sexta-feira, 16 de outubro de 2020

Atitudes de quem venceu na pandemia

 


Dificilmente alguém que viveu este ano vai esquecer 2020. Certamente também será marcado como o ano que mais desafiou dirigentes de empresas e instituições, extrapolando seus limites. Pressões de todas as formas ao mesmo tempo e a disrupção em cadeias tradicionais de produção e de consumo abalaram convicções, negócios, aprendizados, com níveis de incerteza nas alturas.

Na coluna de Reinaldo Fiorini na Exame on line, ele comenta uma pesquisa sobre as atitudes dos dirigentes das empresas com melhores resultados durante a pandemia e destaco a seguir alguns pontos para que os amigos possam refletir sobre as organizações em que atuam.

3 pontos que considerei fundamental na análise são: 1) As organizações que estão vencendo na crise têm sido mais rápidas em decisões imediatas e ao mesmo tempo desencadeando ações de longo prazo. 2) Como em qualquer crise, nesta também é fundamental mostrar coragem e visão de futuro. 3) Aprendemos em outras crises que, mesmo diante das mesmas adversidades, nem todas as empresas sofrem e nem da mesma maneira.

A questão-chave é: quais ações decisivas são tomadas pelos líderes de organizações que entregam melhores resultados em momentos difíceis? Fiorini apresenta resultados onde verifica-se que as organizações que reagiram melhor à graves crises, têm ao menos cinco ações em comum: 1) racionalizam suas despesas para manter a saúde financeira e a capacidade de fazer investimentos; 2) aumentam sua produtividade rapidamente, inclusive durante a crise; 3) pensam no longo prazo na hora de tomar decisões; 4) desenvolvem uma agenda proativa de fusões e aquisições; e 5) ajustam seu modelo de negócios à nova realidade (por exemplo, construindo uma nova unidade) — o que deve ser particularmente importante no momento atual.

Destaco aos amigos leitores a necessidade de agilidade, pois quase todos os casos de sucesso estudados nesta ou outras pesquisas mostram que vence quem tem sido ágil, nas decisões e nas ações. Esta recomendação faz mais sentido ainda para quem considera que é cada vez mais difícil prever com precisão como vão se comportar seus clientes em três anos ou mesmo em três meses. Por este motivo, é preciso priorizar as ações e a experimentação e desenvolver múltiplos cenários para a tomada de decisão de forma mais rápida. As organizações maiores devem montar equipes dedicadas à adaptação dinâmica diante do desenrolar da crise.

O colunista Reinaldo lembra que as organizações com melhores resultados em 2020 tornaram-se mais flexíveis para aprender e ajustar seus planos de acordo com mudanças no contexto e ainda compreenderam que “é desnecessário esperar que todos os processos e sistemas sejam plenamente testados antes de agir, aprendendo a construir e ajustar estruturas e entregas de forma mais orgânica e flexível.”

Se você está pensando em como fazer isso na sua organização, vai identificar logo que essa forma de trabalhar tem implicações na estrutura das organizações. Reuniões frequentes e rápidas com a participação de todos os líderes passam a ser necessárias, mas isso fica mais fácil com equipes menores e menos níveis hierárquicos. Claro que os líderes de cada função ou negócio precisarão manter uma rotina semelhante por algum tempo ainda, até que todos tenham aprendido a ser mais ágeis e mudem os hábitos para que esta seja a forma permanente de trabalhar.

Novamente é muito importante refletir sobre o negócio que você atua, e desta vez as perguntas mais relevantes são: “qual deve ser a profundidade e a duração da crise para o seu setor” e “qual é a disrupção em seu modelo de negócios?” “Basta revitalizar a operação existente ou é preciso criar um novo modelo de negócios?”.

Evidentemente cada grupo e liderança deverá encontrar essas respostas, reforçando que o mais importante é agir!

Um abraço e até a próxima!

sexta-feira, 9 de outubro de 2020

Lembre dos seus professores

 


Na próxima semana, o dia 15 de outubro é dedicado aos professores e com o texto de hoje quero estimular as suas lembranças sobre eles.

O que penso, escrevo, falo, ensino, aprendo, faço e deixo de fazer tem forte influência dos muitos professores que tive e tenho. Foram elas e eles que influenciaram a escolha da minha carreira, pois me constituí professor admirando a dedicação de cada um deles/as para que novos/as cidadãos/as pudessem sonhar juntos e trabalhar para deixar um mundo melhor do que recebemos.

Meus pais não concluíram o ensino médio, mas sempre valorizaram e priorizaram os poucos recursos que tinham para que minha irmã e eu tivéssemos a melhor formação escolar. Minha irmã tem uns 4 anos menos que eu e quando ela passou para as séries iniciais os nossos pais compraram um pequeno quadro de giz para que eu a ajudasse com os temas de casa, brincando de aulas. Não demorou para que na companhia de vizinhas e prima, brincar de escola na garagem de nossa casa, passasse a ser uma das brincadeiras prediletas. Coincidência ou não, eu, minha irmã, minha prima, 2 vizinhas fizemos magistério e começamos a carreira docente com cerca de 18 anos. Eu e minha irmã fizemos estágio do magistério na escola municipal Germano Dockhorn, no município de Três de Maio, RS, um espaço historicamente bem cuidado por todas as gestões e a comunidade do entorno. Algumas de minhas lembranças frequentes como professor vem deste tempo, onde dentre outras atividades, jogava futebol com os meninos no recreio. Logo depois montei uma empresa para completar a renda e pagar a faculdade, enquanto atuei no magistério estadual, em cursos técnicos de nível médio e após concluir a especialização, iniciei a docência no ensino superior em 1º de março de 1996. Constituindo a segunda empresa, foquei somente na docência no ensino superior e 24,5 anos depois contabilizo o trabalho na graduação em 5 instituições e na condição de convidado em cursos de Especialização e MBA em 16 instituições do RS, SC e PR. Com isso, muitas das redes de relacionamento que tenho, dos livros, artigos, pesquisas, textos, se devem ao fato de ser professor.

O que as famílias, pais e responsáveis estão dispostos a abrir mão em favor da educação, do ensino, da formação de seus filhos faz uma enorme diferença. Algumas pessoas parecem esquecer isso quando se pronunciam atribuindo tanta responsabilidade e até culpa à escolas, professores e professoras. Sabemos que aprende-se pelo amor ou pela dor. A vida ensina pela dor, mas quem é professor, dedica a carreira e passa a vida acreditando e professando no aprendizado pelo amor.

No estágio atual da sociedade, sem um bom nível de estudos, há cada vez menos espaço para trabalho digno, saudável, ergonômico, e desejável. O aumento da escolaridade média da população, é a forma mais segura, racional e perene de aumento e distribuição de renda que pode-se desenvolver. O ensino de qualidade fez os recursos financeiros e patrimoniais trocarem de mãos ao longo da história nos mais diferentes locais e culturas. Mas é preciso lembrar que um ensino de qualidade só é possível com professores respeitados e bem cuidados pela sociedade.

Quem está lendo este texto pode lembrar de quem o alfabetizou. Quem pensou na distribuição de renda e renda média, pode lembrar de quem ensinou sociologia, economia e se faz pensar dá para lembrar dos professores de filosofia. Quem encontrou os erros ortográficos, de acentuação, concordância pode lembrar dos seus professores de português e outros que tentaram contribuir. Aos profissionais das mais diversas áreas, nível técnico ou superior, em início de carreira, ou bem experiente, pode lembrar que a base para seguir aprendendo foi formada por professores, que você gostou e dos outros também, pois todos deixaram uma contribuição importante para ser quem você é.

Lembre dos seus professores, sempre!

Um abraço e até a próxima!

sábado, 3 de outubro de 2020

Um bom integrante de equipe

 


Tão ou mais importante que uma boa liderança, uma boa equipe precisa de integrantes que sabem agir em prol dos propósitos da organização. É fácil encontrar pessoas querendo mais habilidades e atitudes dos líderes de suas equipes, e esquecendo do seu papel fundamental como integrante ativo e responsável pelo desenvolvimento do grupo e da organização. Traço hoje algumas linhas com intuito de auxiliar aqueles que integram equipes de trabalho das mais diferentes áreas.

A participação efetiva de todos nas reuniões deve ser prioridade. A exceção deve ser alguma emergência de saúde, ou de algum cliente, que outro não possa resolver. A participação pontual é um sinal de compromisso com o grupo e com a organização. Quem se comprometeu a fazer algo, deve fazer e se apareceu algum impedimento quanto a entrega do que foi prometido, o aviso deve ser com antecedência para quem estava esperando.

Ao comentar sobre propostas submetidas à apreciação, contar velhas histórias sobre pessoas que tentaram aquilo e não conseguiram pode atrapalhar a motivação e a mobilização do grupo. A melhor posição para um bom membro de equipe é verificar quais são as melhores opções para fazer essa ideia funcionar. Nas organizações, todo o sucesso obtido é um sucesso de equipe e toda falha é uma oportunidade para corrigir, aprender algo novo e melhorar.

As discussões de ideias, o que cada um defendeu, deve ficar dentro do grupo. Comentários fora da reunião e com quem não faz parte da equipe sobre a opinião individual nas discussões atrapalha a confiança e as relações da equipe. É muito importante buscar o consenso em torno das grandes decisões, pois quando apenas a maioria concorda com uma ideia, a responsabilidade mútua entre os membros pode ser prejudicada.

Qualquer membro da equipe deve(ria) interromper o outro quando suas palavras e comportamentos não estiverem de acordo com os princípios que guiam o grupo. Cada integrante deveria investir 2 horas do seu tempo por semana para criar ideias, atividades, projetos que serão submetidos à avaliação da equipe e que podem gerar novos negócios,  reestruturar negócios atuais ou antigos.

As equipes deveriam ser intolerantes com aqueles membros que abusam do poder ou da posição com outros integrantes, clientes e fornecedores. Também deveria haver intolerância das equipes de trabalho com os fofoqueiros, reclamões, chorões, fujões de responsabilidades, com a incapacidade de medir o trabalho que entrega, com falta de espírito de equipe, com a intimidação, politicagem, falta de motivação, falta de respeito, diplomacia, integridade, gentileza e profissionalismo.

Os integrantes das equipes deveriam poder confiar uns nos outros. É possível perceber que os membros confiam uns nos outros quando compartilham as informações que possam ter impacto sobre o trabalho dos outros, quando compartilham pontos de vistas, experiências, admitem falhas e erros, fazem follow-up em atividades que inicialmente se comprometeram a participar ou liderar, avisam os colegas com antecedência quando algum prazo determinado não poderá ser cumprido, são comprometidos com delegação de atividades, dentre outras.

Uma boa participação pressupõe que ao discordar de uma ideia, venha uma proposição alternativa, mostrando compromisso com a solução dos problemas. Comprometer-se publicamente com resultados mensuráveis é outra postura esperada de um bom membro de equipe. Uma equipe bem desenvolvida têm membros que discutem frequentemente a performance da organização e sua própria performance versus metas, métricas e comportamentos.

Finalizo esperando ter contribuído com a reflexão sobre como melhorar sua participação nas as equipes/grupos. Um abraço e até a próxima!

domingo, 27 de setembro de 2020

Ensino por último (de novo)

 


       Preparação para o retorno, plano da volta, retomada, recomeço, volta ao normal, novo normal, e outras expressões nesta linha estão presentes nas discussões, falas e textos dos últimos meses e sobre as mais diversas atividades como futebol, esportes, clubes, turismo, fronteiras, voos internacionais, casas noturnas, teatros, cinemas, shoppings, bares, restaurantes... e também sobre as escolas, novamente, por último.

É no mínimo curioso acompanhar as defesas da volta do futebol e agora da volta do público aos estádios, abertura de bares, cinemas, teatros, casas noturnas... na sequência de comentários e opiniões temerárias a abertura das escolas. As discussões estão na imprensa, com comentaristas, entrevistas com autoridades, mas não são somente estes que priorizaram o retorno das atividades de lazer e entretenimento, deixando o ensino por último. São 7 meses de escolas fechadas e para o retorno as informações são de falta de tempo e condições para completar os planos de contingência, adaptações aos protocolos, aquisições de utensílios e equipamentos, preparação de professores, técnicos, estudantes e famílias. Em outras palavras, a mobilização social pela abertura das escolas tem sido bem aquém dos movimentos pela volta do futebol, casas noturnas e outras.

A bola rolava na TV e as unidades fabris, o comércio e a prestação de serviços, lutavam para se manter abertos, e até hoje seguem temendo cada troca de bandeira. Não parece ser o mesmo sentimento de quem atua nos negócios relacionados com 1ª divisão do futebol brasileiro, por exemplo, há tempos em atividades, com anuência e apoio da imprensa, sociedade e autoridades. Os cinemas e teatros, em tempos diferentes em cada região, retomaram o funcionamento devido ao trabalho dos grupos de apoio a cultura. Há algumas semanas as autoridades discutem com os representantes de casas noturnas os protocolos para o retorno das atividades normais, tendo iniciado pelos que oferecem apresentações de bandas incluindo um lanche. Cultos e missas tiveram retorno da presencialidade nas últimas semanas, assim como os esportes ao ar livre de praticamente todas as modalidades. O funcionamento das escolas é que vai ficando por último...

Na condição de apreciador de vinhos tintos finos (com bastante resveratrol), cervejas artesanais, chocolate ao leite e cafés especiais, tenho preferido ler as pesquisas científicas que mostram o quanto o consumo na dose certa destes produtos contribuem com a saúde. Lembro assim que pesquisas científicas, depoimentos de profissionais, argumentos para defesas dos setores, escolhas de prioridades tem numa certa variedade e não por acaso, cada um de nós escolhe aqueles números e evidências que corroboram com sua defesa e enaltecem seus argumentos. Isto posto, enfatizo que meu propósito não é discutir qual o momento de retornar cada atividade, mas compartilhar com os amigos leitores a constatação de que novamente o ensino ficou por último. E novamente pela vontade do conjunto da sociedade, não somente por responsabilidade das autoridades constituídas que respondem pelo setor. A repercussão na mídia, nos decretos e nos anúncios são boas evidências da prioridade pelo entretenimento, deixando o ensino em planos inferiores novamente.

Quando começou a ter condições de segurança para volta de atividades, esta deveria ser gradual. Quais atividades deveriam ser priorizadas em atenção, investimentos, mobilização?

Eu gostaria de viver numa sociedade que pudesse priorizar o ensino com mais frequência. Não é racional esperar que uma sociedade que prioriza o entretenimento acima do ensino e das atividades produtivas, tanto em atenção e planejamento, quanto em investimentos e preparação, possa superar o subdesenvolvimento e a consequente dependência dos países desenvolvidos.

Um abraço e até a próxima!

sexta-feira, 18 de setembro de 2020

Como manter a calma na pressão

 


Os últimos anos e em especial os últimos meses têm sido testes de altíssimo nível para quem vive sob a pressão dos resultados, da tomada de decisões difíceis, da elaboração de planos rápidos, dentre outros. Sabe-se que um dos segredos para enfrentar a pressão é manter a calma, porém, é possível que a maioria esteja fazendo isso de maneira errada.

Um estudo coordenado pelo professor Allison Wood Brook da Harvard University mostra que sob pressão a maioria de nós tenta ficar calmo da maneira errada. Outra constatação é que quem abraça o desafio de superar uma crise, ultrapassar as dificuldades as anima e assim tendem a obter melhores resultados do que aquelas que se esforçam muito para permanecerem calmas. “Quando as pessoas se sentem ansiosas e tentam se acalmar, elas estão pensando no que poderia dar errado. Quando elas ficam animadas, elas estão pensando nas coisas que podem dar certo", afirma Brook. A justificativa é que permanecer composto, focado e efetivo sob pressão, é uma atitude mental, pois aqueles que dominam uma crise são capazes de canalizar suas emoções para o comportamento que desejam, transformando ansiedade em energia.

Uma recomendação é se apegar a lógica, avaliando o que pode ocorrer de pior com este resultado, como isso vai impactar em 5 anos, e assim por diante. O pânico no caso de um erro ou acidente é a antecipação de passar vergonha em público. Assim, os estudos recomendam construir confiança e concentração de esforço em busca das soluções. O coordenador do estudo recomenda lembrar sempre: "Tem mais para mim do que essa situação. Um erro não vai me definir". E ainda, de que é preciso reconhecer “que as pessoas são menos focadas em você do que imagina.” Ou seja, seus colegas, as pessoas próximas tendem a se preocupar mais com a solução dos problemas do que com quem tem responsabilidade com o erro ou acidente.

Nada ajuda mais a manter o foco durante uma crise do que o pensamento lógico. É preciso se recuperar logo do susto e focar no que realmente aconteceu, possíveis repercussões, como evitar mais repercussões, quem pode ser envolvido para reduzir impactos negativos, dentre outros. Não há nada de produtivo em autoacusações e nem culpas aos outros. Entendidos os fatos e o problema, é hora de “tomar as rédeas” da situação. Concentrar energia para superar e tentar fazer as coisas melhores dará mais forças e auxilia na redução da ansiedade. Animar-se pelos desafios de “voltar das cinzas” irá melhorar sua performance drasticamente. Para manter as coisas funcionando, é importante não ser muito duro consigo mesmo, lembrando que ninguém é perfeito e que até as pessoas mais bem sucedidas cometem grandes erros.

Gerenciar suas emoções, manter a calma e ter um modelo mental preparado para trabalhar sob pressão está diretamente ligada ao desempenho de cada profissional. Muitos testes de seleção, especialmente para cargos e funções que precisam lidar com pressão, avaliam a capacidade da pessoa para lidar com suas emoções. É um aprendizado contínuo, que todos podem desenvolver.

Ninguém gosta de cometer erros e não importa o tamanho e o tipo de erro, o certo é que paralizar diante do medo, da incerteza, da vergonha não só não vai gerar soluções, como tende a piorar as coisas. Quando se deixa os pensamentos ruins aflorar, a capacidade de tomar boas decisões e de seguir em frente de forma efetiva reduz significativamente. É preciso controlar as emoções, manter a calma para pensar e desenvolver planos para fazer as coisas da maneira correta e seguir em frente.

          Erros e pressão são inevitáveis, especialmente para aqueles que se propõe a fazer algo e é justamente destes que o mundo mais precisa. Para que nossas famílias, organizações e comunidades possam se beneficiar dos fazedores, é fundamental que eles mesmos e todo o entorno saibam manter a calma e encontrar juntos as melhores soluções.

         Um abraço e até a próxima!

sexta-feira, 11 de setembro de 2020

Princípios da Amazon

 


As vendas on line têm crescido muito nas últimas décadas, tendo acelerado ainda mais no mundo todo, com a pandemia. Independente do tamanho, ramo e local da sede, nossas empresas têm muito mais motivos para também estarem presentes nos market places locais ou nacionais. A Amazon é responsável por mais de 50% das vendas on line nos EUA, por mais inacreditável que uma empresa pudesse conseguir este feito e vem ganhando mercado em muitos países, incluindo o Brasil. Jeff Bezos, o fundador e atual CEO da Amazon tem a maior fortuna do planeta, conforme os rankings atuais da FORBES e outras.

Chamo a atenção dos amigos para a Amazon, acreditando que precisamos entender como seu fundador superou dificuldades e criou uma empresa que é invejada pelo mundo do varejo. A “chave” do sucesso da Amazon é atribuída à cultura organizacional, especialmente quando se pretende comparar o sucesso desta, com outras empresas. Os prêmios recebidos mostram que eles procuram deixar muito claro que as pessoas e a cultura da Amazon são prioridade, assim como quais são as regras do jogo e como as coisas são feitas na empresa. Em vários espaços e momentos é possível verificar que mesmo que a pessoa seja muito talentosa, só fica se estiver alinhada com a cultura organizacional. A demissão voluntária é incentivada com bônus financeiros aos que não estão apaixonados pelo que estão fazendo.

Procurei sintetizar os princípios declarados desta cultura da Amazon nas linhas a seguir, entendendo que cada leitor pode adaptá-los ao seu negócio:

Trabalham para ganhar e manter a confiança dos clientes, muito mais do que trabalham para acompanhar a concorrência;

– Não sacrificam o resultado a longo prazo em troca do resultado a curto prazo. Não dizem “isso não é o meu trabalho” e agem em nome de toda a empresa;

- Inovam e inventam procurando sempre simplificar. Procuram novas ideias em todos os lugares e não somente dentro da empresa, mas não tentam “reinventar a roda”;

– Contratam e desenvolvem os melhores, buscando reconhecer os talentos excepcionais;

- Buscam incansavelmente os mais altos padrões para produtos, serviços e processos, não escondendo os defeitos “debaixo dos tapetes”, sendo que os problemas resolvidos devem servir de aprendizado e novas práticas;

– Pensam grande, criam e comunicam uma direção que inspira resultados. Os líderes inspiram a equipe e cuidam de todos os detalhes para sempre servir bem os clientes;

- Aceleram as questões relacionadas ao negócio valorizando as decisões com risco aceitável;

- Não gastam dinheiro com aquilo que não importa direta ou indiretamente aos clientes;

– São sinceramente mente aberta, realmente ouvem e estão dispostos a examinar suas convicções, mesmo as mais fortes, com humildade;

- Desafiam respeitosamente as decisões quando discordam, mesmo quando isso é desconfortável ou cansativo. Não gastam energia só para manter o conforto diante de uma ideia que não acreditam, mas uma vez que uma decisão é tomada e determinada, se comprometem totalmente com a sua efetividade;

– Entregam resultados focando nos principais insumos para o negócio e na entrega com a qualidade adequada e em tempo hábil.

Aprender com quem já passou por algumas experiências e está disposto a compartilhar o aprendizado é uma forma de ganhar tempo e evitar desperdícios. Espero que os princípios da liderança da Amazon de alguma forma possam contribuir com os amigos leitores para fazerem melhor o que se propõe.

                Um abraço e até a próxima!

sexta-feira, 4 de setembro de 2020

Quem é o concorrente?

 


Em muitos segmentos, até pouco tempo a concorrência não incomodava muito, pois onde há equilíbrio na relação de oferta e demanda a sensação é de que há mercado para todos. Há porém, aqueles que há tempos perdem o sono pensando no que faz a concorrência. O mais desejável no entanto, é quando a concorrência gera um sentimento que não permite acomodação.

Com a quebra de muitos paradigmas nos negócios, vive-se um momento em que é bem mais difícil identificar claramente os concorrentes e quase impossível identificar de onde sairão os novos competidores. Até algum tempo, falava-se da concorrência como algo relativamente previsível, bastando monitorar alguns players que faziam algo parecido e então planejar e produzir vantagem sobre eles em algum atributo. Desde que eu pesquiso e escrevo, venho defendendo que a análise de concorrência não pode ser feita com base no sentimento/feeling de quem decide, pois deve ser baseada nos cálculos de quem disputa as fatias da renda do cliente alvo.

Apesar dos muitos sinais, notícias, palestras, pesquisas, cursos, textos, vídeos... muitas empresas vêm perdendo mercado, mesmo que aos poucos, percebendo algumas perdas e atribuindo-as a fatores externos como macroeconomia, política, clientes, fornecedores, sem analisar com precisão para quem estão perdendo a participação no mercado. Esta situação é mais frequente em negócios cujos gestores não se atualizam, ou não permitem que aqueles parceiros de mente mais aberta contribuam com o negócio. Este problema não se restringe a empresas pequenas, médias ou familiares, pois grandes empresas, marcas renomadas também perdem mercado ao ponto de desaparecerem, quando não conseguem identificar e acompanhar quem são todos os seus concorrentes.

Um exemplo bem conhecido é a Nokia, que vendeu a maior parte desde os primeiros modelos populares nos anos 1990, até 2007, quando havia se tornado um conglomerado gigantesco, com 65% do mercado e praticamente só considerava concorrente a Blackberry. A partir daquele ano as fabricantes de computadores Apple e Samsung, que depois foram seguidas por outras, passaram a tirar uma fatia cada vez maior deste mercado que cresceu imensamente até os dias atuais. A Nokia não as considerava concorrentes, não percebeu que iriam tomar o seu gigantesco mercado, o que ocorreu muito rapidamente. Poderíamos citar um caso mais antigo e tão conhecido quanto, que é o da Kodak, que viu evaporar o seu consolidado mercado de filmes e máquinas fotográficas, mesmo tendo a primeira patente registrada de máquina fotográfica digital, quando os fabricantes de eletrônicos lançaram suas máquinas digitais e principalmente quando surgiram os smartphones. O que a Nokia, a Kodak e muitas que perderam seus mercados têm em comum com aquelas que estão perdendo o mercado atualmente é o fato de não terem se preparado para as outras possibilidades de concorrência. Eles estão perdendo mercado para players de outros setores, ou de quem era pequeno demais para ser considerado, e não para os concorrentes que estão acostumados a acompanhar e talvez culpam pelas dificuldades do setor.

           Os canais de TV aberta e por assinatura rivalizavam entre si, mas têm hoje nos canais particulares do Youtube e streamings de filmes e séries, quem lhes toma a maior parte de seus mercados. Como já se considera normal o fato dos aplicativos de mobilidade ser os principais concorrentes dos táxis e ônibus urbanos, os aplicativos de hospedagem tomar parte do mercado de hotéis e imobiliárias, outros muitos setores de atividade estão vendo boa parte de seu mercado ser tomado, por concorrentes não tradicionais e não que vinham acompanhando.

            Quem é mesmo seu concorrente? É uma pergunta cada vez mais importante para os planos de se manter no mercado. Primeiro é preciso mudar significativamente o modelo mental das lideranças dos negócios, pois o conhecimento precisa ser renovado constantemente e os olhares ampliados e diversificados.

                Um abraço e até a próxima!

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