de renda. 
As licitações públicas que ocorrem no seu município e municípios vizinhos representam grandes oportunidades de vendas com garantia de pagamento.
Quem tem um número expressivo de imóveis comerciais locados pode abrir mão de 2 a 3 meses de aluguel, pensando em garantir o inquilino para os próximos anos.
Enfim, pense grande, para sairmos desta juntos e mais fortes!
Um abraço e até a próxima! 

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