sábado, 21 de abril de 2018

As feiras e o desenvolvimento local


Os leitores mais assíduos sabem que sou um entusiasta de ações mais efetivas de desenvolvimento local através do fortalecimento da iniciativa privada e cooperada. Assim, volto as variáveis que influenciam, esclarecem, contribuem ou dificultam a economia local, procurando refletir um pouco sobre as exposições e feiras comunitárias promovidas por nossos municípios.
Décadas atrás apenas os municípios polos de cada microrregião organizavam feiras, que hoje se tornaram estaduais e nacionais, incentivando que outras comunidades se estruturassem para exposições e feiras associadas a eventos locais como rodeios, motocross, jeep/gaiola cross, arrancadão, ciclismo, maratona, traking, festivais de música, dentre outros movimentos que mobilizam o município para atrair visitantes, quanto maior o conjunto de atividades. Organizar um conjunto de eventos no mesmo espaço e calendário é muito desafiador e necessita grande desprendimento das lideranças e de um grupo disposto a deixar parte de suas atividades particulares e profissionais, para dedicarem-se ao que é para todos. Muitas horas de trabalho, grandes dificuldades para agradar a maioria, dificuldades de conseguir patrocínios, participantes, controlar orçamento, atrair público e ainda torcer para um clima favorável, desafiam os organizadores. Aqui vai a primeira reflexão: o quanto cada um de nós e o conjunto da comunidade consegue ser grato e mostrar seu agradecimento às pessoas que dão seu precioso tempo e energia para criar um evento à altura das expectativas e desejos da comunidade?
Visito várias feiras e exposições, tanto a título de entretenimento e companhia da família, quanto para prestigiar ao trabalho abnegado de quem se dispôs a organizar tudo aquilo, sem os quais faltariam atrativos na região. Considerando o que estudo e trabalho, os negócios em exposição e feira sempre atraem minha atenção e não consigo passar só na condição de visitante. Observo atentamente as formas de exposição e venda de bens e serviços, quais são e de onde vêm as empresas participantes. Neste ponto peço uma reflexão aos organizadores de eventos, e especialmente aos que decidem a vida de suas empresas: tenho visitado eventos em que a grande maioria dos expositores e dos fornecedores vem de outros municípios e regiões. É exatamente neste objetivo que ao meu ver, deveriam ser centradas as exposições e feiras comunitárias. É preciso refletir sobre o quanto o evento contribui com a economia local, quando o grande volume de vendas é realizado por empresas de outras regiões.
Sabendo que todos os negócios concorrem pelas economias das pessoas, neste caso, pelo bolso dos moradores, quando a comunidade se mobiliza para um evento que faz as pessoas saírem de casa e gastarem suas economias, o objetivo deveria ser o estímulo a circulação de dinheiro nos negócios e entidades do município, mantendo empregos, gerando renda para os trabalhadores e empregadores, além de tributos para melhorar a infraestrutura e os serviços de limpeza, educação e saúde locais. Ao circular em várias exposições e feiras é possível verificar empresas que se especializaram em vender nestes locais, o que é um bom negócio para aqueles profissionais e aquelas empresas. Todavia, para os negócios instalados no município e para o conjunto da economia local, quando o evento tem na maior parte dos expositores, empresas de outras regiões e que vendem bem, levando boa parte dos poucos recursos da população disponíveis para o consumo, é preciso fazer uma grande reflexão com todos os atores deste processo.
O primeiro passo é entender os motivos pelos quais as empresas locais não foram, ou não vão expor; e quando vão, se não vendem bem, quais os motivos? O que é preciso fazer nas empresas locais e nos eventos? Se não é possível e enquanto não é possível fazer melhor, é preciso pensar o quanto o evento contribui com a economia local. Porque a administração municipal deveria colocar dinheiro e serviços num evento que promove a evasão de recursos da economia local? Porque as entidades locais deveriam promover e tantas pessoas trabalhar voluntariamente numa atividade que tem por efeito colateral a perda de recursos da população para compras em empresas de outras regiões?   
Um abraço e até a próxima!

sexta-feira, 13 de abril de 2018

O que há de pior entre nós?


Nos últimos tempos corrupção é assunto mais frequente nas rodas de conversa do que futebol, ou novela, não é mesmo? Eu sei os nomes e parte do curriculum de todos os ministros do STF, mas não sei a escalação do meu time, campeão gaúcho de futebol! Os amigos perceberam o quanto mudou parte dos assuntos dos brasileiros?
É preciso mudar muito mais! Muitas vezes me vejo em conversas como de onde veio e para onde vai nos levar este jeito de ser de tanta gente, que por vezes vira marca de nossa pátria. O que há de pior entre nós? Talvez os ensinamentos que vem de muitas casas, ou se aprendem na rua de que é preciso levar vantagem em tudo, com o passar dos anos tenha produzido um contingente maior destes, do que os demais podem suportar.
O hábito de querer levar vantagem em tudo pode começar em pequenas fraudes nas brincadeiras de criança, nos “roubos” em jogos de carta inocentes, passando para fraudes mais graves como cola nas avaliações da escola, e pagar um lanche para um colega colocar seu nome num trabalho que não teve muita ou nenhuma participação. Com a frequência, estes hábitos podem deixar parecer natural atos como adquirir aparelho que capta sinal pirata de TV por assinatura, adquirir filmes, aplicativos, softwares, piratas, adquirir produtos de origem duvidosa, ou sabidamente fruto de furto, ou contrabando, oferecer propina para o agente de fiscalização, ou transferir pontos da habilitação para outra pessoa ao cometer uma infração de trânsito, só para ficar em alguns exemplos. Nesta sequencia de hábitos, vai parecendo natural deixar de pagar contas, ignorar leis de trânsito, sonegar tributos, negar direitos de pessoas da família, dos trabalhadores, de vizinhos e de clientes. Entendo que estes hábitos, que até em algumas rodas encontra-se quem os incentive, está na lista daquilo que há de pior entre nós.
Os corruptos que estão sendo denunciados, respondendo por parte dos seus crimes, uma parte sendo estranhamente absolvida, uma pequena parte sendo presa por crimes contra a nação e a economia, os canalhas, os patifes que levam dinheiro público que deveria ser investido em atendimento a saúde, em educação e profissionalização do nosso povo, os crápulas que levam parte da integridade da política, não começaram do dia para a noite. A quem duvidar, peço que leia suas biografias, histórias contadas por quem os conheceu quando não eram influentes e famosos. Verão que delitos menores, hábito de levar vantagem em tudo está presente em muitos relatos e momentos da vida.
Uma cola na prova, um pequeno furto de frutas, um golpezinho aqui e outro ali, sem punição formam um caráter! Ter desejo, passar necessidades e dificuldades diversas sem pegar o que não é seu por direito, sem fazer o que sabe que é errado, mesmo quando ninguém está vendo, forma um caráter diferente! Estes últimos, são hábitos que caracterizam aqueles que já não suportam mais aqueles que sempre querem levar vantagem, sem querer saber quem terá que perder, se sacrificar, trabalhar ou sofrer, para eles terem o que querem, mesmo que não lhes seja de direito.
O problema que vejo nestes pontos e no conjunto imenso de outras questões relacionadas e que estão vindo à sua mente agora, é que parte disso tudo está se misturando as ideologias, aos partidos políticos e vemos os radicalismos se fortalecendo. Os radicalismos em alguns momentos são necessários para termos mais claro as fronteiras dos pensamentos sobre determinados temas, mas quando os moderados não surgem, não se avança e não se constrói. Num país arrasado pela corrupção, que teve as bases frágeis da economia abaladas pelas crises políticas, os moderados teriam um papel importante lembrando que reconstrução nas proporções que necessitamos, só é possível com muita coalisão, cooperação, compreensão e desenvolvimento coletivo. Não se combate radicalismo com radicalismo da outra extremidade, pois a reação é mais antagonismo e aí, é o fim!
Que possamos juntos e de todas as formas, reduzir e muito, o que há de pior está entre nós!
Um abraço e até a próxima!

sexta-feira, 6 de abril de 2018

Uma provocação aos pessimistas


Numa entrevista de tempos atrás o conhecido Professor e Filósofo Dr. Mário Sérgio Cortela teria sido chamado de otimista, quando na ocasião respondeu, não, sem antes fazer toda uma contextualização. Vez por outra o vídeo deste trecho provocativo da entrevista, passa pelas redes sociais. Nesta edição optei por compartilhar alguns trechos, comentando um pouco, pois acompanhar as notícias, em especial da economia, política e justiça, por vezes nos deixa em dificuldades em ser otimista com o Brasil, e com o mundo.
No trecho que circula, depois de ser perguntado se estava otimista, Cortela faz uma espécie de desabafo e diz categoricamente que “o pessimista antes de tudo é vagabundo”, justificando que o fato de ser otimista gera um trabalho danado e desgaste, pois é preciso ir atrás de fatos, estudar o contexto, trocar ideias, reunir-se com outros que estudam o assunto para criar e promover algo e discutir com os pessimistas. Enquanto isso, segundo ele, para ser pessimista pode-se limitar-se a dizer que não vai dar certo. O professor lembra que a frase preferida do pessimista é “Que horror, alguém tem que fazer alguma coisa.” e critica os pessimistas quando sentam e ficam esperando algo dar errado nas propostas e ações de quem tem esperança e assume responsabilidades para si. Ele lembra ainda que quando alguém responde ou mostra ao pessimista que não está dando errado, ouve-se aquela tréplica habitual “espera para ver no que vai dar”.
Ser pessimista é confortável, pois tudo o que ocorre com ele, com as pessoas próximas, com a cidade e com o país, pode ser atribuído as forças que estão fora ou longe. Vejam que tem gente que fala de Brasília e não vê as atitudes que pode mudar em si mesmo, na sua casa, na empresa, na comunidade. Cola e comete fraudes na escola, deixa de pagar contas, ignora leis de trânsito, sonega tributos, nega direitos de pessoas próximas, tenta levar pequenas vantagens a qualquer custo e critica as lideranças de entidades e os políticos. Contribui pouco com a comunidade e quando o faz é para ter plateia para ouvir as críticas e as opiniões sobre o que não vai dar certo, e ainda faz comentários como “...as pessoas não participam...” e “Hoje em dia os jovens...”.
Cortela lembra que quando cobrado por não participar e tentar mudar o que não concorda, o pessimista costuma dizer “Eu não vou lá, porque é uma brigaiada só!”, ou “É só perda de tempo, porque não decidem nada”. Todavia, quando uma decisão é tomada e ele não gosta ou acontece algo que ele não deseja, saem comentários como “Viram? Isso aqui não funciona, é um absurdo!”
Diretamente sobre a pergunta em relação a suposto otimismo quanto ao futuro do Brasil, o Filósofo responde “eles não vão me vencer” e acrescenta que “os corruptos, os canalhas, os patifes que levam dinheiro público, que levam parte de integridade da política, não vão vencer duas vezes”. E segue “Já derrotaram nossa capacidade financeira, derrotaram nossa capacidade de ter mais recursos para aquilo que é necessário, derrotaram o emprego de muita gente... não vão me derrotar tirando e matando minha esperança. Os democracídas não vão vencer!”
Já vi a entrevista mais vezes e quase todos os trechos mexeram comigo. Sugiro aos amigos leitores que assistam a entrevista na internet, e aos que não conseguirem, que parem para pensar um pouco nesta situação, que trata sobretudo de esperança. Por vezes parece haver um movimento para não acreditarmos mais em nada. Sei que estamos na era da pós-verdade, mas... e a esperança?
Como está a sua esperança? No seu futuro, nas pessoas de sua família, nas lideranças, na sua comunidade, no seu município, no Estado, no Brasil, no mundo?
Acabamos de celebrar a Páscoa, que é sobretudo, a renovação das esperanças. É um excelente momento para pensarmos na esperança, na vida que queremos e também no que fazemos por nossos mais queridos. O que queremos do Estado, do País e do mundo depende daquilo que estivermos dispostos e do que conseguimos fazer, não exatamente da opinião, do otimismo ou do pessimismo de quem estiver envolvido.
Sem esperança, o que nos resta?
Um abraço e até a próxima!

sábado, 31 de março de 2018

É preciso conhecer seu município


Gosto de ouvir os relatos e ver imagens captadas por amigos e colegas que viajam pelo país e pelo mundo, especialmente quando apontam detalhes da realidade de cada local. Provavelmente por viajar menos e a trabalho, gosto de falar sobre dados estatísticos dos locais onde tenho algumas relações e compará-los. Muitas vezes informações de fácil acesso sobre o município onde se vive são desconhecidos da maioria e surpreendem a muitos, quando se deparam com a realidade.
Algumas informações e dados estatísticos do município e da região são decisivos para a prosperidade ou não do negócio, para a atividade de profissionais liberais e para entender os motivos desta ou daquela situação que é diferente onde se mora, comparando com os municípios vizinhos, ou de onde se quer ganhar mercado, por exemplo. Acessando fontes como IBGE, FEE, CAGED, TCU, DETRAN, instituições de ensino superior, dentre outros são encontradas muitas informações sobre o lugar em que você vive e tem negócios.
Analisar a pirâmide etária e a sua evolução ao longo dos últimos anos, bem como as projeções para a próxima década, pode identificar fatores de impacto na sua clientela considerando o crescimento ou a redução do número de pessoas em cada faixa de 5 em 5 anos. As faixas etárias que você atende estão crescendo, ou reduzindo?  Em que ritmo? Quantas pessoas serão daqui a 10 anos e quantos você precisa para que seu negócio funcione como desejado? 
A fatia de população ocupada, ou seja, que está empregada ou auto-empregada, normalmente surpreende muita gente, por ser bem menos do que se imagina. Nos municípios que já estudamos, varia de 20 a 35%, e geralmente se pensa que é muito mais, ou seja, toda a produção do município, vem desta parcela menor de moradores. O que o seu negócio pode fazer em relação a esta situação? Quais são as ações que as entidades do município estão fazendo para melhorar estes indicadores?
A média salarial é um indicador que muda bastante de município para município e evidentemente tem muita influencia nos fatores locais de desenvolvimento. Se a estrutura do varejo de bens e serviços é menor e tem menos capacidade de absorver a renda gerada localmente, é certo que boa parte desta renda vá para os municípios vizinhos e para e-commerce. Qual é o percentual da população que vive com ½ salário mínimo? Qual é o percentual das famílias que tem renda acima de R$ 6mil, fatia considerada com alto poder de compra para o sul do Brasil?
O PIB per capita, a média dos salários e o percentual de pessoas que vivem com menos de ½ salário mínimo é um conjunto de informações que auxilia no entendimento da concentração de renda e parte dos impactos causados localmente. Qual é a renda média dos principais segmentos que você ou sua empresa atendem? Quantas são estas pessoas? Qual a faixa etária destes segmentos? Quais as ações do seu negócio em relação a estas informações?
Qual é o número de veículos emplacados no seu município? Quantos tem menos de 5 anos? Quantos têm mais de 20 anos? Quantos são de passeio? Quantos são utilitários? Quantos endereços residenciais existem? E quantos endereços profissionais? Quantas residências tem mais de 2 sanitários? Estes e outros dados significam muito em termos de consumo e necessidades de serviços. Quais as oportunidades ainda não atendidas existem e não estão sendo percebidas?
O percentual de receitas do município oriundas de fontes externas é outro dado bem importante para avaliar a vulnerabilidade do município em relação a crises nacionais, ou internacionais, ou ainda, a dificuldades locais. O que o planejamento da administração municipal, das entidades, das empresas e dos profissionais está avaliando e propondo para os próximos anos considerando estes fatores?
Conheça bem o seu município ao tomar decisões e evite opiniões que não estejam bem embasadas, pois elas podem atrapalhar muito. Hoje o texto ficou cheio de perguntas, mas por vezes é melhor fazer-se as perguntas certas, do que ter as respostas, não é mesmo?
Um abraço e até a próxima!

sexta-feira, 23 de março de 2018

Onde está a sua atenção?


Havia um tempo, recente para os padrões da humanidade, em que depois de uma boa formação, acompanhar o jornal, o noticiário do rádio e eventualmente revistas especializadas era suficiente para manter-se razoavelmente informado sobre a vida, a política, a economia, a profissão e os negócios. Com o aumento significativo do número de jornais e revistas, físicos e on line, canais de televisão abertos ou por assinatura, email, e redes sociais com circulação de conteúdo, há infinitamente mais o que acompanhar do que a atenção humana permite.
Os veículos de comunicação em seus meios tradicionais e digitais sabem que há público para todo o tipo de informação e conteúdo e por isso, ampliam a captação, produção e oferta de opções para seus públicos. Para os públicos, o desafio é desenvolver a capacidade de selecionar o que, quando e onde ler, ouvir ou assistir. Os meios para acompanhar informações e atualizar-se em conteúdos, estão cada vez mais variados, mas o desafio é selecionar os temas em que vamos dedicar nossa atenção e tempo. Numa fila de espera, numa viagem, no intervalo do trabalho, ou antes de dormir, pode-se ler, ouvir ou assistir conteúdos relevantes em qualquer lugar, a partir do smarphone, tablete ou notebook por exemplo.
Um tempo atrás, quem dizia que éramos reféns do que os veículos de mídia publicavam, até tinha onde sustentar sua tese. Hoje, com a multiplicidade de veículos impressos, canais de áudio e vídeo todas as tendências possíveis tem espaço para produzir, veicular e consumir informação e conteúdo. Pode-se escolher livremente o quê, quando e onde ver, ouvir ou assistir o que quisermos. O acesso não é mais desculpa ou argumento para estar desinformado sobre qualquer assunto. Hoje somos nós os responsáveis pela informação, notícia, conteúdo, conceitos e opiniões que acessamos, da mesma forma, que também somos os responsáveis pela propagação de determinadas notícias, opiniões e conteúdos compartilhados nos meios que temos disponíveis.
Os temas nos quais colocamos maior atenção tem mais impacto em nossa vida e de quem está ao nosso redor, como nossa família e colaboradores. Observe que muitas pessoas que gastam mais tempo assistindo e acompanhando noticiários, documentários e filmes sobre crimes e violência, tendem a serem mais inseguros, terem mais medos, e até protegerem muito mais a casa, por exemplo, mesmo vivendo em locais de baixo risco. Aqueles que acompanham mais novelas e futebol, tendem a ter estes como principais assuntos em conversas com família e amigos. Quem acompanha mais as mídias com foco em tragédias, crimes e desastres, também tende a ser mais pessimista com o futuro da sociedade do que aqueles que escolhem acompanhar as informações e conteúdos sobre as pesquisas, inovações, novos produtos, empreendimentos, descobertas, ou ainda, viagens inesquecíveis, belos lugares, bons exemplos, boas ações e outros.
Nossas ações, nossos argumentos e assuntos em momentos formais e informais são determinados por aquilo que escolhemos colocar mais atenção. Quem deseja entender melhor os negócios, a gestão, as práticas de sucesso em vendas, assim como quem deseja tomar melhores decisões sobre a economia, vida pessoal e profissional precisa escolher cada vez melhor as suas mídias e os canais que oferecem as informações e o conteúdo de interesse. Assim como o seu corpo é definido pelo que você come, bebe e se movimenta, sua mente é determinada pelo que recebe de informação e conteúdo, e como você processa o conjunto.
Escrevo considerando o aumento da dificuldade em selecionar mídias e conteúdos relevantes aos nossos propósitos e com a intenção de indicar aos amigos uma reflexão sobre onde estão focando a sua atenção. Vejo amigos, familiares, estudantes, colegas, pessoas próximas que poderiam mudar os assuntos que dão o foco da sua atenção para serem mais criativos, mais inovadores, mais prósperos, mais eficientes e mais felizes. Espero contribuir com alguns.
Um abraço e até a próxima!

sexta-feira, 16 de março de 2018

Ainda sobre desenvolvimento local


Seguindo na série sobre desenvolvimento local, especialmente sobre questões relacionadas a alternativas para o comércio de bens e serviços, recebi questionamentos de leitores a respeito do envelhecimento da população da região e alternativas para mais jovens ficarem em seus municípios.
É certo que temos em nossas casas, em nossas empresas e entidades problemas pontuais e imediatos para resolver e quase não sobra tempo para pensar no futuro. No entanto, precisamos lembrar que resolvendo hoje problemas importantes do futuro, a tendência é passarmos a ter menos problemas urgentes, com o passar do tempo. Como serão os nossos negócios e municípios em 2030? Vejam que não é tão distante e quase todos estaremos por aqui. Em 12 anos dá para fazer muita coisa, assim como muitas coisas podem mudar ao nosso redor neste tempo. Algumas situações porém, demoram muito para mudar e uma delas é a evolução das faixas etárias da população. As taxas de natalidade estão entre os fatores mais difíceis de reverter em qualquer parte do planeta, justamente por ser uma decisão absolutamente individual, que interfere decisivamente na vida das comunidades. Com menos filhos por famílias, jovens que seguem saindo para estudar ou trabalhar e não voltam mais, e os adultos vivendo cada vez mais, tem-se um envelhecimento médio da população muito mais rápido nesta região do que no resto do Estado e do Brasil. As projeções do IBGE e da ONU para o Brasil de 2050, impressionam muito pelo baixo número de crianças, a redução do número de pessoas em idade economicamente ativa e o elevado número de pessoas com mais de 65 anos. Os municípios do noroeste do RS e SC tem, em média, 5 anos a mais de envelhecimento em relação ao restante do país.
Para quem é profissional liberal, empresário, executivo, é certo que muita coisa vai mudar, assim como é certo de que clientes e prospects  vão se concentrar em faixas etárias cada vez mais altas. Para quem é gestor de serviços públicos, precisa preparar as estruturas permanentes agora, para um atendimento cada vez maior para quem tem mais idade, evitando também a ociosidade no futuro próximo, de estruturas e equipes dedicadas ao atendimento de crianças.
Como estamos preparando nossos negócios para estas situações inevitáveis? Como nosso município está se preparando para esta realidade, que já tem sinais claros em vários casos e se acentuando a cada ano mais?
Sabemos que algumas ações, especialmente as de maior porte e as estratégicas, podem levar uma ou mais décadas para terem efeito completo. Por isso, convido a cada leitor para pensar sobre planejamento do seu negócio considerando este contexto, assim como, o que está planejado para seu município nos próximos 12 a 30 anos. Vejam que neste prazo mais longo, as soluções nunca virão deste ou daquele presidente de ACI, deste ou daquele Prefeito, desta ou aquela gestão de entidade, ou administração pública. As soluções não estão em planos de governo, e sim em planos de município, de Estado, onde independente de quem for líder, ou qual for a ideologia, o executivo siga os planos que definidos coletivamente.
É certo que muita coisa vai mudar, temos poucas certezas, mas uma convicção é de que não será pensando individualmente que pessoas, empresas e entidades vão encontrar soluções para o desenvolvimento local. Temos fartura de exemplos a não serem seguidos, que alguns insistem em seguir e até engajam no discurso. Precisamos inicialmente desenvolver uma maior consciência de cooperação, mais ações coletivas, para em seguida entender os fatores que mais influenciam o desenvolvimento de nossos negócios e nossas comunidades neste momento. Na sequencia precisamos planejar ações que sejam capazes de perpassar gestões de entidades, empresas e municípios, independente das ideologias.
Um abraço e até a próxima!

sexta-feira, 9 de março de 2018

HZ é melhor para você


Na série sobre ações para potencializar os negócios locais, vou detalhar um pouco mais sobre a campanha “Horizontina é melhor para você”, citada em textos anteriores. É uma campanha com várias ações que tem por objetivo a fidelização dos moradores de Horizontina - RS, aos negócios locais.
A ACIAP, entidade que representa os empresários do município, há muito discutia alternativas para reduzir a evasão da renda gerada pelos salários dos cidadãos, para os negócios dos municípios vizinhos e da internet. Pesquisas do curso de Economia da FAHOR mostraram em números que a massa salarial do município é muito maior do que os municípios vizinhos de mesmo porte populacional, e por outro lado, o faturamento das empresas de varejo de bens e serviços é menor.
Para oferecer uma alternativa competitiva e melhor em alguns aspectos, com as vendas pela internet, surgiu o SmartCity, que relatado na semana passada. Para estimular os negócios como um todo, foi criada a campanha “Horizontina é melhor para você”, da qual tenho a satisfação em contribuir na criação e coordenação. A campanha tem várias ações em andamento e outras planejadas para os próximos meses como pesquisas para entender melhor o comportamento do consumidor local, aumento das informações sobre as empresas, bens e produtos produzidos e comercializados no município, valorização dos negócios e dos profissionais, bem como um grande programa de fidelização.
O HZ é um programa de fidelização, do qual vem aderindo um número cada vez maior de empresas, podendo participar todas aquelas que tem sede ou filial instalada no município. Ao comprar nas empresas participantes, o cliente recebe bônus para prestigiar novamente esta empresa ou outras participantes. Os bônus são numerados, impressos em papel moeda, com vários dispositivos de segurança, em cédulas de 2, 5, 10 e 50 HZs. Um HZ só entra em circulação depois de lastreado em R$ depositados numa conta bancária criada para este fim, dando paridade e a segurança de 1 HZ para 1 R$. No último promocional de Natal, chamado Natal Fantástico, foram distribuídos R$ 60.000,00 em sorteios de prêmios em cédulas de HZs. Algumas entidades e empresas presentearam seus colaboradores no último Natal, substituindo produtos que antes eram adquiridos de produtoras de brindes e outros produtos de fora do município, por quantias em HZs que circulam agora entre as empresas participantes. Ao comprar pelo SmartCity, aplicativo de compras de Horizontina, os clientes concorrem a bônus de HZ 100,00 por dia, em “raspadinhas” digitais. Os próximos promocionais de Páscoa, Dia das Mães, Dia dos Pais, assim como o próximo Natal, podem ter como prêmios os bônus HZ para uso em compras no comércio local. Este conjunto, aliado principalmente aos bônus entregues conforme o volume de compras de bens diversos e serviços nas empresas participantes, aumenta o volume de capital circulante no âmbito do município, gerando novas aquisições, e um círculo virtuoso para os negócios locais.
os clientes dos negócios locais podem acumular os bônus para aquisição de bens e serviços que antes não caberiam nos seus orçamentos pessoais ou familiares, ou estariam previstos somente mais adiante. Já os empresários e profissionais podem ter nos clientes dos vizinhos de quadra ou de bairro, um grande número de novos clientes que de posse de um bônus a ser utilizado em empresas participantes, podem preferir seus bens e serviços do que de outras cidades. A administração Municipal, com mais renda produzida localmente sendo utilizada nos negócios locais, terá maior arrecadação e com ela, maior capacidade de investimento em infraestrutura e serviços para a população.
É um programa que exige capacidade de cooperação, compromisso com o desenvolvimento local, entendimento de que soluções complexas necessitam trabalho coletivo de empresários, autoridades públicas, instituições e população local.     
Você conhece uma boa experiência de desenvolvimento dos negócios locais? Podemos compartilhar neste espaço.
Um abraço e até a próxima!

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